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InvestMercadosACS
22/07/2026
5 min

Ibovespa ignora tarifaço e sobe forte com Vale e WEG

Ibovespa ignora tarifaço e sobe forte com Vale e WEG

O Ibovespa acelera os ganhos na manhã desta quarta-feira, 22, após cinco sessões consecutivas variando entre quedas e estabilidade. Por volta das 11h10 (horário de Brasília), o principal índice acionário da bolsa brasileira avançava quase 2%, aos 176.637, 73 pontos. O movimento era impulsionado pela ações das blue chips, que avançam, e pelo balanço da WEG, divulgado antes da abertura.

Entre os peso-pesados da bolsa, a Vale (VALE3) subia 3,09%, no mesmo horário, com o mercado repercutindo de forma positiva a prévia operacional do 2° trimestre da mineradora. Na avaliação de bancos e casas de análises, os resultados vieram acima das expectativas e agradaram o mercado, que revisou o Ebitda da companhia para cima.

A Petrobras acompanha a alta do petróleo e também sobe forte, com os papéis ordinários (PETR3) avançando 3,04% e os preferenciais (PETR4) subindo 2,50%.

Entre os bancos, o movimento era positivo, mas mais moderado, com BTG Pactual (BPAC11) avançando 1,72%, Bradesco (BBDC4) subindo 1,08%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander (SANB11) subiam 0,71% e 0,30%, respectivamente. A exceção são as ações do Banco do Brasil (BBAS3) que recuam 0,34%.

O destaque do pregão, contudo, é a WEG (WEGE3), cujas ações disparam mais de 9% após a divulgação do balanço do segundo trimestre. A multinacional brasileira reportou receita operacional líquida de R$ 10,1 bilhões, alta de 7,1% ante o primeiro trimestre, e lucro de R$ 1,56 bilhão, batendo expectativas.

Na ponta negativa, Caixa Seguridade (CXSE3), Isa Energia (ISAE4) e TIM (TIMS3) recuam 2,33%, 1,30% e 0,71%, as maiores quedas do dia.

Dólar mantém queda frente ao real

O dólar operava em direção oposta. A moeda chegou a subir 0,17% na abertura, para R$ 5,0816, após recuar 0,32% na véspera, mas passou a cair ao longo da manhã. Por volta das 11h10, era negociado a R$ 5,054, baixa de 0,38%. No mês, o real acumula queda de 1,74%, enquanto no ano a desvalorização chega a 7,57%, segundo o diretor de câmbio da Ourominas, Elson Gusmão.

Gusmão avaliou, ainda, que a alta do petróleo favorece empresas ligadas à commodity, mas aumenta os riscos inflacionários e pode limitar cortes de juros. E também destacou que a tarifa americana e a tensão entre Estados Unidos e Irã mantêm a cautela dos investidores. "Os resultados corporativos e a composição setorial devem determinar a direção do índice ao longo do pregão", detalhou.

A tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros atinge 2.375 itens, que somaram US$ 7,2 bilhões em exportações em 2025, equivalente a 19,2% do total vendido ao país no período, segundo levantamento da ApexBrasil. A cobrança afeta produtos como açúcar, etanol, pneus de veículos e peças de motores.

Sobre o câmbio, Gusmão afirmou que a pressão sobre o dólar vinha tanto das incertezas comerciais quanto do cenário geopolítico, com a escalada no Oriente Médio e os riscos às rotas de navegação no Estreito de Ormuz. Apesar de ter oscilado durante o início da manhã, o dólar operava em queda de 0,27%, a R$ 5,05, às 10h40.

O ouro também avançava com a busca por proteção. Os contratos futuros subiam 1,17%, a US$ 4.125 por onça, enquanto o ouro à vista ganhava 1,08%, a US$ 4.120,32.

Petróleo sobe para máxima de seis semanas

Ospreços do petróleo atingiram o maior nível em quase seis semanas. Os contratos futuros do Brent para setembro chegaram a US$ 95,24 por barril, alta de 4,2%, antes de recuarem para US$ 93,16 no momento desta publicação. O West Texas Intermediate (WTI), referência estadunidense de preços, avançou 5,2%, para US$ 87,99, e depois caiu para US$ 86,28. Ambos os contratos atingiram os maiores níveis desde 11 de junho.

A alta foi impulsionada pela 11ª noite consecutiva de ataques dos EUA contra alvos no Irã e por declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que Teerã "não demonstra seriedade" nas negociações de paz. Ele também afirmou que os EUA continuarão protegendo o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.

O mercado passou a monitorar os riscos às rotas de navegação. E o head de pesquisa global macro do Deutsche Bank, Jim Reid, afirmou que o fechamento do Brent acima de US$ 90 reacendeu preocupações com estagflação, além de aumentar as apostas em juros mais altos nos EUA.

Wall Street opera sem direção única

Nos EUA, os principais índices operavam de forma mista nesta quarta-feira. O S&P 500 rondava a estabilidade com ligeira alta de 0,03%, enquanto o Nasdaq caía 0,28% e o Dow Jones subia 227 pontos, com alta de 0,44%.

Investidores acompanhavam a temporada de balanços, com resultados previstos de empresas como Tesla, Alphabet, IBM, Texas Instruments e ServiceNow. O mercado busca sinais sobre gastos com inteligência artificial (IA), demanda por serviços de nuvem e perspectivas para o segundo semestre.

Entre os destaques individuais, as ações da Super Micro Computer subiam 14% após a empresa projetar margens acima das expectativas para o quarto trimestre fiscal e informar mais de US$ 60 bilhões em novos pedidos.

Europa avança com energia e mineração

Na Europa, os principais índices operavam em alta. O Stoxx 600 subia 0,66%, o FTSE 100, de Londres, avançava 1,42%, o CAC 40, de Paris, ganhava 1,04%, o FTSE MIB, da Itália, subia 0,91%, e o DAX, da Alemanha, tinha alta de 0,63%.

Ações de mineração, utilities e petróleo lideravam os ganhos, enquanto papéis de tecnologia recuavam diante da maior cautela dos investidores.

Ásia fecha sem direção única

Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única. O S&P/ASX 200, da Austrália, subiu 0,34%, o Xangai Composto avançou 0,07%, enquanto o Nikkei, do Japão, caiu 0,18%, o Nifty 50, da Índia, recuou 0,79%, e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 0,95%. Já o Kospi, da Coreia do Sul, registrou alta de 0,74%.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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