Ibovespa fecha estável e interrompe rali de 11 altas; dólar cai pela 4ª sessão
O movimento de realização ocorre após uma forte valorização da Bolsa nas últimas sessões, impulsionada, entre outros fatores, pelo chamado “trade eleitoral”

Depois de 11 pregões consecutivos de alta, o Ibovespa interrompeu a sequência de ganhos nesta quinta-feira, 3, em uma sessão marcada por forte volatilidade e realização de lucros. O principal índice da B3 chegou a subir quase 2% pela manhã, aos 188.891,50 pontos, mas perdeu força ao longo do dia e encerrou praticamente estável.
O Ibovespa fechou em queda de 0,01%, aos 185.188,13 pontos, após oscilar entre a máxima de 188.891,50 e a mínima de 184.718,36 pontos. O volume financeiro somou R$ 26,2 bilhões.A sessão interrompeu tecnicamente uma sequência de 11 pregões consecutivos de ganhos, período em que o índice acumulou valorização de pouco mais de 11%. Antes disso, curiosamente, o Ibovespa havia registrado 11 sessões seguidas de perdas.
Omovimento de realização ocorre após uma forte valorização da Bolsa nas últimas sessões, impulsionada, entre outros fatores, pelo chamado “trade eleitoral”. Na véspera, o Ibovespa avançou 3,05%, aos 185.205,09 pontos, na maior alta diária desde 23 de março de 2026, quando subiu 3,24%, segundo levantamento da Elos Ayta.
Para Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, a realização de lucros era esperada depois da sequência atípica de altas e do forte volume negociado.
“Depois de 11 sessões de alta, temos realização de lucros como o principal fator. Depois de superar as máximas de agosto, julho e junho e com volume financeiro altíssimo, faz sentido embolsar parte dos resultados”, afirma.
Segundo Xavier, uma breve correção pode abrir espaço para uma retomada da alta caso as teses que sustentaram o movimento continuem se confirmando. Para setembro, porém, a expectativa é de maior volatilidade, especialmente em resposta às pesquisas eleitorais.
“O movimento de meio de agosto em diante é explicado por mudanças na alocação diante do cenário de corrida eleitoral”, diz Xavier. Segundo o sócio da AW Capital, quanto maior a percepção de vitória de um candidato considerado pró-mercado, maior tende a ser a alocação em renda variável brasileira, diante das expectativas de queda de juros e melhora do cenário fiscal.
Vale e Petrobras pressionam o índice
Entre as principais ações do Ibovespa, a Vale (VALE3) recuou 2,91%, em um movimento contrário à valorização de 1,32% do minério de ferro. A Petrobras também fechou em queda, com Petrobras (PETR3) recuando 1,79% e Petrobras (PETR4) caindo 1,33%.
A Vale foi a segunda maior baixa do índice nesta quinta-feira, após a ação acumular valorização de cerca de 13% desde meados de agosto até o topo de setembro. “Na queda, destacamos Vale, que subiu 13% do meio de agosto até o topo de setembro e agora está caindo”, afirma Xavier. Segundo o especialista em renda variável, os dados de fluxo também mostram realização relevante por parte dos investidores estrangeiros.
Os bancos, por outro lado, mantiveram o viés positivo e ajudaram a limitar a queda do índice. O BTG Pactual (BPAC11) subiu 1,96%, assim como o Santander Brasil (SANB11), que avançou 1,74%, o Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 1,23%, o Banco do Brasil (BBAS3) teve alta de 0,85% e o Bradesco (BBDC4) subiu 0,23%.
Entre as maiores altas, Hapvida (HAPV3) avançou 6,70%, enquanto CSN (CSNA3) subiu 6,69% após o anúncio de mudança na presidência. CSN Mineração (CMIN3) ganhou 4,06%.
A CSN chegou a subir cerca de 18% durante a manhã, mas reduziu os ganhos ao longo do pregão. Para Xavier, o mercado pode ter exagerado inicialmente na reação à troca de comando. “Resolver o problema do endividamento da CSN destravaria muito valor”, afirma.
Na ponta negativa, Prio (PRIO3) caiu 4,52%, após a divulgação de sua prévia operacional de agosto. Cury (CURY3) recuou 2,55%.
Mercado aguarda nova pesquisa eleitoral
Após a forte valorização das últimas sessões, investidores aguardam a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial no fim desta quinta-feira.
O chamado “trade eleitoral” ganhou força nos últimos dias diante de pesquisas que apontaram uma disputa mais acirrada para a eleição presidencial de 2027. A percepção de que um cenário político considerado mais favorável aos ativos brasileiros poderia se consolidar ajudou a sustentar a alta da Bolsa e a valorização do real.
Para Xavier, além das intenções de voto, a rejeição dos candidatos será um indicador importante para o mercado acompanhar. Segundo ele, a pesquisa Datafolha poderá ajudar a medir as probabilidades de reeleição do atual governo e confirmar tendências já observadas em outros levantamentos.
“O mercado sempre busca comprar o fundo ou vender no topo”, afirma. Segundo ele, caso aumentem as probabilidades de mudança no comando do país, setores mais sensíveis à queda dos juros podem continuar se beneficiando.
No cenário de reeleição, por outro lado, a tendência seria de maior preferência por ativos considerados mais previsíveis, como bancos e empresas de serviços básicos, segundo o especialista.
Dólar recua pela quarta sessão
O dólar à vista recuou pela quarta sessão consecutiva diante do real, mas perdeu força ao longo do dia, acompanhando a realização de ganhos recentes no mercado doméstico. A moeda americana fechou em queda de 0,07%, a R$ 5,105, após oscilar entre R$ 5,071 e R$ 5,105. No exterior, porém, o dólar recuou com mais força.
O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de moedas, caiu 0,65%, aos 98,91 pontos.
A queda global do dólar ocorreu após declarações de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve (Fed), reduzirem as apostas de uma alta dos juros americanos ainda neste mês.
Petróleo oscila pouco e fecha sem direção única após sequência de fortes ganhos
Em uma sessão volátil, os contratos futuros de petróleo fecharam sem direção única e praticamente estáveis nesta quinta-feira, após subirem aproximadamente 7% no acumulado da semana. O contrato do Brent para novembro caiu 0,12%, a US$ 95,52 por barril, enquanto o WTI para outubro avançou 0,32%, a US$ 91,30 por barril.
O mercado acompanha as tensões envolvendo o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o comércio da commodity.
Nesta quinta-feira, o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que os Estados Unidos não vão conversar com o Irã enquanto o país continuar atacando navios na região. Segundo ele, cerca de 15 milhões de barris passaram pelo estreito na quarta-feira.
O mercado também monitora o fluxo de outros produtores, como o Iraque, cujas exportações de petróleo somaram 73 milhões de barris em agosto, o maior volume desde a guerra com o Irã.
Bolsas sobem em NY após Waller reduzir apostas em alta de juros do Fed
As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta quinta-feira, com investidores reduzindo as apostas de uma alta de juros pelo Federal Reserve neste mês após declarações de Christopher Waller.As apostas de aumento dos juros na próxima reunião do Fed caíram de 63,2% na quarta-feira para 50,4% nesta quinta, segundo o FedWatch, do CME Group.
Waller afirmou que, caso haja progresso contínuo da inflação em direção à meta de 2%, estaria disposto a apoiar a manutenção dos juros no nível atual. Ao mesmo tempo, disse que consideraria uma alta caso a inflação viesse acima do esperado.
O Dow Jones subiu 1,18%, enquanto o S&P 500 avançou 1,06% e o Nasdaq ganhou 1,40%.