Ibovespa futuro sobe e EWZ cai em Nova York no último pregão antes do 2º turno
Pesquisas com empate técnico mantêm investidor dividido a dois dias da votação

- Ibovespa futuro sobe 0,76%, aos 207.655 pontos, no início do último pregão antes do 2º turno
- EWZ recua 0,57% no pré-mercado em Nova York, depois de cair 1,55% na quinta-feira
- Dólar comercial opera estável, com leve alta de 0,14%, a R$ 5,045
- Pesquisas seguem divididas, com Flávio Bolsonaro à frente em Alfa e Real Time, empate no Datafolha e Lula numericamente na liderança no Vox Brasil
O mercado brasileiro chega ao último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial com sinais trocados entre São Paulo e Nova York. Por volta das 9h17 desta sexta-feira, 23, o contrato de Ibovespa futuro com vencimento em dezembro (INDZ26) subia 0,76%, aos 207.655 pontos. No mesmo período, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, recuava 0,57% no pré-mercado, cotado a US$ 41,60.
O índice futuro abriu a 207.200 pontos, ante o fechamento anterior de 206.090 pontos, e oscilou entre a mínima de 206.775 pontos e a máxima de 208.000 pontos nos primeiros minutos de negociação. O contrato carrega um prêmio em relação ao Ibovespa à vista, que encerrou a quinta-feira aos 204.120 pontos, porque embute a taxa de juros até o vencimento.
No câmbio, o dólar comercial operava praticamente estável, com alta de 0,14%, a R$ 5,045 na venda às 9h14. Nos primeiros minutos do dia, a moeda americana variou entre R$ 5,043 e R$ 5,056.
EWZ ainda carrega a queda de quinta-feira
A leitura do EWZ reflete a sessão anterior em Nova York. O ETF fechou a quinta-feira em US$ 41,85, com queda de 1,55%, acompanhando o movimento da Bolsa brasileira, que recuou mais de 1% em um dia de cautela eleitoral e de perdas nas bolsas americanas, com o Nasdaq caindo mais de 2%. A cotação de pré-mercado do fundo foi registrada às 8h02 de Nova York (9h02 de Brasília), logo na abertura do mercado futuro por aqui.
A pressão da reta final interrompeu parte do chamado "rali eleitoral". Até o pregão de quinta, o Ibovespa acumulava alta de 9,54% em outubro e de 26,68% no ano. O ponto alto veio na segunda-feira, 5, primeiro pregão após o primeiro turno, quando o índice teve sua maior alta diária desde março de 2020, e o dólar caiu mais de 4%.
Desde então, a Bolsa alternou altas e baixas conforme as pesquisas mostraram uma disputa mais apertada. O Ibovespa subiu 1,57% na terça-feira, 20, caiu 0,86% na quarta e voltou a recuar com força na quinta.
As pesquisas que o mercado digere nesta sexta
O pregão desta sexta é o primeiro a incorporar o Datafolha, divulgado na noite de quinta, depois do fechamento, e outras três pesquisas publicadas na manhã de hoje. O quadro é de empate técnico em todas elas, com sinais diferentes sobre quem está numericamente à frente.
Pelo Datafolha, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecem com 50% dos votos válidos cada, no primeiro empate numérico desde o primeiro turno. Na rodada anterior, de 15 de outubro, Flávio tinha 51% e Lula, 49%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Já a pesquisa Alfa Inteligência mostra Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos. A diferença aumentou dentro da margem de erro, de 1,9 ponto percentual, em relação ao levantamento de terça-feira, quando o placar era de 51,5% a 48,5%.
A Real Time Big Data repete o placar de 52% a 48% para o senador, sem mudança em relação à rodada de segunda-feira, 19, e aponta que 95% dos eleitores afirmam já ter o voto definido.
Na direção oposta, a pesquisa Vox Brasil traz Lula com 50,6% e Flávio com 49,4% dos votos válidos. A vantagem numérica do petista diminuiu em relação à rodada anterior, quando o placar era de 51% a 49%. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais.
O que os analistas esperam para depois da votação
Para Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, os preços dos ativos brasileiros ainda apostam em mudança de governo. "Se eu tivesse que te responder hoje, nesse exato momento, a Bolsa está projetando uma alternância de poder para 2027", afirmou à EXAME. Em caso de vitória de Lula, ele vê como natural uma abertura com Bolsa em queda e dólar em alta na segunda-feira.
Paula Sauer, economista e professora da ESPM, avalia que o mercado já incorporou parte das expectativas eleitorais, mas que não é possível medir com precisão quanto. Se o resultado confirmar o cenário esperado por parte dos investidores, a reação pode ser limitada ou até vir acompanhada de realização de lucros. Uma surpresa tende a provocar movimentos mais intensos, nos dois sentidos.
Os grandes bancos elevaram suas projeções para a Bolsa depois do primeiro turno. O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) vê o Ibovespa perto de 247 mil pontos em um cenário mais benigno, e o Morgan Stanley trabalha com a possibilidade de o índice se aproximar dos 250 mil pontos em um cenário otimista. As projeções dependem de sinais concretos de disciplina fiscal e de queda dos juros.
Antes da votação de domingo, 25, os candidatos ainda se enfrentam no debate da TV Globo, nesta sexta-feira, depois do fechamento do mercado. A EXAME fará apuração ao vivo do resultado do 2º turno.
