Ibovespa perde força com impacto do petróleo sobre bolsas no exterior
Bolsa brasileira acompanha piora externa enquanto investidores monitoram commodity e cenário político

O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira, 9, pressionado pelo avanço do petróleo em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e pela piora do humor nos mercados internacionais. Por volta das 10h40 (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 0,74%, aos 186.002,13 pontos. O dólar comercial subia 0,19%, cotado a R$ 5,0952.
A alta do petróleo dá suporte às ações da Petrobras e de outras empresas do setor, mas não é suficiente para sustentar o índice. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) avançavam 1,41%, enquanto as preferenciais (PETR4) subiam 1,39%. Prio (PRIO3) ganhava 1,56% e Brava Energia (BRAV3), 1,42%.
A Vale (VALE3), uma das principais empresas do índice, recuava 0,14%. Entre os grandes bancos, Itaú Unibanco (ITUB4) caía 0,90%, Bradesco (BBDC4) perdia 0,99% e Banco do Brasil (BBAS3) recuava 0,09%.
Na ponta positiva, SLC Agrícola (SLCE3) liderava os ganhos, com alta de 6,71%. PetroReconcavo (RECV3) avançava 2,40%, enquanto CSN Mineração (CMIN3) subia 2,08%. Entre as maiores quedas, Vamos (VAMO3) recuava 3,40%, seguida por Direcional (DIRR3), com baixa de 2,71%, e RD Saúde (RADL3), que perdia 2,69%.
Petróleo volta a operar acima de US$ 100 por barril
O petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril, com a escalada dos confrontos entre EUA e Irã aumentando os temores de interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz. O Brent, referência internacional, subia 2,77%, a US$ 100,63 por barril.
O West Texas Intermediate (WTI, parâmetro de preços nos EUA), avançava 2,92%, a US$ 95,75.
A alta da commodity beneficia empresas produtoras de petróleo, mas também aumenta as preocupações com inflação e juros. Para o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima,o petróleo acima de US$ 100 tem efeitos contraditórios para o Brasil.
De um lado, a commodity melhora os termos de troca do país, aumenta a expectativa de entrada de dólares pelas exportações e favorece empresas como a Petrobras.
De outro, uma alta provocada pela escalada da guerra no Oriente Médio aumenta o risco de inflação global, juros americanos elevados por mais tempo e maior aversão ao risco.
Crise no STF aumenta cautela em relação ao real
Com o dólar comercial operando próximo da estabilidade, a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), por outro lado, aumenta a cautela e limita uma valorização mais firme da moeda brasileira. "O resultado é um câmbio praticamente parado, apesar do recuo global do dólar", segundo Lima.
O mercado também acompanha novas pesquisas eleitorais, em uma sessão com agenda de indicadores mais esvaziada no Brasil e no exterior.
Bolsas da Europa caem com avanço do petróleo
As principais bolsas europeias operam em queda, pressionadas pela alta do petróleo e pelos receios de que a escalada da guerra no Irã aumente a inflação global. O Stoxx 600 recuava 1,20%. Em Frankfurt, o DAX caía 1,34%, enquanto o CAC 40, de Paris, perdia 1,46%.
Em Londres, o FTSE 100 recuava 0,86%, e o FTSE MIB, de Milão, caía 0,79%. Apesar da queda dos principais índices, as ações de energia lideravam os ganhos entre os setores europeus no início do pregão, beneficiadas pela valorização da commodity.
EUA caem com petróleo e inflação no radar
Os índices de Wall Street mostram uma abertura negativa, em meio à alta do petróleo e aos temores de que a commodity pressione a inflação e mantenha os juros americanos elevados por mais tempo.
O Dow Jones recuava 0,66%, aos 52.436 pontos. O S&P 500 caía 0,29%, aos 7.651 pontos, enquanto o Nasdaq perdia 0,13%, aos 29.469 pontos.
O movimento ocorre após uma sessão negativa na terça-feira, 8. O rendimento do tesouro público dos EUA (Treasury) de dez anos chegou a superar 4,8% ontem, refletindo as preocupações com o impacto da alta do petróleo sobre a inflação.
No mercado corporativo, investidores também acompanham o evento da Apple hoje. A companhia deve apresentar novidades com foco nos modelos premium de iPhone, incluindo a estreia do primeiro iPhone dobrável, em um momento de maior atenção às perspectivas para as grandes empresas de tecnologia.
Bolsas da Ásia fecham sem direção única
Os mercados asiáticos encerraram o pregão sem direção única. O Nikkei 225, do Japão, caiu 0,19%, aos 65.142,78 pontos, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 1,40%, aos 7.051,64 pontos. Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 0,11%. Em Hong Kong, o Hang Seng caía 0,26% na última hora de negociação. Na China continental, o CSI 300 fechou em alta de 0,30%, aos 4.572,60 pontos.
