Ibovespa fecha em baixa após decisão do Fed e na expectativa do Copom; dólar segue em R$ 5,15
Investidores ajustam expectativas para os próximos passos dos bancos centrais em meio a dados de inflação e atividade econômica

Em um dia agitado nos mercados, com a Super Quarta, agenda de indicadores importantes e desdobramentos no Oriente Médio, o Ibovespa fechou a sessão desta quarta-feira, 16, em queda de 0,51% a 185.547 pontos. Na mesma linha, o dólar recuou 0,06% a R$ 5,151. Os pesos pesados da bolsa, Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) foram os responsáveis por puxar a bolsa para baixo, já que recuaram mais de 2% e 3%, respectivamente.
O grande destaque do dia são as decisões dos comitês de política monetária dos Estados Unidos e do Brasil, o Fomc e o Copom. Por lá, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) subiu a taxa de juros em 0,25 ponto percentual (p.p.), conforme já esperado pelo mercado.
Assim, os fed funds agora estão na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. A alta é a primeira desde julho de 2023 e também o primeiro aperto monetário sob o comando de Kevin Warsh, que assumiu a presidência do Fed em 2026. A decisão foi unânime, contando com a anuência dos 12 membros votantes do colegiado.
O Federal Reserve justificou a decisão de elevar os juros com base em três fatores principais: a economia americana continua crescendo em ritmo sólido, o mercado de trabalho permanece equilibrado e a inflação ainda está acima da meta de 2%. Para o Fed, a alta dos juros ajuda a conter as pressões inflacionárias e a conduzir os preços de volta à estabilidade, sem que a atividade econômica mostre sinais de enfraquecimento significativo.
Por aqui, o contrário deve acontecer. A expectativa é que o Banco Central (BC) do Brasil corte o juros em 0,25 p.p., levando a Selic para a casa dos 13,75%. Relatórios do Itaú BBA, do C6 Bank, da Suno Research e do banco Daycoval, consultados pela EXAME, apontam o corte como o cenário mais provável, mas concordam que o mercado vai concentrar atenção no tom da comunicação e nos sinais sobre os próximos passos do ciclo de juros.
Mercado mais seletivo
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, o pregão desta quarta-feira refletiu um momento de ajuste nas expectativas dos investidores sobre o próximo ciclo da economia global, principalmente em relação aos juros. Segundo ele, a percepção de que as taxas podem permanecer elevadas por mais tempo tende a aumentar a cautela dos investidores, favorecendo movimentos de realização de lucros e maior volatilidade.
"No Brasil, além do cenário externo, o investidor segue atento aos fatores domésticos, como inflação, juros e ambiente fiscal. A bolsa passa por um momento em que o mercado exige mais clareza e fundamentos para sustentar novos movimentos", afirma.
Segundo Murad, o cenário também marca uma mudança na forma como os investidores avaliam os ativos. "A fase em que simplesmente a expectativa de juros menores impulsionava os ativos dá espaço para uma etapa em que resultados, crescimento econômico e qualidade dos ativos terão maior peso."
Petróleo e indicadores
Após dois dias de alta, o petróleo recuou nesta quarta-feira, depois de a Arábia Saudita informar que interceptou ataques de drones lançados pelos houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, e realizou ofensivas contra alvos em território iemenita. Apesar disso, a commodity segue acima dos US$ 100.
A queda também ocorre após autoridades americanas indicarem que a interrupção do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita pode ser temporária. A estrutura foi fechada após sofrer danos em ataques com drones na semana passada e vinha sendo utilizada para redirecionar exportações sauditas diante dos riscos no Estreito de Ormuz.
No cenário doméstico, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) avançou 1,47% em setembro, depois de cair 0,51% em agosto, influenciado pelo aumento das incertezas climáticas relacionadas ao El Niño, conforme a Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
Nos Estados Unidos, novos dados de atividade entram no radar antes da decisão do Fed. As vendas no varejo somaram US$ 773,9 bilhões em agosto, crescimento de 1,2% em relação ao mês anterior. O resultado superou a estimativa média de alta de 0,8%.
