Ibovespa ensaia recuperação, mas Petrobras pesa; dólar avança

O Ibovespa abriu as negociações desta quarta-feira, 27, em alta em meio à alta dos bancos e à queda do petróleo, além da repercussão da prévia da inflação brasileira, que veio acima das expectativas do mercado. No exterior, investidores acompanham a alta dos juros imobiliários nos Estados Unidos e alertas do Banco Central Europeu (BCE) sobre riscos para a economia global.
Por volta das 10h50, o principal índice acionário da B3 subia 0,33%, aos 177.170 pontos, ensaindo uma recuperação frente às perdas na sessão passada de 0,69%. No mesmo horário, o dólar subia 0,55%, cotado a R$ 5,055.
Já os preços do petróleo operam em forte queda. O tipo Brent, recua 3,80%, com o barril a US$ 95,82 e o WIT cai 4,40%, a US$ 89,78.
Os bancos operam em alta, com Itaú (TUB4) a 1,62%, Bradesco (BBDC4) 1,63%, BTG Pactual (BPAC11), 1,23% e Banco do Brasil (BBAS3), 1,42%. Na ponta positiva, Klabin ganha 2,89% seguida por Usiminas (USIM5), Magazine Luiza (MGLU3) e Suzano (SUZB3) com altas de mais de 2% também.
Já as petroleiras ampliam as perdas acompanhando a forte queda do petróleo, com Petrobras (PETR3 e PETR4) recuando entre 1,92% e 1,86%, enquanto a Prio cede 2,56%. Ultrapar lidera as perdas do índice, com baixa de 7,25%, enquanto Copasa cai 4,64%.
No radar doméstico, houve a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país. O indicador subiu 0,62% em maio, segundo dados divulgados nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa uma desaceleração em relação à alta de 0,89% registrada em abril, mas veio acima da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,53%. O IPCA-15 acumula alta de 3,02% no ano e de 4,64% em 12 meses.
Os investidores também acompanham o exterior, com a alta dos juros imobiliários nos EUA em meio à piora das expectativas para a inflação por lá. A taxa média da hipoteca fixa de 30 anos, considerada a principal referência do mercado imobiliário do país, subiu para 6,65% na semana encerrada em 22 de maio.
Ao longo do dia, haverá uma série de discursos de dirigentes do banco central estadunidense Federal Reserve (Fed), em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária. O mercado monitora, ainda, o leilão de Notes dos Treasuries de cinco anos, previsto para as 14 horas.
Já no fim da tarde, os investidores voltam as atenções para o mercado de energia com a divulgação dos estoques semanais de petróleo bruto dos EUA pelo American Petroleum Institute (API), às 17h30.
Na Europa, o foco é o BCE. A autoridade europeia alertou que o conflito no Oriente Médio pode desacelerar o crescimento da Zona do Euro, pressionar as contas públicas e elevar os custos de financiamento no bloco.
E também advertiu que um choque prolongado nos preços da energia, combinado com crescimento econômico mais fraco, pode provocar uma reprecificação abrupta dos mercados de dívida soberana da região. Esse movimento teria potencial para afetar empresas e ampliar os riscos de estabilidade financeira.
Petróleo cai após sinais de avanço com o Irã
O Brent, recua 3,80%, com o barril a US$ 95,82 e o WIT cai 4,40%, a US$ 89,78.
Os preços do petróleo despencam depois de a imprensa estatal iraniana afirmar que Teerã pretende restabelecer o tráfego comercial no Estreito de Ormuz em até um mês, caso um acordo com Washington seja firmado. Apesar do alívio momentâneo, agentes do setor seguem cautelosos sobre a velocidade de normalização da oferta global.
Wall Street mira recordes com rali de tecnologia
Nos EUA, as bolsas operam sem direção única após o S&P 500 e o Nasdaq renovarem máximas históricas no último pregão. O S&P 500 sobe 0,07%, enquanto o Nasdaq avança 0,1%, sustentado pelas ações de tecnologia e semicondutores ligados à inteligência artificial (IA). Já o Dow Jones ganha cerca de 160 pontos.
O movimento é impulsionado pela queda do petróleo e pelas expectativas de avanço nas negociações entre EUA e Irã. As ações da Micron Technology sobem quase 5% no pré-mercado, depois de dispararem 19% na véspera e levarem a companhia a superar US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez.
Além disso, o Goldman Sachs elevou sua projeção para o S&P 500 no fim do ano, apostando na continuidade do crescimento dos lucros corporativos apesar das tensões geopolíticas.
Bolsas europeias sobem com queda do petróleo
Na Europa, as bolsas operam majoritariamente em alta com a queda do petróleo. O índice pan-europeu Stoxx 600 sobe 0,32%, com ganhos de 1,01% no CAC 40, da França, e de 0,34% no DAX, da Alemanha. O FTSE 100, de Londres, avança 0,07%, enquanto o FTSE MIB, da Itália, recua 0,10%.
Mercados asiáticos fecham sem direção única
Já na Ásia, os mercados fecharam mistos. O Kospi, da Coreia do Sul, saltou 2,25%, enquanto o Nikkei 225, do Japão, encerrou praticamente estável, próximo de níveis recordes. Em contrapartida, o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,06%, e o índice de Xangai recuou 1,25%.
