Ibovespa mantém sequência de altas, mas fecha abaixo dos 175 mil pontos; dólar vai a R$ 5,15
Sessão foi marcada por dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos. Dólar encerrou com alta a R$ 5,15

O Ibovespa fechou a sessão desta quarta-feira, 26, em leve alta de 0,01% aos 174.586 pontos. Pela manhã, o índice chegou a alcançar os 175 mil pontos, sustentado pela leitura mais benéfica do Índice de Preços ao Consumidor 15 (IPCA-15), mas o movimento não se sustentou. Já o dólar encerrou com alta de 0,22% aos R$ 5,15. Apesar do avanço modesto, esta é a sexta sessão seguida de alta.
Por aqui, o IPCA-15 registrou deflação de 0,40% em agosto, abaixo da expectativa de 0,30%. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 4,24%. Segundo Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, a queda agradou os investidores e fez a curva de juros cair, o que pode levar o Banco Central (BC) a cortar a Selic em setembro.
“Assim temos uma maior entrada de recursos na nossa Bolsa, o que anima o mercado. Mas eu recomendo cautela ao investidor nos próximos dias, pois quando a Bolsa sobre rapidamente, ela costuma realizar lucros. O ‘time’ passou, então o melhor é aguardar novas oportunidades para entrar”, diz.
Por outro lado, Rachel de Sá, estrategista de Investimentos da XP, diz que, no detalhe, o IPCA-15 a percepção da inflação não muda significativamente. Pela inflação de curto prazo, ela traz algum fôlego devido a fatores pontuais.
“Tivemos uma deflação em alimentos ainda maior do que a esperada e, neste mês, o impacto do bônus de Itaipu na tarifa de energia elétrica. Mas vale destacar que esse efeito é muito pontual e, no mês que vem, com o fim do benefício, haverá uma devolução proporcional ao recuo atual”, afirma.
Quando observado mais de perto, os serviços mais sensíveis à política monetária, como os intensivos em mão de obra, mantêm tendência de alta acima da meta de inflação do Banco Central, sem demonstrar arrefecimento significativo.
“No horizonte, os riscos continuam traçando um cenário desafiador: o El Niño deve trazer impactos a partir deste segundo semestre (principalmente em alimentos); o petróleo, que havia arrefecido no mercado global e aliviado os combustíveis no mês, volta a subir; as expectativas de inflação seguem desancoradas; e há discussões como a escala 6x1 no radar”, comenta.
Diante disso, a XP mantém a projeção de inflação para o ano em 5,1% e a visão de que o Banco Central deve manter a taxa Selic em 14% ao final do ano. “Contudo, essa projeção conta com um certo viés de baixa, pois o alívio na inflação de curtíssimo prazo e a desaceleração da atividade econômica mais pronunciada neste início de semestre podem levar o BC a optar por um corte adicional.”
Queda das bolsas de NY impediu alta do Ibov
O viés negativo das bolsas de Nova York, após a divulgação de um índice índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) acima do esperado, somado à alta do dólar e dos juros futuros, contribuiu para uma realização parcial dos ativos de risco nesta sessão.
O movimento refletiu uma postura mais cautelosa dos investidores, que aproveitaram para embolsar parte dos ganhos recentes diante da perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.
No mercado de renda fixa americano, os rendimentos dos Treasuries avançaram em diferentes vencimentos. A taxa da T-Note de dois anos subiu para 4,220%, ante 4,201% na sessão anterior, enquanto o rendimento do título de dez anos avançou para 4,654%, de 4,634%. Já a taxa do T-Bond de 30 anos passou de 5,169% para 5,172%, reforçando a pressão sobre os ativos de maior risco.
O PCE, medida de inflação preferida pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), avançou 3,7% em julho ante o mesmo mês de 2025, levemente acima da projeção de 3,6%.
“Essa pequena surpresa para cima foi suficiente para azedar o humor do mercado. As taxas de juros americanas viraram e a curva voltou a abrir, refletindo também pressões estruturais. Esse movimento respingou no Brasil, fazendo as empresas mais cíclicas sofrerem no pregão de hoje”, pontua de Sá.
Em Nova York, os principais índices acionários encerraram o dia em queda, refletindo o aumento da cautela dos investidores. O Dow Jones recuou 0,21%, aos 53.463 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,02%, para 7.675 pontos. Já o Nasdaq teve baixa de 0,08%, aos 26.130 pontos.
