Ibovespa fecha no zero a zero com perdas de Vale e Petrobras, enquanto NY sobe forte
Já o dólar fechou em alta de 0,34% frente ao real, cotado a R$ 5,087. A moeda brasileira foi pressionada pela forte queda do petróleo

O Ibovespa zerou as perdas na reta final do pregão desta segunda-feira, 3, e fechou estável, aos 178.000,24 pontos. O principal índice da B3 oscilou entre a mínima de 176.783,14 e a máxima de 178.556,60 ao longo da sessão, mas encerrou o dia no zero a zero, sem variação.
O movimento ocorreu em meio à forte queda das commodities, à expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana e ao alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio. O volume financeiro somou R$ 15,9 bilhões.
A queda do petróleo no mercado internacional pressionou as empresas do setor de energia. A Petrobras (PETR3) recuou 0,86% e a Petrobras (PETR4) caiu 0,85%. Também fecharam em baixa Prio (PRIO3), com recuo de 3,86%, Brava Energia (BRAV3), que caiu 2,88%, e PetroReconcavo (RECV3), com queda de 3,19%.
Outro peso-pesado do índice, a Vale (VALE3) recuou 2,15%, acompanhando a queda de 2,85% do minério de ferro no mercado internacional.
Na contramão, os bancos ajudaram a limitar as perdas do Ibovespa. Santander (SANB11) avançou 1,08%, Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,70%, Bradesco (BBDC4) ganhou 0,65% e BTG Pactual (BPAC11) avançou 0,56%. O Banco do Brasil (BBAS3) foi exceção e recuou 0,37%.
Entre as maiores altas do dia, Hapvida (HAPV3) avançou 5,59%, seguida por Cury (CURY3), com alta de 4,52%, e C&A (CEAB3), que subiu 3,60%. Do lado das perdas, CSN (CSNA3) liderou as baixas ao recuar 6,82%, seguida por Prio (PRIO3), com queda de 3,86%, e PetroReconcavo (RECV3), que caiu 3,19%.
No cenário doméstico, o Boletim Focus trouxe a quinta redução consecutiva na expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026. A projeção passou de 5,12% para 5,03%. As estimativas para 2027, 2028 e 2029 permaneceram estáveis em 4,22%, 3,80% e 3,50%, respectivamente.
O mercado também reduziu a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao fim de 2026, de 14% para 13,75%. As projeções para 2027, 2028 e 2029 ficaram mantidas em 12%, 10,50% e 10%. Já a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 permaneceu em 1,99%, enquanto a projeção para o dólar foi mantida em R$ 5,20.
Dólar fecha em alta
O dólar à vista fechou em alta de 0,34%, cotado a R$ 5,087. A moeda brasileira foi pressionada pela forte queda do petróleo e do minério de ferro, que afetou outras divisas de países exportadores de commodities. Os investidores também permaneceram atentos à decisão do Copom, que será divulgada na quarta-feira, 5, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.
A confiança do empresariado brasileiro, por outro lado, voltou a cair em julho após dois meses de recuperação. O Índice de Confiança Empresarial, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), recuou 1,4 ponto, para 91,3 pontos, pressionado principalmente pelos setores de indústria e serviços.
Os dados de atividade mostraram sinais mistos. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços do Brasil, calculado pela S&P Global, subiu de 50,4 para 51,3 em julho, mantendo a expansão pelo oitavo mês consecutivo. Apesar do avanço, o levantamento apontou a primeira queda no emprego do setor em cinco meses e o menor nível de otimismo em 11 meses.
Já o PMI industrial brasileiro caiu de 50,8 para 47,5 em julho, retornando ao campo de contração. O resultado representa o pior desempenho desde fevereiro e foi influenciado pela queda dos novos pedidos, levando empresas a reduzirem produção e vagas.
Petróleo cai com expectativa de retomada das negociações entre EUA e Irã
Os preços do petróleo encerraram o dia em forte queda após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que suspendeu uma ofensiva contra o Irã para permitir a retomada das negociações entre os dois países. O mercado também repercutiu a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte da commodity.
O contrato do Brent para outubro caiu 4,73%, a US$ 83,77 por barril na ICE, enquanto o WTI para o mesmo mês recuou 5,11%, a US$ 80,34 por barril na Nymex.Além do alívio geopolítico, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) aprovou neste fim de semana um aumento de cerca de 188 mil barris por dia na produção de setembro, concluindo a reversão de parte dos cortes voluntários adotados pelo grupo.
Para Rafael Pastorello, portfolio manager do Banco Sofisa, apesar da melhora pontual no ambiente geopolítico, impulsionada pela possibilidade de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, o desempenho do Ibovespa permaneceu limitado ao longo do pregão pela forte queda dos preços do petróleo, que pressionou as ações da Petrobras.
"Na nossa avaliação, o mercado segue adotando uma postura cautelosa em relação ao cenário externo. Embora eventuais avanços diplomáticos possam contribuir para a redução dos prêmios de risco no curto prazo, as premissas para um acordo mais duradouro ainda se mostram frágeis", afirmou Pastorello.
"Dessa forma, permanecem relevantes os riscos associados ao equilíbrio entre oferta e demanda global de petróleo, o que tende a manter um componente adicional de volatilidade para os ativos domésticos e para o próprio Ibovespa", complementou.
Bolsas dos EUA avançam com alívio geopolítico
As bolsas americanas encerraram o primeiro pregão de agosto em alta, impulsionadas pela expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. O movimento também favoreceu as bolsas europeias e reduziu a pressão sobre os rendimentos dos títulos do Tesouro americano.
O índice Dow Jones subiu 1,32%, para 53.178,41 pontos. O S&P500 ganhou 1,48%, para 7.600,50 pontos e o Nasdaq avançou 2,13%, para 25.913,90 pontos.Para Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil, o ambiente de maior apetite por risco beneficiou os mercados desenvolvidos, mas não foi suficiente para impulsionar a bolsa brasileira.
"No Brasil, o Ibovespa ficou na contramão dos mercados desenvolvidos, pressionado principalmente pelas ações da Vale e da Petrobras, que acompanharam a forte queda das commodities", afirmou.
Segundo Praça, o ambiente de inflação mais benigno contribuiu para a queda dos juros futuros após o Boletim Focus reduzir novamente as projeções para inflação e Selic. O analista destaca ainda que o mercado permanece atento à decisão do Copom nesta semana e ao início da temporada de balanços dos grandes bancos, com Itaú e Bradesco entre os principais destaques dos próximos dias.
