Ibovespa perde força e dólar sobe com petróleo em alta e tensão em Ormuz
Embraer lidera ganhos do Ibovespa, enquanto petróleo sobe com tensão entre EUA e Irã

O Ibovespa reverteu a alta da abertura do pregão desta segunda-feira, 10, e virou para o campo negativo. Por volta das 11h10 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 ampliava as perdas ao cair 0,43%, aos 171.857 pontos. O mercado acompanha a alta do petróleo em meio às incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, enquanto o Boletim Focus reduz pela sexta semana seguida a projeção para a inflação de 2026. Em meio a esse ambiente de cautela, o dólar comercial avança 0,25%, cotado a R$ 5,096.
Entre os destaques de alta, a Embraer (EMBJ3) lidera os ganhos, com valorização de 6,64%. Magazine Luiza (MGLU3) sobe 1,36%, enquanto PetroReconcavo (RECV3) avança 2,64% e Prio (PRIO3) ganha 3,36%. Iguatemi (IGTI11) registra alta de 0,82%, e Vale (VALE3) opera com valorização mais discreta, de 0,08%.
Entre as ações da Petrobras, PETR3 sobe 1,82% e PETR4 avança 1,79%. Na ponta negativa, Vibra (VBBR3) recua 2,07%, Copasa (CSMG3) tem baixa de 2,21%. Assaí (ASAI3) cede 1,33%, enquanto MBRF (MBRF3) cai 1,37%.
No radar do mercado doméstico, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 10, trouxe a sexta redução semanal consecutiva na projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026. A estimativa passou de 5,03% para 5,02%.
Para os anos seguintes, as projeções permaneceram estáveis, de 4,22% para 2027, 3,80% para 2028 e 3,50% para 2029. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) também recuou, de 1,99% para 1,98% em 2026. Para 2027, a projeção caiu de 1,57% para 1,52%.
Para a taxa básica de juros, os analistas consultados pelo Banco Central mantiveram a expectativa para a Taxa Selic em 13,75% ao fim de 2026. As projeções para os anos seguintes também ficaram inalteradas, em 12% para 2027, 10,50% para 2028 e 10% para 2029.
O coordenador de alocação e inteligência da Avenue, Bruno Yamashita, também apontou que o IPCA, com divulgação prevista para terça-feira, 11, deve ganhar atenção. Além disso, destacou que os dados do mercado de trabalho americano (payroll), divulgados na semana passada, vieram abaixo do esperado.
Para o especialista, o movimento esfriou a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) nas próximas reuniões. Na zona do euro, o sentimento econômico ganhou força em agosto. O indicador da Sentix avançou 4 pontos em relação a julho, para 0,9, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira.
No cenário internacional, a inflação ao consumidor da China perdeu ritmo em julho. O Índice de Preços ao Consumidor avançou 0,5% na comparação anual, abaixo da alta de 1% registrada em junho e também da expectativa do mercado.
Petróleo avança com dúvidas sobre EUA e Irã
Os preços do petróleo subiam hoje, enquanto investidores avaliavam sinais contraditórios sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e a possível reabertura do Estreito de Ormuz. O West Texas Intermediate (WTI) avançava 1,41%, a US$ 79,28 por barril, enquanto o Brent subia 1,50%, a US$ 84,80.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã não mantém atualmente negociações diretas com os EUA para encerrar a guerra e reabrir o Estreito, mesmo com Washington sinalizando que um acordo estaria próximo. O país também exige compensação americana como condição para reabrir a rota.
Já o chefe do conselho supremo de segurança nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os EUA cumpram seis condições, entre elas o fim da guerra contra o país e seus aliados.
Washington, por sua vez, sustenta que qualquer reabertura deve preservar a liberdade de navegação sem aprovações, taxas ou controles iranianos.
Bolsas dos EUA operam próximas da estabilidade
Os principais índices de Wall Street abriram a semana sem direção definida, em meio a dúvidas crescentes sobre se EUA e Irã chegarão a uma resolução duradoura para o conflito no curto prazo. O S&P 500 operava próximo da estabilidade, com ligeira alta de 0,11%, assim como Nasdaq, que recuava 0,04%. O Dow Jones caía quase 100 pontos, uma queda de 0,18%.
A ação da Intel se destacava entre as maiores baixas do pregão, recuando 3% após a companhia anunciar uma oferta de US$ 15 bilhões em ações ordinárias.
Já os três principais índices americanos vêm de sua melhor semana desde abril. O impulso ocorreu após o payroll de julho mostrar contração inesperada na criação de vagas, o que elevou a expectativa de que o Fed evite novas altas de juros.
Bolsas da Europa operam estáveis
Os mercados europeus operavam majoritariamente estáveis, ao passo que investidores ponderavam as incertezas em torno do conflito no Oriente Médio. Ações de tecnologia e mineradoras lideravam os ganhos, enquanto papéis do setor automotivo e de mídia ficavam atrás do desempenho geral do índice.
O Stoxx 600 avançava 0,03%, aos 660,44 pontos. O DAX, de Frankfurt, subia 0,12%, a 26.351,65 pontos, e o FTSE MIB, de Milão, ganhava 0,08%, a 53.759,56 pontos. Na contramão, o FTSE 100, de Londres, recuava 0,44%, a 10.853,60 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, cedia 0,01%, a 8.713,86 pontos.
Bolsas da Ásia fecham em alta
A maioria dos mercados asiáticos encerrou o pregão em terreno positivo. O Nikkei 225, do Japão, avançou 2,1%, a 66.970 pontos, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1%.
Na Coreia do Sul, o Kospi ganhou 0,65%, e o índice de pequenas empresas Kosdaq disparou 7%. Na direção oposta, o S&P/ASX 200, da Austrália, recuou 0,3%, fechando aos 9.232,60 pontos.
