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InvestMercadosACSBDR
22/09/2026
6 min

Ibovespa reage, sobe 0,4% e volta aos 187 mil pontos; dólar fica de lado em R$ 5,10

O Nasdaq renovou o recorde de fechamento e intradiário mais uma vez, enquanto o Dow Jones destoou e fechou em queda

Ibovespa reage, sobe 0,4% e volta aos 187 mil pontos; dólar fica de lado em R$ 5,10

O Ibovespa fechou a sessão desta terça-feira, 22, em alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos, após oscilar entre a mínima de 184.976,81 e a máxima de 187.671,74 pontos.

O índice conseguiu reverter a queda registrada no início do pregão, em uma sessão marcada pela repercussão da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), pela queda do petróleo e pelo discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O volume financeiro somou R$ 22,5 bilhões.

As ações da Petrobras que abriram o dia em queda, mas logo viraram para estabilidade, ganharam mais força e fecharam em alta de 0,73%, no caso das preferenciais (PETR4) e 0,61% nas ordinárias (PETR3). A Vale (VALE3) também inverteu a queda e subiu 0,39%. As suas empresas contrariaram as quedas do petróleo e do minério de ferro, respectivamente, na casa de 1%.

Já os principais bancos ficaram mistos com o Banco do Brasil (BBAS3) recuando 1,39% e as units do Santander (SANB11) caindo 0,60% com notícia de que a matriz espanhola está avançando com a oferta de permuta de papéis.

Os papéis de Hypera (HYPE3) lideraram os ganhos do índice com alta de 3,61%, seguidos por Suzano (SUZB3), que subiu 2,81% em meio ao anúncio de reajuste de celulose após o fechamento do mercado. Na ponta negativa, Vivara (VIVA3) recuou 4,58%, enquanto Cury (CURY3) caiu 2,44%.

No ambiente doméstico, os investidores repercutiram a ata da última reunião do Copom, divulgada nesta manhã. O documento manteve em aberto os próximos passos da política monetária após o corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 13,75% ao ano, e reforçou que a trajetória dos juros dependerá da evolução dos dados econômicos.

A ata também reconheceu sinais mais claros de desaceleração da atividade e do crédito, mas manteve a cautela diante das expectativas de inflação ainda desancoradas, dos riscos altistas e das questões fiscais.

Para Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, a comunicação do Copom preserva a possibilidade de continuidade do ciclo de cortes, embora sem antecipar as próximas decisões. “A ata ratifica a mensagem do comunicado e, portanto, mantém a porta aberta para a continuidade do ciclo de cortes, reforçando a dependência dos dados.”

Na avaliação da economista, a desaceleração mais evidente da atividade e da inflação, combinada à evolução do crédito, passa a sustentar um cenário de continuidade do afrouxamento monetário. “O cenário com maior probabilidade de ocorrência, a partir de hoje, passa a ser de continuidade de cortes de 25 bps nas próximas duas reuniões”, afirma.

Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o Ibovespa conseguiu recuperar as perdas iniciais ao longo da sessão, apoiado principalmente pelo ambiente internacional. Segundo a especialista, a queda do petróleo ajudou a reduzir as pressões inflacionárias globais e aumentou o apetite por ativos de risco nos mercados emergentes.

"A queda nas cotações da commodity foi impulsionada pelo alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio, pelo aumento na fluidez do transporte de navios no Estreito de Ormuz e pela eficácia das rotas alternativas do escoamento saudita. O arrefecimento do petróleo reduziu as pressões inflacionárias globais e ampliou o apetite por ativos de risco em mercados emergentes", afirmou Nossig.

Lula na ONU teve pouco impacto no mercado

Outro ponto de atenção no mercado brasileiro foi a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O discurso ocorreu pela manhã, antes da fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Os investidores acompanharam as declarações de Lula e os possíveis impactos das discussões envolvendo comércio, relações internacionais e o cenário geopolítico.

Para Marcel Andrade, head de Investments Solutions da SulAmérica Investimentos, os mercados reagiram de forma tímida aos discursos na Assembleia Geral da ONU. “Os mercados reagiram de forma tímida aos discursos na Assembleia Geral da ONU na parte da manhã”.

Segundo Andrade, o petróleo começou o dia em queda mais forte, mas perdeu parte da baixa diante de sinais mistos de Trump sobre as negociações com o Irã. “Se por um lado, manifestou o desejo de entrar em acordo com o Irã, também não deixou claro quando e como isso deve ocorrer".

Dólar fica de lado

O dólar à vista fechou perto da estabilidade nesta terça-feira, em uma sessão de poucas novidades no cenário eleitoral e relativa calmaria do câmbio no exterior. Investidores acompanharam as declarações de Lula na Assembleia da ONU, enquanto aguardam novas pesquisas para avaliar possíveis mudanças no quadro de empate técnico entre Lula e Flávio observado desde a semana passada.

A moeda americana fechou em baixa de 0,11%, a R$ 5,103, após oscilar entre R$ 5,097, na mínima do dia, e R$ 5,136 na máxima.

No mercado de juros, os contratos futuros oscilaram ao longo do pregão após a divulgação da ata do Copom, que reforçou a cautela do Banco Central com a inflação e os riscos fiscais.

Petróleo oscila forte mas termina em baixa

Os contratos futuros de petróleo tiveram uma sessão volátil, com os preços variando ao sabor das notícias vindas da Assembleia Geral da ONU e das atualizações sobre o fluxo da commodity no Oriente Médio.

Em seu discurso, Trump disse que poderia “aniquilar” o Irã. Mais tarde, porém, afirmou a repórteres que autoridades dos Estados Unidos se reuniram com uma delegação iraniana durante cerca de três horas e que o saldo foi “muito produtivo”. O presidente americano voltou a dizer que espera um acordo após as eleições de meio de mandato.

Em outra frente, fontes da Reuters disseram que a Arábia Saudita retomou a operação do oleoduto Leste-Oeste, embora com vazão ainda reduzida. Além disso, um alto funcionário afirmou que o Irã pode reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias se os Estados Unidos reduzirem a pressão militar e suspenderem o bloqueio aos portos do país.

No fechamento, o contrato do Brent para novembro caiu 1,09%, a US$ 99,25 por barril na ICE, enquanto o WTI para outubro recuou 1,24%, cotado a US$ 94,59 por barril na Nymex.

Nasdaq renova recorde

As bolsas americanas encerraram esta terça-feira em direções opostas. Ossinais de conversas diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã reduziram o prêmio de risco sobre o petróleo, enquanto os investidores também acompanharam o desempenho das empresas de tecnologia.

O Nasdaq renovou o recorde de fechamento e intradiário mais uma vez, enquanto o Dow Jones destoou e fechou em queda de 0,36%, aos 51.863,69 pontos. O S&P 500 ficou estável, aos 7.764,64 pontos. O Nasdaq subiu 0,45%, aos 27.244,28 pontos, refletindo o avanço do setor de tecnologia, de 0,63%.

O setor financeiro teve a pior atuação na bolsa americana, com queda de 1,98%, e pressionou o desempenho do Dow Jones, juntamente com as perdas nas ações da UnitedHealth e da Boeing, que têm peso importante na composição do índice.

"No mercado norte-americano, o clima de otimismo foi ainda mais evidente no setor de tecnologia, com os índices S&P 500 e Nasdaq batendo novos recordes históricos nominais logo nas primeiras horas de negociação", disse a especialista da Nomad.

AutorClara Assunção
FonteExame
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