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InvestMercadosACS
27/08/2026
6 min

Ibovespa fecha em alta, puxado por Petrobras; bolsas de NY sobem com Nvidia

Dólar sobe 0,21% e fecha a R$ 5,1620, enquanto petróleo avança mais de 2% com tensões no Oriente Médio

Ibovespa fecha em alta, puxado por Petrobras; bolsas de NY sobem com Nvidia

O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, 27, sustentado principalmente pelo avanço das ações da Petrobras e de empresas ligadas a commodities. O principal índice da B3 subiu 0,31%, aos 175.135,41 pontos, após oscilar entre 173.660,79 e 175.557,63 pontos. O volume financeiro somou R$ 15,4 bilhões, em uma sessão de liquidez reduzida.

Com o resultado, o Ibovespa chegou à sétima sessão consecutiva de alta. O movimento ganhou força ao longo do dia, depois de o índice passar a manhã pressionado pelo desempenho negativo de ações de peso, enquanto investidores repercutiam o balanço da Nvidia e novos dados de atividade econômica no Brasil.

Entre as principais ações do índice,Petrobras passou a liderar o movimento positivo, com PETR3 em alta de 3,00% e PETR4 avançando 3,02%. Vale (VALE3) também subiu 0,84%.

No setor financeiro, os papéis tiveram desempenho predominantemente negativo. Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,89%, enquanto Bradesco (BBDC4) caiu 0,35% e BTG Pactual (BPAC11) teve baixa de 0,61%. Santander (SANB11) também recuou, 0,87%. Na contramão, Banco do Brasil (BBAS3) avançou 2,31%.

Na ponta positiva, Totvs (TOTS3) liderou as altas do Ibovespa, com avanço de 6,41%. Metalúrgica Gerdau (GOAU4) subiu 5,13%, enquanto Gerdau (GGBR4) ganhou 4,76%.

Entre as maiores quedas, Hypera (HYPE3) liderou as perdas, com recuo de 3,45%. Minerva (BEEF3) caiu 3,17%, enquanto TIM (TIMS3) teve baixa de 2,19%.

Petrobras impulsiona virada do Ibovespa

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos,a reversão da Bolsa ao longo do dia esteve ligada principalmente à Petrobras e ao petróleo. “A bolsa tinha um pregão pior no começo do dia, fundamentalmente por conta de Petrobras, que passou a subir forte, quase 3% de alta por conta dos preços do petróleo”, afirmou.

Segundo o economista, o movimento também se espalhou para outras empresas de commodities e foi favorecido por um ambiente global de maior apetite ao risco. “São esses papéis que dão sustentação ao índice, juntamente com um movimento um pouco mais amplo de apetite ao risco”, disse.

Perri destacou ainda que os próximos pregões devem ser influenciados por petróleo, indicadores econômicos e sinalizações dos bancos centrais, além do cenário eleitoral brasileiro. “As eleições estão ficando próximas, as pesquisas e eventos relativos às eleições, debates, sabatinas, escândalos de corrupção podem fazer preço”, afirmou.

Petróleo avança após EUA descartarem retomada de acordo com Irã

Os contratos futuros de petróleo encerraram esta quinta-feira em alta, após diminuírem as chances de um potencial acordo entre Estados Unidos e Irã no curto prazo. Reportagem do Wall Street Journal mostrou que o governo americano não pretende retomar os termos do memorando de entendimento firmado com Teerã em junho, complicando os esforços diplomáticos desta semana.

Mais cedo, Washington confirmou que não estava em negociações com o Irã. O cenário aumentou a percepção de risco sobre o fornecimento da commodity, em meio às tensões no Estreito de Ormuz.

O contrato do Brent para outubro subiu 2,12%, a US$ 89,70 por barril, na ICE. Já o WTI para outubro avançou 1,58%, a US$ 83,53 por barril, na Nymex.

A alta do petróleo ajudou a sustentar as ações da Petrobras na B3. Para Bruno Perri, os ataques a navios no Estreito de Ormuz contribuíram para a valorização da commodity e, consequentemente, para a recuperação da Bolsa brasileira.

Dólar avança e fecha a R$ 5,162

O dólar à vista encerrou em alta nesta quinta-feira, com a moeda americana se sobressaindo ante divisas de países emergentes, enquanto operou mais estável contra moedas fortes. O movimento ocorreu em meio a ajustes pontuais de posição no fim do mês e à repercussão dos dados econômicos.

O dólar à vista fechou em alta de 0,21%, a R$ 5,1620, após oscilar entre R$ 5,142 e R$ 5,175.

O cenário eleitoral brasileiro também segue no radar. Relatório do Morgan Stanley destacou que, em um cenário sem ajuste fiscal no próximo ano, o dólar poderia chegar a R$ 6 em um cenário pessimista.

Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a valorização da moeda americana esteve mais relacionada ao ambiente externo do que aos indicadores brasileiros. “Esse comportamento do câmbio hoje está mais relacionado a essa aversão ao risco externo”, afirmou.

Segundo a economista, a inflação americana divulgada na quarta-feira, 26, acima do esperado, aumentou as apostas de juros mais elevados nos Estados Unidos e contribuiu para pressionar moedas emergentes. “Até porque, se a gente analisar outras moedas emergentes, elas também subiram hoje”, disse.

Os investidores também acompanharam a taxa de desemprego brasileira, que caiu para 5,3%, reforçando a percepção de um mercado de trabalho ainda aquecido e mantendo no radar as perspectivas para a política monetária. Foi o maior número de toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), iniciada em 2012.

A taxa caiu 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em abril, quando estava em 5,8%. Na comparação com o mesmo período de 2025, a taxa recuou 0,3 ponto, de 5,6% para 5,3%.

O Brasil também registrou déficit de US$ 8,110 bilhões em transações correntes em julho. Em 12 meses, o déficit acumulado equivale a 2,49% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Central.

Na indústria, o cenário foi negativo. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) caiu 3,5 pontos em agosto, para 93,7 pontos. Na média móvel trimestral, o indicador recuou 1,1 ponto, para 97 pontos.

Nvidia impulsiona bolsas em Nova York

As bolsas de Nova York encerraram a sessão desta quinta-feira em alta, impulsionadas pelas ações de tecnologia após o balanço e o guidance da Nvidia. As ações da fabricante de chips dispararam 8,74%, depois de a companhia apresentar resultados e projeções acima das expectativas, reforçando a percepção de que os investimentos em inteligência artificial continuam robustos.

A Nvidia ultrapassou US$ 5,5 trilhões em valor de mercado. Outro destaque foi a Salesforce, que disparou 22,60% apósdivulgar balanço e guidance melhores do que o esperado, além de anunciar uma parceria ampliada com a Anthropic.

O Dow Jones subiu 0,20%, aos 53.569,44 pontos. O S&P 500 ganhou 0,72%, aos 7.730,99 pontos, enquanto o Nasdaq avançou 1,57%, aos 26.541,35 pontos.

Agora, o mercado volta as atenções para o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no Simpósio de Jackson Hole, que poderá trazer novos sinais sobre a trajetória da política monetária americana.

AutorClara Assunção
FonteExame
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