Ibovespa hoje: Petrobras cai e ações de varejo sobem em plena Super Quarta
Dólar opera estável em dia de decisão de juros nos Estados Unidos e no Brasil

O Ibovespa opera em queda nesta Super-Quarta, 16, em uma sessão marcada pela expectativa pelas decisões de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil, e do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos. Por volta das 10h57 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 recuava 0,76%, aos 185.085 pontos.
O dólar comercial, por sua vez, operava praticamente estável, com leve alta de 0,08%, cotado a R$ 5,1573.
Entre as ações de maior peso, Petrobras pressiona o Ibovespa para baixo acompanhando a queda do petróleo no exterior. Apesar da baixa, tanto o WTI quanto o Brent operam acima dos US$ 100. As ações ordinárias da estatal (PETR3) recuam 2,15%, enquanto as preferenciais (PETR4) perdem 1,88%. Vale (VALE3) opera perto da estabilidade, mas retrai 0,20%.
Os grandes bancos também contribuem para o desempenho negativo do índice. Itaú Unibanco (ITUB4) cai 1,15%, Banco do Brasil (BBAS3) perde 1,77% e Bradesco recua 1,04% (BBDC4) e 0,99% (BBDC3), já Santander Brasil (SANB11) registra baixa de 0,33%.
Entre as maiores altas do Ibovespa, estão ações de empresas sensíveis a taxas de juros: Assaí (ASAI3) lidera os ganhos, com avanço de 2,49%, seguido por Totvs (TOTS3), que sobe 2,10%, e CPFL Energia (CPFE3), com valorização de 1,05%. CSN (CSNA3) avança 0,81% e Magazine Luiza (MGLU3) ganha 0,72%.
Na ponta negativa, Prio (PRIO3) e CSN Mineração (CMIN3) recuam 3,06%, as maiores quedas no horário, seguidas por Copasa (CSMG3), com baixa de 2,55%, e a própria Petrobras.
Super Quarta concentra atenções dos investidores
A agenda é dominada pelas decisões de política monetária no Brasil e nos EUA. O analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, vê que o mercado antecipa movimentos em direções opostas nos dois países. "O mercado antecipa alta de 0,25 ponto percentual nos Estados Unidos e corte da mesma magnitude no Brasil."
Lima vê que essa combinação reduziria o diferencial nominal de juros em 0,50 ponto percentual, de aproximadamente 10,38 para 9,88 pontos. Ainda assim, ele avalia que o retorno brasileiro permaneceria elevado, ajudando a dar sustentação ao real.
Hoje a taxa básica de juros brasileira, Selic, está em 14% ao ano, mas a expectativa é que ela vá para 13,75% após a reunião do Copom.
Para a Bolsa, porém, os efeitos podem seguir direções distintas. "A Selic menor favorece empresas domésticas, enquanto os juros americanos mais altos aumentam a concorrência dos Treasuries pelo capital internacional", explicou.
Mais do que as decisões desta quarta, o mercado mira as indicações sobre o ritmo dos juros nos próximos meses.
No cenário doméstico, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) avançou 1,47% em setembro, depois de cair 0,51% em agosto, influenciado pelo aumento das incertezas climáticas relacionadas ao El Niño, conforme a Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
Varejo dos EUA cresce acima do esperado
Nos Estados Unidos, novos dados de atividade entram no radar antes da decisão do Fed. As vendas no varejo somaram US$ 773,9 bilhões em agosto, crescimento de 1,2% em relação ao mês anterior. O resultado superou a estimativa média de alta de 0,8%.
Em Wall Street, os índices operam sem direção única antes do anúncio do banco central americano. O Dow Jones recua 0,15%, enquanto o S&P 500 avança 0,29%. O Nasdaq sobe 0,60% e o Nasdaq 100 ganha 0,69%.
O mercado acompanha especialmente a possibilidade de o Fed iniciar um novo ciclo de aperto monetário e, principalmente, as indicações sobre a trajetória dos juros nos próximos meses.
Petróleo cai com expectativa sobre guerra
Os preços do petróleo recuam, pressionando as ações do setor na B3. O West Texas Intermediate (WTI, referência norte-americana de preços) caía 2,01%, negociado a US$ 103,70 por barril, enquanto o parâmetro global Brent recuava 1,31%, a US$ 107,32.
A queda ocorre após autoridades americanas indicarem que a interrupção do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita pode ser temporária. A estrutura foi fechada após sofrer danos em ataques com drones na semana passada e vinha sendo utilizada para redirecionar exportações sauditas diante dos riscos no Estreito de Ormuz.
Bolsas da Europa avançam nesta quarta
As principais bolsas europeias operam em alta. O Stoxx 600 avança 0,60%, enquanto o DAX, de Frankfurt, sobe 0,39%. O FTSE 100, de Londres, ganha 0,61%, o CAC 40, de Paris, avança 0,59%, e o FTSE MIB, de Milão, registra valorização de 0,68%.
Na agenda econômica, a inflação anual do Reino Unido acelerou para 3,1% em agosto, ante 2,9% em julho. Na comparação mensal, o Índice de Preços ao Consumidor avançou 0,5%.
Já a produção industrial da zona do euro recuou 0,1% em julho ante junho, considerando dados com ajuste sazonal. No conjunto da União Europeia, houve queda de 0,3%. Na comparação anual, a produção ficou estável na zona do euro e avançou 0,3% na União Europeia.
Bolsas da Ásia fecham em alta hoje
Os mercados asiáticos encerraram o pregão no campo positivo. No Japão, o Nikkei 225 avançou 0,69%, aos 63.923 pontos, enquanto o Topix ganhou 0,61%. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 1,37%, aos 6.717 pontos, e o Kosdaq avançou 0,44%.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 ganhou 0,28%. Os mercados chineses também avançaram, e o CSI 300, da China continental, fechou em alta de 0,68%, aos 4.480 pontos, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, ganhou 0,19%.
