Ibovespa reage após 11 quedas seguidas; dólar cai a R$ 5,16
Mercados acompanham ata do Fed, tensão em Ormuz e novos dados sobre inflação no exterior

O Ibovespa dispara nesta quarta-feira, 19, e tenta interromper uma sequência de 11 pregões consecutivos de perdas. Por volta das 10h50 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira subia 2,15%%, aos 169.908,33 pontos. O dólar comercial recuava 1,13%, cotado a R$ 5,1627.
A recuperação ocorre em meio à expectativa pela ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), que será divulgada à tarde. O petróleo também permanece no radar, próximo das máximas recentes diante das incertezas sobre o Estreito de Ormuz e da guerra entre Estados Unidos e Irã.
Entre as principais ações, Vale (VALE3) avançava 2,32%. Petrobras também tinha forte alta, com ganhos de 2,28% nas ações preferenciais (PETR4) e de 2,15% nas ordinárias (PETR3). No setor financeiro, B3 (B3SA3) subia 2,80%, Banco do Brasil (BBAS3) ganhava 2,36%, Itaú Unibanco (ITUB4) avançava 1,65%, BTG Pactual (BPAC11, do mesmo grupo controlador da EXAME) tinha alta de 1,63% e Bradesco (BBDC4), de 1,43%.
Entre as maiores altas, Vibra (VBBR3) disparava 5%, seguida por Braskem (BRKM5), com 4,96%, Cosan (CSAN3), com 4,47%, CSN Mineração (CMIN3), com 4,15%, RD Saúde (RADL3), com 3,74%, e PetroReconcavo (RECV3), com 3,34%. Do lado negativo, Hapvida (HAPV3) recuava 1,33%, Santander Brasil (SANB11) caía 0,89%, e Embraer (EMBJ3) tinha leve queda de 0,15%.
Ibovespa tenta reagir após 11 pregões de perdas
A alta desta quarta-feira ocorre um dia depois de o Ibovespa fechar em queda pela 11ª sessão consecutiva, pressionado pelo ambiente externo e por preocupações domésticas. Para o sócio-fundador da Private Investimentos, Cleiton Souza, os investidores começam o pregão atentos à ata do Fed e ao petróleo.
"O mercado começa o dia de olho, principalmente, em dois pontos, a ata do Fed, que sai à tarde, e o petróleo, que continua perto de US$ 92 com a tensão entre EUA e Irã e a situação no Estreito de Ormuz", disse. "Se permanecer nesse nível por mais tempo, começa a incomodar pela inflação e pode reduzir o espaço para cortes de juros lá fora."
No Brasil, o principal indicador da agenda doméstica será o fluxo cambial semanal do Banco Central, às 14h30, com dados até 14 de agosto. Mais cedo, saíram os primeiros resultados da produção animal no segundo trimestre. O abate de bovinos cresceu 1,3% em relação a igual período de 2025 e 4,2% na comparação trimestral. O de suínos aumentou 3,2% e o de frangos, 2,8%, ambos na comparação anual.
No exterior, a inflação ao consumidor do Reino Unido acelerou de 2,6% em junho para 2,9% em julho, em linha com as expectativas. Na Zona do Euro, a taxa passou de 2,8% para 2,9%, ainda acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE).
A presidente da instituição, Christine Lagarde, também afirmou hoje que a Europa não pode se dar ao luxo de ficar de fora da revolução da inteligência artificial (IA).
Já nos EUA, os investidores acompanham, às 11h30, os dados sobre os estoques de petróleo bruto do Departamento de Energia. Às 15h, o Fed divulga a ata da reunião de julho, quando os juros americanos foram mantidos.
Petróleo opera perto da máxima em três semanas
Os contratos de petróleo operam próximos da máxima em três semanas, com os investidores monitorando a situação no Estreito de Ormuz e as interrupções no fornecimento global. O West Texas Intermediate (WTI) avançava 0,57%, a US$ 85,42 por barril, enquanto o Brent subia 0,48%, a US$ 91,46.
Na terça-feira, 18, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não havia negociações em andamento com o Irã e que Ormuz estava aberto, em contraste com Teerã, que afirma que a passagem continua fechada.
O acordo temporário de cessar-fogo expirou na segunda-feira, 17, e um funcionário sênior do governo iraniano disse à Reuters que o país está adotando uma postura totalmente ofensiva, embora não tenham sido registrados ataques na terça-feira.
Wall Street sobe com recuo dos juros longos
As bolsas de Nova York operam em alta, acompanhando o recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano após o Departamento do Tesouro anunciar aumento nas operações de recompra de dívida de longo prazo.
O Dow Jones subia 230 pontos ou 0,4%, enquanto S&P 500 e Nasdaq avançaram 0,4% cada.
O rendimento dos títulos de 30 anos, que havia atingido no dia anterior o maior nível em 19 anos, acima de 5,33%, recuou quase nove pontos-base, para 5,196%. O retorno dos Treasuries de dez anos caiu seis pontos-base, a 4,647%.
Entre as ações, Moderna disparou mais de 80% depois que a vacina experimental contra o câncer desenvolvida em parceria com a Merck apresentou sucesso em um estudo de fase avançada. A Merck subiu mais de 7%.
A Marvell Technology avançou mais de 12% após anunciar um acordo com o Google envolvendo unidades de processamento tensorial e uma garantia para a compra de quase 59 milhões de ações.
Bolsas europeias operam sem direção única
As bolsas europeias operam sem direção única. O Stoxx 600 avançava 0,10%, aos 652,55 pontos, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuava 0,10% e o FTSE 100, de Londres, caía 0,01%.
O CAC 40, de Paris, subia 0,31%, e o FTSE MIB, de Milão, operava praticamente estável. Construção liderava os ganhos, com alta de 0,91%, seguida por recursos básicos, com 0,66%, e químicas, com 0,43%.
Bolsas da Ásia despencam com ações de tecnologia
Os mercados asiáticos encerraram o pregão em forte queda, pressionados pelas ações de tecnologia. O Nikkei 225 caiu 3,16%, aos 65.326,42 pontos, enquanto o Kospi despencou 5,80%, aos 6.471,17 pontos.
Samsung e SK Hynix recuaram 7,82% e 9,75%, respectivamente, enquanto SoftBank caiu mais de 10% e Nintendo, 2,09%.Na China continental, o CSI 300 fechou em baixa de 2,90%, aos 4.588,70 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng operava com leve recuo na reta final dos negócios, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, caiu 0,18%, aos 9.053,80 pontos.
