Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercados
26/10/2026
4 min

Ibovespa futuro desaba 15% e juros disparam após reeleição de Lula

Taxa do DI de janeiro de 2033 salta 1,93 ponto percentual, a 14,58% ao ano

Ibovespa futuro desaba 15% e juros disparam após reeleição de Lula

Ibovespa futuro perde 30.880 pontos e vai a 177.215 pontos nos primeiros negócios

Juros longos sobem quase 2 pontos percentuais; DI para 2033 chega a 14,58%

EWZ, ETF de ações brasileiras em Nova York, recua mais de 25% no pré-mercado

O Ibovespa futuro abriu a semana em forte queda após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta das 9h05 desta segunda-feira, 26, o contrato com vencimento em dezembro (INDZ26) era negociado a 177.215 pontos, uma perda de 30.880 pontos em relação ao fechamento de sexta-feira, 23, de 208.095 pontos.

O pregão começou com liquidez reduzida. Até aquele horário, o contrato somava 15 negócios e volume financeiro de R$ 350,89 milhões, sem ofertas de compra registradas no livro. O Ibovespa à vista abre às 10h.

Lula foi reeleito no domingo, 25, com 51,79% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Juros futuros disparam nos vencimentos longos

A reação foi ainda mais forte na curva de juros futuros, sobretudo nos contratos de prazo mais longo, que concentram a percepção de risco fiscal.

Contrato Taxa às 9h05 Fechamento de sexta Variação
DI janeiro/2027 (DI1F27) 14,01% 13,48% +0,53 ponto
DI janeiro/2028 (DI1F28) sem negócios (teórico de 14,30%) 12,82% n/d
DI janeiro/2031 (DI1F31) 14,46% 12,58% +1,88 ponto
DI janeiro/2033 (DI1F33) 14,58% 12,65% +1,93 ponto

O contrato para janeiro de 2028 ainda não tinha negócios no horário, mas o preço teórico de abertura apontava taxa de 14,30%, quase 1,5 ponto acima do fechamento de sexta.

Na sexta-feira, a curva estava invertida, com a taxa de 2027 acima das de 2031 e 2033. Nesta manhã, os vencimentos longos passaram a pagar mais que o curto, o que indica que o mercado voltou a cobrar prêmio maior para financiar o país no longo prazo.

EWZ desaba em Nova York

No exterior, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, recuava 25,29% no pré-mercado por volta das 8h54, cotado a US$ 31,82. Na sexta-feira, o fundo havia fechado a US$ 42,59, com alta de 1,77%.

Para Davi Khattar, gestor de portfólio da Atlas One Investimentos, o resultado das urnas contrariou um cenário que vinha sendo incorporado aos preços desde agosto. "O mercado vinha atribuindo alta probabilidade de alternância de poder e, com isso, os preços vieram melhorando desde meados de agosto. Com a não confirmação, o chão ficou muito longe e devemos ver uma forte correção hoje", afirma.

O gestor projeta depreciação do real de pelo menos 10% sem intervenção do Banco Central e queda de cerca de 15% para as ações. Empresas mais expostas à economia doméstica devem sofrer mais. "Veremos papéis domésticos caindo mais de 30%, porque os juros devem abrir bastante", diz Khattar.

Participantes do mercado não descartam um circuit breaker na abertura do Ibovespa à vista.

Perguntas frequentes

O que é o Ibovespa futuro e para que serve?

É um contrato negociado na B3 que reflete a expectativa do mercado para o Ibovespa em uma data futura, o vencimento. O contrato mais negociado hoje vence em 16 de dezembro. Investidores usam o índice futuro para se proteger de quedas da bolsa (hedge), para apostar na direção do mercado e como termômetro do humor dos investidores, já que ele começa a ser negociado às 9h, uma hora antes do Ibovespa à vista.

O que são os juros futuros DI?

São contratos que indicam qual taxa de juros o mercado espera para o país até determinada data. Eles têm como referência o CDI, que acompanha de perto a Selic. Quando as taxas dos DIs sobem, o mercado está sinalizando que espera juros mais altos ou que exige mais retorno para assumir o risco de emprestar ao país. Essas taxas servem de base para o preço dos títulos prefixados, do crédito e de financiamentos.

O que significa o prazo de cada contrato de DI?

Cada contrato tem um vencimento, e o conjunto deles forma a chamada curva de juros. Os de prazo curto, como o de janeiro de 2027, refletem principalmente a expectativa para as próximas decisões do Banco Central sobre a Selic. Os de prazo longo, como os de 2031 e 2033, carregam a percepção sobre as contas públicas, a inflação e o risco do país em vários anos. Por isso, eventos políticos e fiscais costumam mexer mais com os vencimentos longos, como aconteceu nesta segunda-feira.

Por que a alta dos juros afeta a bolsa?

Juros mais altos encarecem o crédito para empresas e consumidores e tornam a renda fixa mais atraente que as ações. Companhias que dependem da economia doméstica, como varejistas, construtoras e empresas endividadas, tendem a ser as mais afetadas.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
Distribuído por