Ibovespa hoje: mercado repercute corte na Selic e pesquisas eleitorais acirradas
O principal índice acionário da B3 recua após super quarta, pressionado por Petrobras e bancos, enquanto o dólar sobe no pregão desta quinta-feira, 17

O Ibovespa recua nesta quinta-feira, 17, na primeira sessão após as decisões de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed). Por volta das 11h10 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 recuava 0,49%, aos 184.638,63 pontos. O movimento contrasta com o avanço das bolsas dos Estados Unidos e da Europa.
O dólar comercial, por sua vez, sobe 0,18%, cotado a R$ 5,161.
Entre os pesos-pesados do índice, Petrobras recua acompanhando a queda do petróleo no exterior. As ações preferenciais da estatal (PETR4) caem 1,27%, enquanto as ordinárias (PETR3) perdem 0,97%. Já a Vale (VALE3) destoa e registra leve alta de 1,34%, impedindo uma queda maior do Ibovespa.
Os grandes bancos também pressionam, o Itaú Unibanco (ITUB4) recua 1,34%, Banco do Brasil (BBAS3) cai 1,72% e Bradesco perde 1,92% (BBDC4) e 2,05% (BBDC3). Na contramão, Santander Brasil (SANB11) avança 1,07%.
Já CSN Mineração (CMIN3) lidera as perdas, com baixa de 6,25%, seguida por CSN (CSNA3), que despenca 6,04%. C&A Brasil (CEAB3) recua 5,53%, Tenda (TEND3) cai 5,39% e Cury (CURY3) perde 4,79%. Entre as poucas altas, Embraer (EMBJ3) avança 0,45% e Suzano (SUZB3) ganha 0,30%.
Copom corta Selic e Fed eleva juros: o que muda para o Ibovespa
Depois da Super Quarta, investidores passam a avaliar não apenas as decisões tomadas pelos bancos centrais, mas principalmente as sinalizações sobre os próximos passos da política monetária. O Fed elevou os juros pela primeira vez desde 2023, enquanto o Copom deu continuidade ao ciclo de flexibilização monetária no Brasil.
A estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, avalia que o pregão reflete forças distintas no ambiente doméstico e internacional. "O desempenho do índice nesta manhã reflete um verdadeiro cabo de guerra entre os fatores externos e o cenário doméstico", afirma.
Apesar do ambiente externo relativamente mais favorável para ativos de risco, a cautela permanece diante dos efeitos dos juros americanos sobre os fluxos internacionais de capital, explica a especialista.
Na avaliação da corretora de investimentos Monte Bravo, o Copom reconheceu a moderação da atividade e a desaceleração da inflação, mas preservou uma postura cautelosa. A continuidade da desaceleração da atividade e uma dinâmica mais favorável dos preços podem abrir espaço para outro corte de 0,25 ponto percentual.
Outros analistas repercutiram se é hora ou não de voltar a investir em ações diante da queda dos juros.
No radar dos investidores também está a repercurssão do anúncio de reajuste do Bolsa Família de 15,04% nos valores pagos aos beneficiários do programa social às vésperas da eleição. O valor mínimo do programa social, hoje de R$ 600 vai passar a R$ 691. O aumento ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter admitido nesta semana que o custo de vida aumentou no país.
Bolsas de NY sobem após Fed elevar juros pela 1ª vez desde 2023
As bolsas americanas avançam nesta quinta-feira, recuperando parte das perdas da sessão anterior. O movimento é sustentado pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo e pela valorização das grandes empresas de tecnologia.
O Dow Jones sobe cerca de 0,8%, enquanto o S&P 500 avança 1,2% e o Nasdaq ganha 1,5%. Entre as gigantes de tecnologia, Nvidia e Amazon avançam cerca de 2%, enquanto Microsoft sobe 1%. Applied Materials, Qualcomm e Intel também registram ganhos.
Os rendimentos dos títulos públicos americanos cedem após a forte reação à decisão do Fed na véspera. A taxa da Treasury de dez anos voltou a ficar abaixo de 5%, recuando mais de 5 pontos-base, para cerca de 4,95%.
Já os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 10 mil na semana encerrada em 12 de setembro no país, para 196 mil, considerando dados com ajuste sazonal.
Petróleo cai mais de 2% e pressiona ações de petroleiras
Os preços do petróleo recuam na quinta-feira, contribuindo para a pressão sobre as ações da Petrobras e de outras petroleiras. O West Texas Intermediate (WTI, referência de preços nos EUA) cai 1,71%, a US$ 100,68 por barril, enquanto o Brent, parâmetro global, recua 2,75%, a US$ 102,92.
O mercado reage aos esforços da Arábia Saudita para ampliar as exportações apesar das dificuldades logísticas na região.
O país disponibilizou cargas adicionais para refinarias asiáticas por meio de transferências entre navios próximas a Omã, enquanto autoridades americanas indicaram que a interrupção do oleoduto Leste-Oeste saudita deve ser temporária.
Bolsas da Europa sobem após decisões de juros dos BCs
As principais bolsas europeias operam no campo positivo hoje. O Stoxx 600 avança 0,87%, enquanto o DAX, de Frankfurt, sobe 0,89%. O FTSE 100, de Londres, ganha 0,87%, o CAC 40, de Paris, registra alta de 0,66%, e o FTSE MIB, de Milão, avança 0,88%.
A inflação anual da zona do euro acelerou de 2,9% em julho para 3,2% em agosto, segundo a leitura da Eurostat. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra (BoE) manteve a taxa básica de juros em 3,75% ao ano, em linha com as expectativas do mercado.
Investidores europeus acompanham, ainda, a reação dos mercados globais à decisão do Fed e a queda dos rendimentos dos títulos americanos.
Bolsas da Ásia fecham sem direção única após decisão do Fed
Os mercados asiáticos encerraram a sessão da quinta-feira sem uma direção única. No Japão, o Nikkei 225 avançou 0,33%, aos 64.136 pontos, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, terminou praticamente estável.
Na China continental, o CSI 300 recuou 0,45%, aos 4.460 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng caía 0,62% na reta final das negociações. Na contramão, o S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,41%, aos 8.732 pontos.
