Ibovespa hoje: eleições, petróleo e juros no exterior mexem com o mercado
Bolsa brasileira começou o dia em queda, enquanto o dólar avançava

O Ibovespa começou a sessão em queda nesta sexta-feira, 18, com o noticiário político e o mercado internacional influenciando o desempenho das ações. O dia começou com alta de juros no Japão, que se somou à Inglaterra, Estados Unidos e União Europeia em retomadas de ciclo de aperto monetário. Por aqui, a queda da Selic na última quarta-feira foi acompanhada por um comunicado visto como mais dovish do Copom, interpretado como porta aberta para novas quedas de juros. Por outro lado, o reajuste no Bolsa Família mostrou que o Fiscal continua sendo um detrator do mercado a pouco mais de duas semanas das eleições presenciais — e com pesquisas de intenção de voto cada vez mais acirradas. Por volta das 11h28 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 recuava 0,69%, aos 184.713 pontos.
Entre os pesos-pesados do Ibovespa, Vale (VALE3) recuava mais de 1%, enquanto as ações da Petrobras tinham uma leve baixa, mesmo com o petróleo ensaiando recuperação no mercado internacional.
O dólar comercial, por sua vez, avança 0,21%, cotado a R$ 5,1492.
Produção industrial dos EUA entra no radar
Nos EUA, ficou estável em agosto, após crescer 0,2% no mês anterior.
O indicador ganha importância depois de o Fed elevar os juros em 0,25 ponto percentual nesta semana, na primeira alta desde 2023. Investidores também acompanham novas declarações de dirigentes da autoridade monetária em busca de pistas sobre os próximos passos dos juros americanos.
Em Wall Street, os índices operam sem direção única, com o Dow Jones recuando 0,36%, ao passo que o S&P 500 caía 0,2%. O Nasdaq recuava 0,15%.
Petróleo ensaia recuperação
Em relação aos preços do petróleo, o West Texas Intermediate (WTI, referência de preços americana) subia 1,4%, a US$ 103,35 por barril, enquanto o parâmetro global Brent tinha uma ligeira alta de 0,05%, a US$ 104,87.
O mercado acompanha os esforços da Arábia Saudita para manter suas exportações diante dos problemas nas rotas da região. O país disponibilizou cargas adicionais para refinarias asiáticas por meio de transferências entre navios nas proximidades de Omã, ajudando a reduzir parte das preocupações com a oferta.
Bolsas da Europa caem após dois dias de alta
As principais bolsas europeias operam em queda, interrompendo uma sequência de dois pregões de ganhos. O Stoxx 600 recuava 1%, enquanto o DAX, de Frankfurt, perde 1,4%. O FTSE 100, de Londres, cai 1,2%, o CAC 40, de Paris, recua 1,4%, e o FTSE MIB, de Milão, registra baixa de 1,44%.
Na agenda econômica, o índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) da Alemanha avançou 4,6% em agosto na comparação anual, acima da projeção de analistas consultados pela FactSet.
No Reino Unido, as vendas no varejo surpreenderam positivamente ao crescer 0,5% em agosto frente a julho. O consenso apontava para uma queda de 0,5% no período.
Bolsas da Ásia fecham majoritariamente em alta
O Banco do Japão (BoJ) elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 1,25% ao ano, enquanto investidores ainda avaliam os efeitos da primeira alta de juros promovida pelo Federal Reserve (Fed) desde 2023.
Estrategista global da Avenue, Fernando Saad Benati vê que a taxa de juros do Japão alcançou o maior patamar desde 1995, mas a comunicação do banco central do país frustrou parte das expectativas por uma postura mais dura.
"Além disso, a decisão não foi unânime. Dois integrantes preferiam manter a taxa de juros em 1%. Com isso, a possibilidade de um novo aumento nas próximas reuniões se torna um pouco mais complexa", explicou.
Os mercados asiáticos encerraram a semana majoritariamente no campo positivo, com investidores repercutindo principalmente a decisão de juros do Banco do Japão.
O Nikkei 225, do Japão, avançou 1,38%, aos 65.018 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,60%, enquanto o índice de Xangai subiu 0,94%. Na Índia, o Nifty 50 avançava 0,33%.
Na contramão, o S&P/ASX 200, da Austrália, terminou praticamente estável, com leve queda de 0,01%.
