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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
17/08/2026
5 min

Ibovespa fecha a 10ª sessão em queda consecutiva, mas Petrobras limita maiores perdas

Crise da Casas Bahia (BHIA3), que despencou mais de 30%, afetou papéis de bancos

Ibovespa fecha a 10ª sessão em queda consecutiva, mas Petrobras limita maiores perdas

O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira, 17, com leve queda de 0,01%, aos 166.954 pontos, a 10ª baixa consecutiva. De um lado, os bancos pressionaram o índice, com investidores repercutindo os efeitos do cenário de juros elevados e o pedido de recuperação judicial das Casas Bahia (BHIA3). De outro, a alta do petróleo sustentou as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) e ajudou a limitar uma queda mais forte da Bolsa.

Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável e sócio da Veedha Investimentos, o pregão foi marcado por movimentos pontuais entre os setores, mas sem uma direção clara para o índice. "Os outros papéis [tiveram] uma leve realização em um ou outro, mas bem lateralizado, praticamente nos zeros", afirmou.

Entre os destaques negativos, os bancos recuaram mais de 1,5%. A avaliação é de que as instituições financeiras podem ser afetadas pelo aumento das dificuldades enfrentadas por empresas de varejo, em meio a crise com Casas Bahia, já que estão entre os principais credores dessas companhias. O receio de novas recuperações judiciais e de dificuldades no recebimento de créditos aumenta a pressão sobre os papéis do setor.

Na outra ponta, a Petrobras ajudou a sustentar o Ibovespa. As ações da estatal subiram mais de 1%, acompanhando a valorização de mais de 2% do petróleo em meio às incertezas envolvendo as negociações de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. A manutenção das tensões geopolíticas elevou a percepção de risco sobre a oferta da commodity e impulsionou os preços.

A Prio (PRIO3) também esteve entre os destaques positivos, com alta próxima de 5%. Moliterno atribui parte do movimento ao reforço da recomendação de compra pelo JPMorgan, que colocou a companhia entre suas principais escolhas, além da perspectiva de que a menor necessidade de investimentos possa abrir espaço para maior geração de caixa e eventual distribuição de dividendos.

Atividade perde força

Além do movimento das ações, os investidores acompanharam uma série de indicadores econômicos nesta segunda-feira. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,6% em junho ante maio, após alta de 0,1% no mês anterior. O resultado ficou abaixo da expectativa de queda de 0,5%.

Para Fabio Louzada, economista, planejador financeiro e fundador da B7 Business School, o dado mostra uma perda de velocidade da economia, mas ainda não caracteriza um cenário de recessão. "Não estamos diante de uma economia em recessão, mas existe uma clara perda de velocidade na margem", afirma.

Segundo ele, o ponto central para o mercado é entender o que está por trás da desaceleração. Uma atividade mais fraca pode, em determinadas circunstâncias, favorecer cortes de juros. Porém, se as expectativas de inflação continuam pressionadas e o cenário fiscal permanece incerto, o Banco Central fica limitado para responder à perda de ritmo da economia.

Inflação e juros no radar

O Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) também repercutiu no mercado. O indicador caiu 0,51% em agosto, após recuo de 1,13% em julho. Com isso, acumula alta de 1,48% no ano e de 2% em 12 meses. Segundo o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), Matheus Dias, a queda refletiu principalmente os preços de energia.

Já o Boletim Focus manteve em 5,02% a projeção mediana para a inflação de 2026. O mercado também manteve a estimativa de crescimento de 1,98% para o PIB, câmbio de R$ 5,20 e Selic de 13,75% ao fim do ano.

Para Louzada, a manutenção de uma taxa básica elevada continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre os ativos brasileiros. A Selic está atualmente em 14% ao ano, enquanto o mercado ainda trabalha com juros elevados no fim de 2026.

A curva de juros, segundo o economista, reage principalmente às expectativas de inflação, à política fiscal, à atuação futura do Banco Central e ao prêmio de risco do país. Mesmo com a atividade mostrando sinais de perda de força, os juros futuros de prazo mais longo avançaram.

"Quando o mercado entende que a inflação pode permanecer resistente ou que o fiscal pode pressionar os preços e o câmbio, os investidores passam a exigir juros maiores nos vencimentos futuros", explica.

Com isso, o ambiente segue desafiador para a Bolsa: a atividade começa a perder ritmo, mas ainda não há uma melhora suficiente nas expectativas de inflação ou no cenário fiscal para que a desaceleração seja imediatamente interpretada como um sinal de cortes mais rápidos da Selic.

Casas Bahia despenca

As ações da Casas Bahia despencaram mais de 30% após a companhia protocolar um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para tentar reorganizar R$ 17,3 bilhões em dívidas e evitar uma deterioração ainda maior de suas operações. A companhia afirma enfrentar a “pior crise financeira desde a sua fundação”.

O pedido envolve a própria Casas Bahia e outras nove empresas do grupo, incluindo Cnova, Bartira e companhias de logística. A empresa diz que a recuperação é necessária para preservar mais de 20 mil empregos e manter o atendimento a cerca de 105 milhões de consumidores.

A crise é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles estão os juros elevados, que reduziram o consumo de bens duráveis e encareceram o financiamento da companhia; os efeitos da pandemia; os investimentos em tecnologia, logística e transformação digital; e os desafios de integrar operações após a associação entre Casas Bahia e Pontofrio.

Com isso, outras ações do setor, como C&A (CEAB3), Natura (NATU3) e Lojas Renner (LREN3), caíram. Por outro lado, Magazine Luiza (MGLU3) valorizou mais de 8%, com rumores sobre a companhia poder capturar parte dos clientes da Casas Bahia.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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