Ibovespa opera com Copom cauteloso e tombo de ações de tecnologia; dolar sobe

O Ibovespa abriu a sessão desta terça-feira, 23, em forte queda de 0,96%, aos 168.728 pontos, antes de recuar para 0,14%, praticamente estável, às 11h03 (horário de Brasília), pressionado pela onda de vendas em ações de tecnologia que varreu os mercados globais e pelo tom cauteloso da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta manhã. O dólar comercial avançava 0,55%, negociado a R$ 5,17.
Entre os papéis de maior peso no índice, as blue chips, o tom era negativo. A Vale (VALE3) recuava 2,36%. Petrobras operava em ligeira queda, com PETR4 cedendo 0,41% e PETR3 recuando 0,33%. No setor financeiro, porém, o tom era um pouco mais positivo com Itaú Unibanco (ITUB4) registrando ligeira alta de 0,12%, enquanto Bradesco (BBDC4) subia levemente 0,34% e BTG (BPAC11) operava estável com variação positiva de 0,05%.
O destaque negativo ficou com Usiminas (USIM5), que despencava 3,73%. Suzano (SUZB3) recuava 2,10%, seguida por CSN (CSNA3) que caía 2,81%.
No campo positivo,Assaí (ASAI3) avançava 1,82%, seguido por Yduqs (YDUQ3) que estendia os ganhos da sessão passada ao subir 1,78%.
A ata do Copom reforçou que o ambiente de expectativas de inflação desancoradas exige manutenção de juros elevados por período prolongado. "Em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado", afirmou o comitê.
O documento foi divulgado após a decisão de cortar a Selic para 14,25% ao ano, em redução de 0,25 ponto percentual. Apesar do ajuste, o texto mantém tom cauteloso e evita qualquer sinalização de aceleração ou encerramento do ciclo.
Petróleo recua com alívio no Oriente Médio
O petróleo também operava em leve queda, com a referência global de preços Brent para setembro recuando 0,53%, a US$ 77,11 o barril. Parâmetro nos Estados Unidos, o West Texas Intermediate (WTI) para agosto cedia 0,54%, a US$ 73,46.
A commodity segue volátil devido às negociações no Oriente Médio após o avanço dos diálogos entre EUA e Irã.
Bolsas dos EUA: queda puxada por chips
Wall Street abriu em queda generalizada nesta terça-feira. O Dow Jones operaca estável com ligeira queda de 0,05%, aos 51.685 pontos. O S&P 500 cedia 0,99%, a 7.398 pontos. O Nasdaq perdia 1,55%, aos 25.758 pontos, enquanto o Nasdaq 100, índice que concentra as gigantes de tecnologia, despencava 2,47%, aos 29.596 pontos.
O movimento reflete uma revisão de avaliações no segmento de inteligência artificial (IA), que concentrou grande parte das apostas dos investidores ao longo de 2026. O crescimento dos preços passou a gerar questionamentos sobre valuations esticados e sobre o ritmo real de expansão da demanda.
No radar estadunidense hoje, o mercado também aguarda leilão de Treasuries de dois anos e dados de massa monetária. O dado mais relevante da semana é o principal indicador de inflação do Federal Reserve (Fed), PCE referente a maio, que sairá apenas na quinta-feira, 25.
Bolsas da Europa: tecnologia lidera perdas
As bolsas europeias operavam em queda generalizada na manhã desta terça. O índice Stoxx 600 recuava 0,97%, aos 633,76 pontos. Entre os principais mercados da região, o DAX alemão caía 0,95%, aos 24.901 pontos. Em Paris, o CAC 40 recuava 0,67%, aos 8.344 pontos. Em Londres, o FTSE 100 perdia 0,47%, aos 10.389 pontos.
O movimento acompanha a correção global das ações de tecnologia e a reavaliação das expectativas para a política monetária dos principais bancos centrais, em um ambiente ainda marcado por incertezas inflacionárias.
Kospi lidera tombo do setor de chips
O sell-off de tecnologia teve seu epicentro asiático na Coreia do Sul. O Kospi encerrou o pregão com queda de quase 10%, seu pior desempenho desde março, puxado por SK Hynix e Samsung, ambas com perdas superiores a 12%.
O Nikkei 225 japonês recuou 3,55%, fechando em 69.788 pontos e interrompendo sequência de oito pregões consecutivos em alta. Na China continental, o CSI 300 caiu 2,77%, enquanto Hong Kong cedeu 1,82%.
