Ibovespa recua com pesquisa eleitoral e tarifas dos EUA no radar

O Ibovespa fechou em queda de 0,36% nesta quarta-feira, 15, aos 176.010,90 pontos, após oscilar entre a mínima de 175.288,17 pontos e a máxima de 176.662,60 pontos. O volume financeiro negociado somou R$ 21 bilhões.
Apesar do avanço das bolsas dos Estados Unidos ao longo do dia, o mercado brasileiro foi pressionado pela cautela dos investidores diante da expectativa de confirmação de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e pela persistente tensão geopolítica no Oriente Médio, que manteve o petróleo em alta.
Mais cedo, segundo informações da CNN, o chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), Jamieson Greer, disse a interlocutores do governo Lula que já levou ao presidente dos EUA, Donald Trump, a recomendação final de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros, mas sinalizou um aumento da lista de exceções.
Na última reunião entre os dois países, realizada nesta terça, 14, Greer deu as negociações por encerrado e reclamou da falta de empenho por parte do Brasil, segundo relatos feitos à emissora.
Parte das ações de maior peso do índice também pesaram contra o Ibovespa nesta quarta. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 0,17%, assim como parte dos grandes bancos. Os papéis de Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil e BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) encerraram o dia em queda, limitando o desempenho do Ibovespa.
Já Vale (VALE3) encerrou o pregão em alta de 0,68%, acompanhando o avanço de 1,13% do minério de ferro na Bolsa de Dalian, na China. Na noite de terça-feira, 14, a companhia também informou ao mercado a nomeação de Wilfred Theodoor Bruijn como presidente interino do conselho até 22 de julho, quando será realizada a assembleia que escolherá o novo presidente do colegiado, após a renúncia na semana passada de Daniel André Stieler.
Para Renato Widmer, CIO e gestor da Aurum Wealth Management, o desempenho inferior da bolsa brasileira refletiu principalmente o aumento das preocupações com a política comercial dos Estados Unidos.
"A bolsa brasileira operou na direção contrária das principais bolsas do mundo, que subiram. O principal motivo parece ser o anúncio de que Donald Trump deve impor novas tarifas sobre o Brasil, o que pode afetar alguns setores da bolsa", afirmou.
Segundo o gestor, o comportamento do câmbio reforçou esse movimento. "O dólar ficou praticamente no zero a zero frente ao real, mas, quando comparado ao restante do mundo, a moeda americana caiu cerca de 0,5% diante das principais divisas globais. Isso mostra um efeito específico das tarifas sobre os ativos brasileiros", disse.
Dólar fecha estável
O dólar comercial encerrou estável frente ao real, com leve alta de 0,01%, cotado a R$ 5,078, após oscilar entre R$ 5,058 e R$ 5,080.
Ao longo da sessão, a moeda chegou a operar em queda após a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos abaixo das expectativas, reforçando a percepção de menor pressão inflacionária e reduzindo as apostas em uma alta de juros pelo Federal Reserve.
No mercado doméstico, porém, o cenário eleitoral voltou ao radar após pesquisa Genial/Quaestmostrar ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os investidores também acompanharam a expectativa de confirmação de uma tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e uma possível ampliação da lista de exceções.
O PPI americano caiu 0,3% em junho na comparação mensal, após alta de 0,6% em maio. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado. Em 12 meses, o índice acumulou alta de 5,5%. Já o núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, avançou apenas 0,1% no mês.
Petróleo fecha em alta moderada
Os contratos futuros do petróleo encerraram o dia com leves ganhos, apesar da escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã e da retomada do bloqueio naval americano aos portos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz.
O contrato do Brent para setembro subiu 0,26%, para US$ 84,95 por barril, enquanto o WTI para agosto avançou 0,33%, para US$ 79,60 por barril.
Índices de Nova York fecham em alta
Em Nova York, os principais índices encerraram a sessão em alta, impulsionados pelos dados de inflação ao produtor mais fracos que o esperado, que reforçaram a percepção de que o Federal Reserve pode manter os juros inalterados por mais tempo.
O Dow Jones subiu 0,17%, o S&P 500 avançou 0,45% e o Nasdaq ganhou 0,73%, com investidores também acompanhando a divulgação do Livro Bege do Fed e a temporada de balanços dos grandes bancos.
