Ibovespa perde fôlego com Vale, enquanto Petrobras avança; dólar sobe

O Ibovespa recua no pregão desta terça-feira, 7, após a queda de 0,93% na véspera. Nos primeiros minutos de negociação, o principal índice acionário chegou a registrar uma alta moderada com o forte avanço das ações da Petrobras mas, por volta das 11h, a referência reduziu os ganhos diante da queda da Vale (VALE3). Às 11h24, o Ibovespa registrava ligeira queda de 0,38%, aos 171.799 pontos.
Entre as blue chips, a alta do petróleo impulsiona as ações da Petrobras. As ações ordinárias (PETR3) subiam 2,03%, enquanto as preferenciais (PETR4), 1,38%. Nos bancos, Itaú Unibanco (ITUB4) ganhava 0,68%, Bradesco (BBDC4), 0,39% e Banco do Brasil (BBAS3), 1,57%. Na ponta oposta, as ações da mineradora recuavam 1,21% e as units do BTG (BPAC11), também de peso na composição do índice, registravam queda de 0,34%.
Entre as maiores altas do Ibovespa, destaque para Azzas 2154 (AZZA3), com ganho de 3,78%, seguida por SLC Agrícola (SLCE3), que avançava 3,59%, Prio (PRIO3), que subia 2,84%, e Energisa (ENGI11) em alta de 2,56%.
Já entre as maiores quedas, Marfrig (MBRF3) caía 3,35%, seguida por MRV (MRVE3), que recuava 2,82%, e Embraer (EMBJ3), com queda de 2,61%.
Os investidores monitoram a escalada das tensões no Oriente Médio e novos indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos, bem como a forte queda de ações de semicondutores nos mercados globais. No mercado de câmbio, o dólar comercial avançava 0,27%, cotado a R$ 5,146.
No Brasil, os investidores repercutem a divulgação do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). O índice caiu 0,79% em junho, após alta de 0,87% em maio. Com o resultado, o indicador acumula alta de 3% no ano e de 3,59% em 12 meses, sinalizando um alívio na inflação ao produtor e de desaceleração dos preços no atacado.
Nos Estados Unidos, o déficit da balança comercial de bens e serviços aumentou para US$ 77,6 bilhões em maio. O resultado veio ligeiramente melhor que a expectativa do mercado, de um déficit de US$ 78,3 bilhões, mas representa uma forte deterioração em relação aos US$ 54,6 bilhões registrados em abril.
Petróleo sobe após novos ataques no Estreito de Ormuz
O petróleo sobe nesta manhã após relatos de ataques a navios próximos ao Estreito de Ormuz reacenderem temores sobre a oferta global. Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o Brent avançava 2,61%, para US$ 73,86 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subia 2,57%, a US$ 70,27.
Um petroleiro saudita e um navio de gás natural liquefeito (GNL) do Catar foram atingidos na região, em meio a relatos de ataques da Guarda Revolucionária do Irã, segundo a Reuters. O episódio devolve parte do prêmio de risco geopolítico aos preços da commodity.
Wall Street recua após recordes
As bolsas de Nova York abriram sem direção única, mas firmaram no campo negativo. O Dow Jones, que chegou a renovar sua máxima histórica, com alta de 0,3%, virou para ligeira queda de 0,17%. Enquanto o S&P 500 recuava 0,57% e o Nasdaq Composite caía 1,34%, pressionado por uma nova rodada de vendas nas ações ligadas à inteligência artificial (IA) e ao setor de semicondutores.
Entre os destaques negativos, Micron perdia cerca de 5%, enquanto AMD, Broadcom, Marvell Technology, KLA e Nvidia também operavam em baixa.
O movimento ganhou força após a forte queda da Samsung na Coreia do Sul e diante de informações de que a chinesa DeepSeek estaria desenvolvendo seu próprio chip de IA.
Por outro lado, investidores migravam para setores mais defensivos e empresas de grande capitalização. Eli Lilly subia mais de 2%, enquanto JP Morgan, Microsoft e Walmart avançavam cerca de 1%.
Europa acompanha queda das empresas de tecnologia
As bolsas europeias operam sem direção única nesta manhã, com o setor de tecnologia entre os principais destaques negativos, acompanhando a realização de lucros observada nas fabricantes de semicondutores na Ásia e em Nova York.
O índice pan-europeu Stoxx 600 caía 0,06%. Entre os principais mercados, o DAX, da Alemanha, recuava 0,60%, enquanto o FTSE 100, de Londres, avançava 0,60%, e o CAC 40, da França, subia 0,29%. Na Itália, o FTSE MIB perdia 0,21%.
As ações de tecnologia seguem pressionadas na região. Papéis da Soitec, Be Semiconductor, Infineon, STMicroelectronics, ASML e ASM International figuravam entre as maiores quedas do setor após o movimento de venda observado nas fabricantes de chips asiáticas.
Ásia fecha em baixa após tombo de 7% da Samsung
As bolsas asiáticas fecharam em forte queda, lideradas pela Coreia do Sul, onde o índice Kospi despencou 4,91%. Durante a sessão, o mercado chegou a cair mais de 8%, levando a bolsa local a acionar um circuit breaker e interromper as negociações temporariamente.
No Japão, o Nikkei recuou 2,12%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,51%, e o CSI 300, da China continental, perdeu 1,03%.
O movimento foi desencadeado pela queda de quase 7% das ações da Samsung. Apesar de a companhia divulgar forte crescimento do lucro no segundo trimestre, investidores demonstraram preocupação com as perspectivas para a demanda por chips e os elevados investimentos no setor de IA.
