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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
27/07/2026
5 min

Ibovespa fecha em alta mesmo com pressão da Petrobras; dólar vai a R$ 5,11

Os contratos futuros do petróleo despencaram nesta segunda-feira, diante da interrupção dos ataques entre Estados Unidos e Irã

Ibovespa fecha em alta mesmo com pressão da Petrobras; dólar vai a R$ 5,11

O Ibovespa ganhou força nas últimas horas do pregão desta segunda-feira, 27, e encerrou o dia em alta de 0,80%, aos 175.431 pontos. O principal índice acionário da bolsa brasileira foi impulsionado pela melhora do humor nos mercados globais, após sinais de trégua no conflito entre Estados Unidos e Irã, e pela recuperação da Vale (VALE3), que reverteu as perdas registradas ao longo da sessão e fechou em alta de 0,64%.

Ao todo, 61 dos 78 papéis que compõem o Ibovespa encerraram o dia no campo positivo, refletindo um movimento disseminado de compras, especialmente em ações de bancos, indústria, siderurgia e consumo. Ainda assim, a forte queda do petróleo limitou um avanço mais robusto do índice ao pressionar as empresas do setor.

Os grandes bancos fecharam em bloco no campo positivo. As units do Santander (SANB11) lideraram os ganhos do setor, com alta de 3,61%, num movimento positivo acompanhado por Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil, que também registraram valorização expressiva.

Entre os destaques positivos do pregão, a Totvs (TOTS3) liderou os ganhos do Ibovespa, com avanço de 6,81%, seguida por Marfrig (MRFG3), que subiu 6,74%, e CSN (CSNA3), com valorização de 6,16%.

Na ponta oposta, as petrolíferas figuraram entre as maiores quedas do dia. A Prio (PRIO3) caiu 5,24%, seguida por PetroReconcavo (RECV3), com baixa de 3,31%. Já a Petrobras encerrou o pregão em queda de 3,15% nas ações ordinárias (PETR3) e de 2,84% nas preferenciais (PETR4), refletindo a forte desvalorização da commodity no mercado internacional.

Asseguradoras também tiveram um dia negativo. A Caixa Seguridade (CXSE3) recuou 2,59%, enquanto BB Seguridade (BBSE3) e Porto (PSSA3) também fecharam em baixa de 2,29% e 1,91% após o Morgan Stanley revisar suas recomendações para o setor.

O banco rebaixou BB Seguridade e Caixa Seguridade de equalweight (exposição em linha com a média do mercado) para underweight (exposição abaixo da média do mercado), com preços-alvo de R$ 31 e R$ 19, respectivamente. Já a Porto teve a recomendação reduzida de overweight (exposição acima da média do mercado) para equalweight, embora o preço-alvo tenha sido elevado de R$ 58 para R$ 59.

No câmbio, o dólar à vista fechou em alta de 0,6o%, cotado a R$ 5,1122, após oscilar entre a mínima de R$ 5,076 e a máxima de R$ 5,113.

No cenário doméstico, os investidores repercutiram anova edição do Boletim Focus. Os economistas reduziram pela quarta semana consecutiva a projeção para a inflação oficial em 2026, com a estimativa para o IPCA passando de 5,15% para 5,12%.

Para os anos seguintes, houve pequenos ajustes para cima. A expectativa para a Selic permaneceu inalterada, enquanto a projeção de crescimento do PIB de 2026 ficou estável em 1,99%. Para 2027, a estimativa foi reduzida de 1,65% para 1,60%. A projeção para o dólar ao fim deste ano seguiu em R$ 5,20.

Petróleo despenca

Os contratos futuros do petróleo despencaram nesta segunda-feira, diante dainterrupção dos ataques entre Estados Unidos e Irã e de sinais de retomada das negociações por um possível acordo de paz.

O mercado também acompanha a reunião marcada para esta terça-feira entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o conflito no Oriente Médio no centro das discussões.

No fechamento, o contrato do Brent para setembro desabou 8,70%, para US$ 88,36 o barril, na ICE. Já o WTI para o mesmo mês recuou 7,50%, para US$ 82,61 o barril, na Nymex.

Para Fabio Louzada, economista, planejador financeiro e fundador da B7 Business School, o movimento desta segunda-feira foi guiado principalmente pelo ambiente externo.

"O mercado brasileiro iniciou a semana em tom positivo, apoiado principalmente pelo ambiente externo mais favorável. A trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã ajudou a reduzir a percepção de risco geopolítico e provocou queda nos preços do petróleo, movimento que trouxe alívio para os mercados globais", afirmou.

Segundo Louzada, a queda do petróleo acabou limitando um desempenho ainda melhor da bolsa brasileira.

"A queda do petróleo pressionou as ações das petroleiras do Ibovespa, como Petrobras e PetroReconcavo, impedindo uma alta mais consistente da bolsa brasileira. A Petrobras sentiu diretamente esse movimento, em uma sessão em que a commodity perdeu força diante da redução dos riscos de interrupção do fornecimento relacionados ao conflito no Oriente Médio", disse.

"A leitura para o setor, neste momento, é de que uma eventual estabilização geopolítica pode retirar parte do prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo, o que tende a continuar pressionando as ações das companhias ligadas ao petróleo", complementou.

Wall Street fecha sem direção única à espera da decisão do Fed

As bolsas de Nova York encerraram o pregão sem direção única, em uma sessão marcada pela expectativa dos investidores para adecisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) e pela temporada de balanços das gigantes de tecnologia.

O índice Dow Jones subiu 0,51%, aos 52.210,08 pontos. O S&P 500 ficou estável com ligeira alta de 0,02%, aos 7.413,18 pontos, enquanto o Nasdaq recuou 0,18%, encerrando aos 24.932,08 pontos.

O foco do mercado permanece na reunião do Federal Reserve, que divulga sua decisão sobre os juros na quarta-feira. A expectativa predominante é de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75%, mas investidores acompanham atentamente os sinais do presidente da autoridade monetária sobre os próximos passos da política monetária.

Além disso, Microsoft e Meta divulgam seus resultados na quarta-feira, enquanto Apple e Amazon apresentam seus balanços na quinta-feira.

AutorClara Assunção
FonteExame
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