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MercadosACS
31/08/2026
5 min

Ibovespa recua em agosto com risco eleitoral e fiscal de volta ao radar dos investidores

O Ibovespa (IBOV) voltou a registrar perda mensal em agosto, após acumular valorização de 3,47% em julho. O movimento refletiu a forte saída dos investidores estrangeiros, a despeito da recuperação na metade final do mês. No mês, o principal índice da bolsa brasileira recuou 0,33% e encerrou o último pregão aos 177.418,78 pontos. Já o […]

Ibovespa recua em agosto com risco eleitoral e fiscal de volta ao radar dos investidores

O Ibovespa (IBOV) voltou a registrar perda mensal em agosto, após acumular valorização de 3,47% em julho. O movimento refletiu a forte saída dos investidores estrangeiros, a despeito da recuperação na metade final do mês.

No mês, o principal índice da bolsa brasileira recuou 0,33% e encerrou o último pregão aos 177.418,78 pontos. Já o dólar à vista acumulou valorização de 2,16% sobre o real no mês e terminou a última sessão cotado a R$ 5,1801.

Por aqui, o fluxo dos investidores estrangeiros ditou os movimentos da bolsa brasileira. Em 11 de agosto, o JP Morgan rebaixou a recomendação do Brasil de overweight para neutro, mencionando o ciclo de flexibilização monetária perto do fim, ao mesmo tempo que o crescimento econômico desacelera e o ciclo de crédito se deteriora.

Depois disso, o IBOV registrou 11 quedas consecutivas. A leitura do mercado é de que os riscos fiscais e eleitorais passaram oficialmente a entrar no radar dos investidores gringos, com uma possível reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tendo baixa probabilidade de um ajuste fiscal crível.

No mês, o Morgan Stanley também passou a enxergar com mais cautela a relação entre risco e retorno no mercado brasileiro Brasil, rebaixando as ações brasileiras para neutro.

Fatores como a desaceleração econômica doméstica, as preocupações fiscais persistente e o aumento da incerteza em relação à continuidade das políticas elevando os riscos de queda — especialmente nos setores mais expostos à economia — ganharam peso na avaliação do banco.

Apesar da melhora na reta final do mês, com os dados mais benignos da inflação, o Ibovespa não conseguiu se recuperar totalmente.

A prévia de agosto registrou deflação de 0,40%, mais intensa do que o previsto por instituições do mercado financeiro, além de um qualitativo melhor, reforçando a perspectiva de mais cortes na taxa Selic.

A XP Investimentos, por exemplo, reduziu as estimativas para o juro básico em 2026 de 14% para 13,25%, com a leitura de que não deve haver pausa nos cortes, a despeito do período eleitoral.

Treasuries e Fed

No mês, o Treasury de 30 anos alcançou o maior patamar desde meados de 2002, superando os 5,3%. Com isso, títulos na Europa e ao redor do mundo passaram a operar pressionados.

Contudo, não é apenas a questão fiscal que pesa no mercado de títulos — com a dívida dos EUA ultrapassando a marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez —, mas também o aumento da concorrência com os títulos japoneses e a dívida de empresas.

Com o movimento, o Tesouro dos EUA realizou uma intervenção no mercado de títulos norte-americanos. O secretário da pasta, Scott Bessent, chegou a afirmar que dobraria as recompras de títulos de médio e longo prazo, o que pegou o mercado de surpresa.

Para o UBS GWM, a ação até pode melhorar o funcionamento do mercado de títulos, mas não resolve o desequilíbrio fiscal subjacente.

Além disso, o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Kevin Warsh, em Jackson Hole e o avanço de 0,2% do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) em julho fizeram com que as apostas por uma alta nos juros norte-americanos fossem adiantadas para setembro, pela ferramenta Fed Watch, do CME Group.

As maiores altas do Ibovespa em agosto

A SLC Agrícola (SLCE3) liderou a ponta positiva do mês de agosto no Ibovespa, com salto de 19,66%.

No período, o UBS BB elevou a recomendação para as ações da SLC de venda para neutra e aumentou o preço-alvo de R$ 13,80 para R$ 16 por ação, uma alta de 16% em relação à estimativa anterior.

A mudança de visão ocorre após o banco avaliar que os riscos de queda de produtividade provocados pelo El Niño — justamente um dos motivos que haviam levado ao rebaixamento anterior dos papéis — já estão incorporados ao preço da ação.

Apesar do upgrade, o UBS BB ainda não vê motivos suficientes para recomendar a compra de SLCE3.

Além disso, o BTG Pactual elevou o preço-alvo para as ações da SLC de R$ 20 para R$ 23, reforçando a recomendação de compra para os papéis.

Na visão do banco, uma tese que há anos se sustenta na capacidade da companhia de gerar valor ao longo dos ciclos começa agora a ganhar também um “impulso de curto prazo”, diante da recuperação dos preços das commodities agrícolas.

Confira as maiores altas:

CÓDIGO NOME VARIAÇÃO MENSAL
SLCE3 SLC Agrícola 19,66%
FLRY3 Fleury 16,46%
MRVE3 MRV 16,24%
TOTS3 Totvs 14,26%
CYRE3 Cyrela 13,52%
CSNA3 CSN 10,74%
UGPA3 Ultrapar 8,54%
EMBJ3 Embraer 7,15%
PETR4 Petrobras 6,58%
WEGE3 WEG 6,14%

Fonte: B3

As maiores quedas do índice no mês

Na ponta negativa, a Hapvida (HAPV3) despencou 41,49% após divulgar o seu balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26) abaixo do esperado. O lucro líquido ajustado, de R$ 12,5 milhões, representou um tombo de 95,8% ante o resultado registrado um ano antes.

A taxa de sinistralidade ficou em 75,2%, alta de 1,3 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

No pregão seguinte à divulgação do balanço do 2T26, a HAPV3 chegou a despencar mais de 30%.

No mês, a gestora Squadra também despachou as ações que tinha da Hapvida, representando cerca de 3,87% do total das ações ordinárias, classificando como “o maior erro de investimento” de sua história.

Confira as maiores quedas de agosto no IBOV:

CÓDIGO NOME VARIAÇÃO MENSAL
HAPV3 Hapvida -41,49%
LREN3 Lojas Renner -20,00%
POMO4 Marcopolo -14,73%
SMFT3 Smart Fit -14,21%
CSMG3 Copasa -13,90%
BRAV3 Brava Energia -13,54%
CEAB3 C&A Brasil -11,65%
VAMO3 Vamos -10,48%
PSSA3 Porto -9,82%
AZZA3 Azzas 2154 -9,56%

Fonte: B3

AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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