Ibovespa ensaia recuperação com 'blue chips' após dez quedas seguidas
Bolsa opera na contramão do exterior, com tensões renovadas no Oriente Médio

O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira, 18, e tenta interromper a sequência de dez pregões consecutivos de perdas em agosto, em um pregão esvaziado de pautas domésticas, mas com a divulgação de indicadores econômicos no exterior. Por volta das 10h45 (horário de Brasília), o índice subia 0,79%%, aos 168.101,12 pontos. O dólar comercial avançava 0,03%, a R$ 5,20.
O movimento entre os setores é misto. Entre as maiores altas, Vibra (VBBR3) avançava 2,17%, Cosan (CSAN3), 1,86%, Ultrapar (UGPA3), 1,24%, e Petrobras, 1,11% (PETR4) e 1,10% (PETR3). Axia Energia (AXIA3) subia 0,62%. No setor financeiro, predominavam as perdas.
Já a Vale (VALE3) recuava 0,45%. No varejo e serviços, Magazine Luiza (MGLU3) caía 2,60%, Sabesp (SBSP3), -0,55%, e C&A (CEAB3), -0,89%. Por outro lado, Hapvida (HAPV3) liderava os ganhos, com 5,02%, seguida por Minerva (BEEF3), com 2,95%, SLC Agrícola (SLCE3), com 2,40%, e Azzas 2154 (AZZA3), com 2,27%.
De acordo com o coordenador de alocação e inteligência da Avenue, Bruno Yamashita, o mercado inicia o dia mais cauteloso, de olho nos juros americanos, nos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e nos próximos sinais sobre a economia dos Estados Unidos.
A produção industrial americana cresceu 0,2% em julho ante junho, segundo dados do Federal Reserve (Fed), abaixo da estimativa média de alta de 0,4%. Na comparação com julho do ano passado, a produção avançou 1,1%.
Ainda nos EUA, as construções de novas moradias recuaram 12,4% em julho, para uma taxa anualizada de 1,239 milhão de unidades. A expectativa era de queda de 6,6%. Já as permissões para novas obras subiram 5%, para 1,443 milhão, enquanto analistas esperavam recuo de 0,5%.
No Reino Unido, a taxa de desemprego ficou em 4,9% no segundo trimestre, queda de 0,1 ponto percentual ante o período anterior, mas 0,2 ponto acima da base anual; ao passo que, na Alemanha, o indicador de sentimento econômico (ZEW) subiu de 26,3 pontos em julho para 34,2 pontos em agosto, acima das expectativas.
Petróleo sobe com tensão no Oriente Médio
O petróleo avança pelo terceiro pregão seguido. Referência global de preços, o Brent subia 0,21%, a US$ 91,06 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), parâmetro nos EUA, ganhava 0,84%, a US$ 85,21.
O movimento ocorre com a redução das chances de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio. O Irã sinalizou uma postura mais ofensiva, enquanto os EUA descartaram estender o acordo temporário de cessar-fogo.
A tensão também permanece no Estreito de Ormuz. Um projétil atingiu uma embarcação em trânsito pela região hoje. Apesar dos ataques, a Saudi Aramco retomou carregamentos de petróleo pelo estreito e passou a oferecer cargas por meio de transferências entre navios ao largo de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.
O Irã também negocia com Omã um entendimento sobre a gestão do Estreito e afirma estar próximo de um acordo. Trump reagiu ameaçando bombardear o país do Golfo.
Wall Street recua com juros longos
Os principais índices de Wall Street fecharam a segunda-feira em queda, pressionados pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. O Dow Jones recuava 0,23%, aos 53.338,68 pontos; o S&P 500 caía 0,40%, aos 7.713,75 pontos; e o Nasdaq perdia 0,84%, aos 26.421,67 pontos.
O rendimento dos títulos de 30 anos subiu para 5,323%, nível não visto em quase duas décadas. A alta dos juros refletiu preocupações com a inflação e a permanência do petróleo em níveis elevados.
As ações de semicondutores também pesaram. Western Digital caiu quase 7%, enquanto Sandisk recuou mais de 6%. Marvell Technology e Seagate Technology também perderam mais de 6%.
Bolsas europeias operam em queda
As bolsas europeias registravam perdas na maior parte das praças. O Stoxx 600 caía 0,38%, aos 653,91 pontos. O DAX recuava 0,37%, o CAC 40, 0,42%, e o FTSE MIB, 0,49%. O FTSE 100 avançava 0,32%.
A H&M era destaque positivo, com alta de 4%, após elevações de preço-alvo feitas pelo Citigroup e pelo Jefferies.
Mercado asiático fecha em retração
Os mercados da Ásia-Pacífico encerraram o pregão majoritariamente em baixa, com o Japão liderando as perdas. O Nikkei 225 caiu 2,54%, aos 67.460,73 pontos, e o Topix recuou 1,05%, aos 4.140,22 pontos.
Na Coreia do Sul, o Kospi perdeu 1,55%, aos 6.869,83 pontos, e o Kosdaq despencou 3,5%, aos 834,2 pontos. Na China continental, o CSI 300 caiu 0,32%, aos 4.725,81 pontos. O Hang Seng ficou praticamente estável, aos 25.471,15 pontos, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, encerrou estável, em torno dos 9.070 pontos.
