Ibovespa ensaia recuperação, mas queda da Petrobras e Vale pressionam; dólar avança
Sessão é marcada por uma agenda cheia de indicadores, balanços corporativos e queda do petróleo no exterior

O Ibovespa ronda a estabilidade nesta quinta-feira, 13, em uma sessão marcada por uma agenda cheia de indicadores, balanços corporativos e queda do petróleo no exterior. Às 11h20 (horário de Brasília), o principal índice da B3 registrava ligeira queda de 0,09%, aos 167.345 pontos. O dólar comercial avançava 0,06%, a R$ 5,183.
A Vale (VALE3) recuava 0,75%, assim como a Petrobras. A PETR4 caía 0,17%, enquanto a PETR3 recuava 0,63%, acompanhando a queda do petróleo no exterior. Entre os grandes bancos, o Banco do Brasil (BBAS3) recuava 0,58% em meio à divulgação de seu balanço de 2° trimestre.
Entre as maiores altas do índice, a MRV (MRVE3) disparava 11,19%. Cogna (COGN3), Rede D'Or (RDOR3) e Rumo (RAIL3) também avançavam mais de 5% cada. Na ponta negativa, a Hapvida (HAPV3) liderava as perdas, com queda de 15,55%. Sabesp (SBSP3) recuava 4,75% e Minerva (BEEF3) caía 3,34%.
O estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle, avaliou que a abertura do mercado brasileiro veio morna, em linha com o menor apetite por risco sinalizado pelos futuros de Nova York. Ele vê que o mercado tem reagido bem aos dados de inflação americana, que vêm surpreendendo para baixo e reduzindo a chance de alta de juros no curto prazo.
A queda de cerca de 2% do petróleo também ajuda a aliviar a pressão sobre os juros globais, na sua visão. Saravalle chamou atenção para o fluxo de saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira neste mês, com saídas expressivas, da ordem de bilhões de reais por dia, o que tem pressionado as empresas ligadas ao consumo interno.
Ainda assim, ele avaliou que a sessão deve ser marcada por reação positiva, sem grandes oscilações, a alguns resultados corporativos. Empresas têm entregado bons fundamentos, crescimento de receita e geração de caixa, o que tem levado parte do mercado a buscar oportunidades pontuais.
Varejo brasileiro tem sinais mistos
No Brasil, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,5% em junho ante maio, na série livre de influências sazonais, após alta de 0,3% no mês anterior. Já o varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, teve retração de 1% em junho frente a maio.
No campo agrícola, a estimativa para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em julho ficou em 353 milhões de toneladas, alta de 2,0% frente à safra de 2025, de 346,1 milhões de toneladas, e avanço de 1,6% em relação à estimativa de junho.
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao produtor (PPI) ficou estável em julho, após queda revisada de 0,1% em junho. O resultado ficou abaixo da expectativa de alta de 0,2% dos analistas, segundo dados divulgados hoje pelo Departamento do Trabalho do país.
Ao passo que os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA subiram em nove mil na semana encerrada em 8 de agosto, para 209 mil solicitações, acima do esperado pelo mercado.
Em discurso na Câmara de Comércio de Greenville, na Carolina do Sul, o presidente do Federal Reserve (Fed) de Richmond, Tom Barkin, disse que ainda não está claro se o banco central americano precisará elevar os juros para levar a inflação à meta de 2%.O especialista indicou que o comitê de política monetária já deixou claro seu compromisso com a meta, mas a dúvida em aberto é se essa trajetória exigirá novos aumentos de juros ou se a inflação já caminha para a meta por conta própria.
Na Europa, a produção industrial da zona do euro ficou estável em junho, após alta de 0,3% em maio, superando a expectativa de queda de 0,1% do mercado, de acordo com a Eurostat; enquanto a economia britânica cresceu 0,4% no segundo trimestre, em linha com o consenso de analistas.
Além disso, divulgam resultados CPFL, Cemig, Marfrig, Compass, Cyrela, Grupo Mateus, Azul, JHSF, M. Dias Branco, 3R Petroleum, IRB Brasil, Sanepar, Yduqs, Trisul, Dotz, Tecnisa e Arandu. Nos EUA, os destaques ficam por conta do Nubank e da Lenovo, que já divulgou seu balanço com desempenho acima do esperado.
Petróleo recua com temor sobre demanda
Os preços do petróleo caíam, com investidores ponderando a queda na demanda global frente à contínua disrupção na oferta no Oriente Médio. Referência global de preços, o Brent cedia 2,51%, a US$ 86,75, e o West Texas Intermediate (WTI) recuava 2,81%, a US$ 80,93 por barril.
A Agência Internacional de Energia informou na quarta-feira, 12, que a demanda global por petróleo deve cair mais do que o previsto neste ano, em meio ao aprofundamento dos efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz.
A retomada de hostilidades e as disrupções marítimas seguem prejudicando os esforços para elevar a oferta global, que em julho ficou 6,3 milhões de barris por dia abaixo do registrado um ano antes, conforme o órgão.
A situação de segurança no Oriente Médio também segue instável para o transporte marítimo, com ataques a embarcações no Golfo de Omã e no Mar Vermelho ao longo desta semana.
Paralelamente, a costa de Omã começou a ser afetada por um grande vazamento de petróleo causado por um navio-tanque que encalhou em 30 de junho carregando cerca de 800 mil barris de petróleo russo sob sanções internacionais.
Bolsas dos EUA sobem após PPI
As bolsas americanas avançavam, à medida que investidores digeriam a queda do petróleo, novos dados de inflação e uma leva de balanços corporativos. O S&P 500 subia 0,2%, o Nasdaq ganhava 0,1% e o Dow Jones avançava 119 pontos, alta de 0,3%.
A Cisco Systems era o principal destaque negativo do dia, com queda de 9%, após o mercado reagir mal ao balanço trimestral da companhia. Cerebras e Coherent também recuavam após divulgarem resultados, com baixas de 13% e 3%, respectivamente.
O dado ameno do PPI chega um dia depois de o índice de preços ao consumidor (CPI) de julho vir em linha com as expectativas, com alta mensal de 0,1%.
Bolsas europeias operam em alta
Os principais mercados europeus operavam em terreno positivo. O Stoxx 600 subia 0,15%, a 660,45 pontos. O DAX, de Frankfurt, avançava 0,29%, a 26.407,23 pontos, e o FTSE MIB, de Milão, ganhava 0,34%, a 53.880,17 pontos.
O CAC 40, de Paris, tinha leve alta de 0,01%, a 8.676,20 pontos. Na contramão, o FTSE 100, de Londres, recuava 0,34%, a 10.795,81 pontos.
Bolsas da Ásia fecham sem direção
Os mercados asiáticos encerraram o pregão sem direção única. O Kospi, da Coreia do Sul, disparou 3,6%, a 6.813,34 pontos, enquanto o Kosdaq avançou 0,29%, a 861,37 pontos. O Nikkei 225, do Japão, subiu 1,16%, a 68.308,59 pontos, e o Topix ganhou 0,89%, a 4.176,04 pontos.
Na direção oposta, o S&P/ASX 200, da Austrália, recuou 0,23%, a 9.188,5 pontos. O CSI 300, da China continental, caiu 0,57%, a 4.663,95 pontos, e o Hang Seng, de Hong Kong, cedia 0,38% na última hora de negociação.
*Com informações de agências de notícias
