Ibovespa fecha estável mesmo com forte alta de Vale e Petrobras
O dólar voltou a ganhar força nesta quinta-feira, 20, em meio à piora do ambiente externo e à saída de recursos estrangeiros da Bolsa brasileira

Depois de romper a sequência de 11 sessões consecutivas de queda, o Ibovespa fechou novamente em alta nesta quinta-feira, 20. No entanto, o avanço foi modesto, apenas 0,06% levando o principal índice acionário da B3 para a casa dos 167.927 pontos. Isso mesmo com Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) registrando alta acima de 2% — a última, impulsionada pelos preços do petróleo, que disparam devido ao conflito no Oriente Médio.
“As tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã aumentaram novamente depois de o presidente Donald Trump anunciar uma guerra econômica ao país. Esse movimento pressionou o petróleo Brent que buscou os US$ 94 dólares novamente hoje, maior nível em um mês”, explica Lucas Xavier, chefe da mesa de renda variável e sócio da AW Capital.
Com isso, as taxas de juros americanas de 10 e 30 anos voltaram a subir, após a queda de ontem, com o mercado voltando a precificar tensões inflacionárias, o que pode, na visão do especialista, implicar em um aumento das taxas de juros do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) nas próximas reuniões.
O que impediu um ganho mais consistente, nesse caso, foram (ainda) os bancões. Estes seguem pressionados por conta da crise do Grupo Casas Bahia (BHIA3). O Bradesco (BBDC4), que tem uma exposição à dívida da companhia em quase R$ 5 bilhões, cai hoje mais de 1,5%. Itaú (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11) acompanham o movimento de queda.
De toda forma, há um sentimento de cautela com a Bolsa brasileira, que levou a uma fuga de capital estrangeiro muito forte em agosto. Dados da B3 mostram que investidores estrangeiros retiraram R$ 1,7 bilhão do mercado acionário brasileiro na terça-feira, 18. Com isso, o saldo negativo de agosto chegou a R$ 20,4 bilhões.
“Nosso cenário interno não é motivador por conta das eleições e o elevado risco fiscal. Especificamente no dia de hoje, vemos que o investidor estrangeiro está avesso ao risco até em seu próprio mercado, buscando alocações mais seguras e, por consequência, dando sequência na pressão vendedora que vemos aqui internamente”, pontua Xavier.
Dólar e bolsas de NY
O dólar voltou a ganhar força nesta quinta-feira, em meio à piora do ambiente externo e à saída de recursos estrangeiros da Bolsa brasileira. O movimento ocorre em um momento de maior cautela dos investidores com o cenário eleitoral e aumenta a volatilidade dos ativos locais no curto prazo. A saída de capital ajuda a pressionar o real justamente em uma sessão na qual a moeda americana também avançou no exterior.
No fechamento, o dólar à vista subiu 0,32%, para R$ 5,193, depois de oscilar entre R$ 5,177 e R$ 5,201. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas, tinha alta de 0,05%, aos 98,883 pontos.
Em Nova York, o dia também terminou negativo. As bolsas americanas perderam força após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmar que o governo pode ampliar as recompras de títulos públicos. A possibilidade de novas intervenções aumentou a preocupação dos investidores com o mercado de Treasuries, cujas taxas avançaram ao longo do pregão.
O rendimento da Treasury de 10 anos passou de 4,650% para 4,702%, enquanto a taxa do título de 30 anos subiu de 5,195% para 5,249%. Bessent também afirmou que pretende detalhar na próxima segunda-feira, 24, novas sanções econômicas contra o Irã. Com o movimento, o Dow Jones caiu 1,32%, para 52.759 pontos. O S&P 500 recuou 0,87%, aos 7.641 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 1%, para 26.067 pontos.
