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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
25/09/2026
5 min

Ibovespa recua pela 3ª sessão e fecha semana em baixa de 1%; dólar vai a R$ 5,18

Petróleo cai com expectativa de acordo entre EUA e Irã, enquanto IPCA-15 acima do esperado mantém juros no radar

Ibovespa recua pela 3ª sessão e fecha semana em baixa de 1%; dólar vai a R$ 5,18

O Ibovespa fechou em baixa nesta sexta-feira, 25, pela terceira sessão consecutiva, em um pregão volátil, descolado das bolsas de Nova York. O principal índice da B3 recuou 0,27%, aos 183.476,86 pontos, após oscilar entre 182.151,01 e 184.214,48 pontos. Na semana, o índice acumulou queda de 0,95%. O volume financeiro somou R$ 15,5 bilhões nesta sexta.

O movimento refletiu a combinação de fatores locais e externos, com os investidores repercutindo o IPCA-15 acima do esperado e mantendo o cenário eleitoral no radar. No exterior, a alta dos rendimentos dos Treasuries ao longo dos últimos pregões e as incertezas em torno do petróleo também pressionaram os ativos de risco.

Entre as blue chips,  as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caíram 2%, enquanto as preferenciais (PETR4) recuaram 2,58%. A queda acompanhou o movimento do petróleo, diante da expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para uma possível reabertura do Estreito de Ormuz.

A Vale (VALE3), por sua vez, ficou praticamente estável, com ligeira alta de 0,16%, em uma sessão sem referência do minério de ferro devido a um feriado na China.

Entre os bancos, o desempenho foi positivo, mas moderado. O Itaú (ITUB4) avançou 0,62%, Bradesco (BBDC4) ganhou 0,56%, Santander (SANB11) subiu 0,51% e Banco do Brasil (BBAS3) avançou 0,23%.

Na ponta negativa do Ibovespa, Ultrapar (UGPA3) caiu 5,77%, seguida por Vibra (VBBR3), com queda de 4,96%, e Hapvida (HAPV3), que recuou 3,10%. Entre as maiores altas, Azzas (AZZA3) disparou 12,97%. Magazine Luiza (MGLU3) também subiu 7,30%, aenquanto Auren (AURE3) avançou 3,30%.

Para Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, a queda do Ibovespa reflete uma combinação de fatores locais e globais. No exterior, os rendimentos dos títulos americanos chegaram a níveis elevados, enquanto, no Brasil, o IPCA-15 acima do esperado reforçou a percepção de que os cortes de juros podem ocorrer de forma mais lenta.

"Os títulos de 10 anos estão por volta de 5,15%, valores que não vemos desde 2007", afirma Xavier. Segundo ele, a alta dos Treasuries aumenta a cautela com ativos de risco e pode reduzir a exposição dos investidores a mercados emergentes.

No cenário doméstico, o economista destaca que o fim do bônus de Itaipu contribuiu para a aceleração da inflação, com alta de 2,07% no grupo de habitação e avanço de 7,42% na energia elétrica residencial. Apesar da surpresa, ele avalia que boa parte do mercado já esperava um IPCA-15 acima das projeções e que a curva de juros já havia incorporado parte desse cenário.

"O mercado já precificava um IPCA-15 acima do esperado e não tivemos impactos muito negativos na bolsa hoje por conta disso. A curva de juros já havia precificado o pior e hoje vem cedendo em todos os vértices", diz.

O especialista acrescenta que a dinâmica dos juros futuros e do dólar combina as pressões inflacionárias domésticas coma maior cautela dos investidores estrangeiros. "A alta dos Treasuries é convidativa para investidores internacionais e tende a tirar a liquidez de mercados emergentes, possibilitando uma alta da moeda americana", diz.

No mercado de câmbio, o dólar à vista fechou em baixa de 0,23%, a R$ 5,181, após oscilar entre R$ 5,174 e R$ 5,214. Na semana, a moeda americana acumulou alta de 0,72%.

Petróleo cai firme

Os contratos futuros de petróleo caíram nesta sexta-feira diante da expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e da possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz.

Os iranianos apresentaram uma proposta para liberar a passagem em um prazo de sete dias, a partir de determinadas condições. Entre elas estão a liberação de ativos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões, a retomada das vendas de petróleo do Irã pelos americanos e o fim do bloqueio naval ao país. Também está entre as condições um cessar-fogo abrangente no Oriente Médio, incluindo o Líbano.

A questão nuclear permanece como um dos pontos mais delicados das negociações, com versões diferentes apresentadas pelos dois lados. Fontes americanas afirmam que haverá concessões, enquanto autoridades iranianas negam.

No mercado americano, a Baker Hughes informou que o número de poços e plataformas de petróleo em atividade nos Estados Unidos aumentou em três na semana, para 455.

No fechamento, o petróleo Brent para novembro caiu 2,14%, a US$ 104,32 por barril, na ICE. O WTI para o mesmo mês recuou 2,33%, a US$ 92,41 por barril, na Nymex.

Bolsas sobem em NY com alívio do petróleo

As bolsas americanas se recuperaram nesta sexta-feira, apoiadas pela queda do petróleo e pelas negociações entre Irã e Estados Unidos para uma nova trégua e a reabertura completa do Estreito de Ormuz.

O alívio na commodity e as notícias sobre as negociações amenizaram as preocupações com o quadro inflacionário e contribuíram para uma correção nos rendimentos dos Treasuries.

O Dow Jones subiu 0,93%, para 51.828,62 pontos. O S&P 500 ganhou 0,51%, para 7.743,41 pontos. O Nasdaq avançou 0,48%, para 27.068,72 pontos. Na semana, os índices acumularam ganhos de 0,28%, 1,22% e 2,06%, respectivamente.
AutorClara Assunção
FonteExame
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