Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercados
05/10/2026
5 min

Ibovespa futuro dispara 8% e aponta bolsa acima dos 200 mil pontos após 1º turno

Contrato com vencimento em outubro reage à vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno

Ibovespa futuro dispara 8% e aponta bolsa acima dos 200 mil pontos após 1º turno

  • • O Ibovespa futuro com vencimento em outubro subia 7,7%, aos 208.955 pontos, às 9h15
  • • Flávio Bolsonaro terminou o 1º turno com 47,13% dos votos válidos, contra 45,04% de Lula
  • • O contrato funciona como termômetro do Ibovespa à vista, que só abre às 10h
  • • Gestores esperam bolsa em alta, real mais forte e juros futuros em queda

O Ibovespa futuro começou a semana em disparada. Às 9h15 desta segunda-feira, 5, o contrato com vencimento em outubro subia 7,7%, aos 208.955 pontos, na primeira reação do mercado doméstico ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.

Com 99,47% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) tinha 47,13% dos votos válidos, contra 45,04% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois se enfrentam no segundo turno, em 25 de outubro. As pesquisas divulgadas na véspera indicavam empate técnico, com Lula numericamente à frente em alguns levantamentos.

O movimento acompanha o que já se via em Nova York. O EWZ, fundo de índice que reúne ações brasileiras, chegou a subir 10,29% no pregão overnight de domingo e deu continuidade à alta no pré-mercado desta segunda-feira.

O que é o Ibovespa futuro

O Ibovespa futuro é um contrato derivativo negociado na B3 em que comprador e vendedor assumem o compromisso de negociar o valor do principal índice da bolsa brasileira em uma data futura. Não há entrega de ações. A liquidação é financeira e feita diariamente, por meio do chamado ajuste, que credita ou debita a diferença entre o preço do dia e o do pregão anterior.

O contrato existe em duas versões. No contrato cheio (IND), cada ponto vale R$ 1. No minicontrato (WIN), mais popular entre pessoas físicas, cada ponto vale R$ 0,20. Os vencimentos ocorrem nos meses pares, na quarta-feira mais próxima do dia 15. O contrato de outubro, de código WINV26 na versão mini, é o mais próximo do vencimento e, por isso, o mais negociado neste momento.

Por que ele antecipa o humor da bolsa

O Ibovespa futuro começa a ser negociado às 9h, uma hora antes da abertura do mercado à vista, às 10h. Nesse intervalo, é o primeiro termômetro de como os investidores locais reagem a notícias da noite e da madrugada. Nesta segunda, o resultado das urnas.

A pontuação do futuro, porém, não é idêntica à do índice à vista. Como o contrato vence em uma data futura, seu preço embute o custo de carregamento até o vencimento, basicamente os juros do período, e costuma ficar acima do Ibovespa. Na sexta-feira, o índice à vista subiu 2,63% e fechou aos 192.114 pontos, maior patamar de fechamento desde abril.

Por isso, a variação percentual é a melhor referência. Se o Ibovespa à vista repetisse a alta de 7,7% do futuro a partir do fechamento de sexta, chegaria a cerca de 206,9 mil pontos.

Quanto a bolsa pode subir

Gestores e analistas ouvidos pela EXAME já esperavam forte valorização dos ativos brasileiros nesta segunda. Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office, projetava alta de 4% a 5% para a bolsa, ou até mais, com boa parte da reação concentrada no primeiro pregão após a eleição. Uma alta de 4,1% bastaria para levar o Ibovespa aos 200 mil pontos.

"Essa alta recente do Ibovespa foi o começo de uma precificação de uma chance maior do Flávio ganhar, mas ainda tem bastante chão para a bolsa subir", afirma Arantes.

Para Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, o resultado muda o favoritismo da disputa. Ele calcula que de 60% a 70% dos cerca de 7% de votos dados aos candidatos da terceira via devem migrar para Flávio. "No meu ver, a probabilidade de o Flávio levar o segundo turno é acima de 75%, talvez 80%", diz.

No curto prazo, Menezes daria mais foco às estatais, negociadas com desconto ligado ao risco político de um governo com viés expansionista. Num segundo momento, vê espaço para as construtoras, que podem voltar a vender mais imóveis financiados caso os juros caiam.

Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, enxerga ganhos além do curto prazo. Ele cita ações ainda negociadas abaixo do que considera preço justo, como a Vale, cujos ADRs subiram mais de 7% após o resultado. Se Flávio mantiver o discurso de controle das contas públicas, privatizações e redução da carga tributária, Mota projeta a bolsa em níveis inéditos. "A gente vai ter aí muito provavelmente bolsa buscando novos patamares históricos, patamares que a gente nunca viu", afirma.

Dólar e juros

No câmbio, Menezes projetava valorização do real entre 3,5% e 4% já nesta segunda. Nos primeiros negócios do dia, a moeda recuava 4,6%, a R$ 4,97.

Os analistas ouvidos pela Exame esperam queda nos juros futuros, sobretudo nos vencimentos mais longos. Segundo Arantes, a questão fiscal é o principal problema do Brasil na visão dos investidores e sustenta um prêmio elevado tanto na bolsa quanto na curva de juros. A aposta é que um governo de direita consiga aprovar reformas que abram espaço para o Banco Central cortar a Selic.

Congresso no radar

Parte do otimismo vem da composição do novo Congresso. Arantes e Menezes avaliam que a direita sai das urnas com bancadas mais fortes no Senado e na Câmara, o que facilitaria a aprovação de reformas impopulares por um eventual governo Flávio.

Sobre a falta de detalhes no plano de governo do candidato, Menezes afirma que o mercado deve olhar mais para a equipe econômica. "Quem são as pessoas que vão estar em volta dos ministérios? Eu acho que o mercado acredita", diz.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
Distribuído por