Ibovespa fecha em baixa de 1,5%, mas acumula leve alta na semana

O Ibovespa aprofundou as perdas ao longo desta sexta-feira, 24, e encerrou o pregão em baixa de 1,52%, aos 174.041,95 pontos, pressionado principalmente pelo desempenho das blue chips. A forte queda do petróleo derrubou as ações das petroleiras, enquanto Vale (VALE3) e os grandes bancos também fecharam no vermelho.
No cenário externo, os investidores seguiram atentos aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e às expectativas de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. No Brasil, o mercado continuou repercutindo a entrada em vigor da tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Entre os papéis de maior peso do índice, a Vale (VALE3) caiu 0,58%, enquanto a Petrobras recuou 2,36% nas ações ordinárias (PETR3) e 1,72% nas preferenciais (PETR4), acompanhando a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional. No setor financeiro, os grandes bancos também fecharam em queda, com Bradesco (BBDC4) perdendo 1,28% e Itaú Unibanco (ITUB4) recuando 1,08%.
Entre os destaques negativos do pregão, a Isa Energia (ISAE4) liderou as perdas do Ibovespa, com queda de 7,16%, após anunciar a precificação de sua oferta primária de ações. Na ponta oposta, a Yduqs (YDUQ3) teve o melhor desempenho do índice, com alta de 3,05%, seguida por Telefônica Brasil (VIVT3), que avançou 2,22%, e TIM (TIMS3), com ganho de 1,04%.
Já o dólar à vista fechou praticamente estável frente ao real, cotado a R$ 5,081, com leve queda de 0,06%. A moeda chegou a cair para R$ 5,05 ao longo da sessão, mas reduziu as perdas no fim do pregão, acompanhando o recuo do petróleo. Como o Brasil é exportador líquido da commodity, a queda do barril tende a piorar os termos de troca da balança comercial e pressionar a moeda brasileira.
No cenário doméstico, os investidores seguiram monitorando os efeitos da nova tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor nesta sexta-feira. A medida substitui a alíquota de 10% implementada em fevereiro e integra um pacote mais amplo que atinge 60 economias sob a justificativa de que suas exportações se beneficiariam de trabalho forçado.
A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, afirmou que o mercado continuou refletindo o movimento de aversão ao risco observado no exterior no pregão anterior, em um ambiente ainda marcado por incertezas geopolíticas.
No exterior, os investidores também repercutiram a decisão do banco central da Rússia de reduzir sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, conforme esperado. Apesar do corte, a autoridade monetária indicou que pretende manter uma postura dependente da evolução da inflação, sinalizando juros elevados no curto prazo.
Petróleo devolve US$ 100 com esperança de diálogo
Os contratos futuros de petróleo recuaram nesta sexta-feira e o barril do Brent voltou a operar abaixo da faixa de US$ 100, em meio às expectativas de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. O Paquistão busca abrir um novo canal de diálogo entre Washington e Teerã, enquanto o presidente Donald Trump afirmou ter recebido garantias da China e da Rússia de que Vladimir Putin e Xi Jinping não fornecerão armas ao governo iraniano.
Com isso, o petróleo Brent para setembro caiu 3,88%, encerrando o dia cotado a US$ 96,78 por barril, na ICE. Já o WTI para o mesmo mês recuou 3,12%, para US$ 89,31, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Bolsas de NY fecham sem direção única
Em Wall Street, a correção do petróleo e o alívio parcial das tensões geopolíticas não foram suficientes para impulsionar as ações de tecnologia. O mercado continuou concentrado nas preocupações com os elevados investimentos em inteligência artificial anunciados pelas gigantes do setor e nos questionamentos sobre o retorno desses aportes.
O Nasdaq encerrou o pregão em queda de 0,64%, aos 24.975,82 pontos. O S&P 500 fechou praticamente estável, com alta de 0,05%, aos 7.411,99 pontos, enquanto o Dow Jones avançou 0,46%, para 51.947,25 pontos, apoiado pelas notícias sobre os esforços diplomáticos para reduzir as tensões entre Estados Unidos e Irã.
