Ibovespa fecha abaixo dos 170 mil pontos e tem maior sequência de perdas semanais desde a pandemia

O Ibovespa encerrou esta sexta-feira, 5, em queda de 0,77%, aos 169.019 pontos. Na semana, a queda foi de 2,7%. O resultado estende a maior sequência de perdas semanais do principal índice da bolsa brasileira desde 2020. São oito semanas consecutivas no vermelho, uma série que o mercado não via desde os tempos do coronavírus.
O pregão desta sexta foi marcado pela volta da B3 após o feriado de Corpus Christi e pelo impacto do payroll americano de maio, que veio bem acima do esperado e acirrou o temor de alta de juros pelo Federal Reserve. No exterior, o Nasdaq despencou 4,18% e o S&P 500 caiu 2,65%, na pior sessão do ano para as bolsas americanas.
De quase 200 mil a 169 mil pontos
A sequência de perdas acumuladas contrasta com o otimismo do início do ano. Em meados de abril, o Ibovespa chegou muito próximo dos 200 mil pontos, impulsionado por um fluxo recorde de capital estrangeiro. Desde então, o índice acumula queda superior a 15% desde a máxima. Em maio, o recuo mensal foi de 7,06%, o pior desde fevereiro de 2023.
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o movimento é consequência direta do perfil do real e dos ativos brasileiros. "Além de ter diminuído [o fluxo para emergentes], as rotas foram mais direcionadas para aqueles que se beneficiam da infraestrutura de IA — Coreia, Taiwan, China — enquanto mercados como o brasileiro, mais focados em commodities tradicionais, não foram muito bem."
Risco fiscal e eleições pesam no cenário doméstico
Além do ambiente externo adverso, o Ibovespa carrega o peso de um quadro doméstico que se deteriorou. O Bank of America revisou para baixo as perspectivas para a Selic nesta sexta — agora projeta apenas mais um corte em 2026, encerrando o ano em 14,25% ante projeção anterior de 13,25%. As expectativas de inflação seguem subindo, com o IPCA projetado em 5,09% para 2026 pelo Boletim Focus.
Castro Alves aponta ainda o risco eleitoral como fator crescente de pressão. "A incerteza e o risco político aumentam a cada semana que passa, à medida que você chega mais perto da eleição. Nesta semana, em especial, você teve a questão do risco fiscal — cada vez mais medidas de cunho fiscal para tentar gerar algum benefício eleitoral. Isso aumenta a percepção de risco fiscal, que é um detrator para a moeda local" — e, por extensão, para os ativos de risco em geral.
O Ibovespa havia acumulado queda de 2,22% na quarta-feira, véspera do feriado, pressionado por tensões no Oriente Médio e novas ameaças tarifárias de Washington. A volta desta sexta não trouxe alívio — e encerrou a semana com o índice abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez em meses, consolidando a pior maré negativa desde a pandemia.
