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06/07/2026
6 min

Ibovespa recua pressionado por Petrobras, Vale e bancos; dólar fica estável

Ibovespa recua pressionado por Petrobras, Vale e bancos; dólar fica estável

O Ibovespa inicia a semana nesta segunda-feira, 6, em forte queda após a alta de 0,74% na sexta, 3. Por volta das 11h10, o principal índice acionário da B3 recuava 1,13%, aos 172.043 pontos. No mesmo horário, o dólar comercial rondava a estabilidade, no zero a zero, cotado a R$ 5,173, enquanto investidores repercutem indicadores econômicos e a possiblidade de novas tarifas comerciais sobre o Brasil.

Dos 78 papéis que compõem o Ibovespa, a maioria, 60 deles, estavam em queda. As baixas são lideradas por Totvs (TOTS3) e Ambev (ABEV3) com queda 2,83% e 2,64%, respectivamente. Mas as ações de maior peso na composição do índice também pressionam a referência acionária para baixo. É o caso das ações da Petrobras (PETR3) e (PETR4) que caem 1,16% e 0,92%, assim como Vale (VALE3), que também tomba 0,55%.

No setor financeiro, Itaú Unibanco (ITUB4) cede 0,73%, Bradesco (BBDC4) recua 0,97% e Banco do Brasil (BBAS3) cai 1,10%. As units do BTG (BPAC11) recuam 1,27% e do Santander (SANB11) cai 0,33%.

Na ponta positiva, Auren (AURE3) lidera os ganhos com alta de 2,25%, seguida por Cosan (CSAN3) que sobe 2,12%.

Mais cedo, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, pesquisa semanal que reúne as projeções de analistas. O destaque ficou por conta de uma leve redução na expectativa de inflação para 2026, enquanto a Taxa Selic permaneceu no mesmo patamar já precificado pelo mercado.

A projeção para a inflação, medida pelo IPCA de 2026, recuou de 5,33% para 5,30%. Já para 2027 o movimento foi na direção oposta, com a estimativa subindo de 4,17% para 4,18%. Para os anos seguintes, o índice projetado ficou em 3,70% em 2028 e em 3,50% em 2029.

No campo da atividade econômica, a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para esse ano seguiu em 1,99%. O mercado revisou para cima a projeção de 2027, que passou de 1,68% para 1,69%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%.

No exterior, investidores repercutem indicadores econômicos divulgados na Europa. Na Alemanha, as encomendas à indústria avançaram 1,9% em maio na comparação mensal, contrariando a expectativa de queda de 1% e reforçando sinais de resiliência da atividade industrial no país.

Já no Reino Unido, o Purchasing Managers' Index (PMI) da construção subiu de 38,2 para 38,4 em junho. Apesar da melhora, o indicador permaneceu abaixo de 50 pontos, sinalizando que o setor segue em contração.

Na agenda do dia, o mercado acompanha ainda os PMIs de serviços e composto dos Estados Unidos, o discurso do diretor do Federal Reserve (Fed), Christopher Waller, e os dados da balança comercial brasileira.

A audiência para debater a possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil também está no radar dos investidores. Na seção, que começa nesta segunda, haverá espaço para que autoridades e entidades possam expor seus argumentos contra e a favor a aplicação das novas taxas.

"O movimento é de cautela diante da audiência pública nos Estados Unidos sobre a possível tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. Se a medida avançar, o impacto tende a aparecer primeiro no câmbio e nas empresas mais expostas ao comércio exterior, porque o mercado passa a precificar perda de competitividade, pressão sobre margens e risco de retaliação comercial", afirma Sidney Lima, Analista CNPI da Ouro Preto Investimentos.

"O mercado não está precificando pânico, mas está exigindo mais prêmio para risco", acrescenta o analista.

Para a Bolsa, contudo, Lima diz que a leitura agora é saber se essa queda é apenas ajuste depois dos ganhos recentes ou se começa a refletir uma postura mais defensiva diante de juros, commodities, fluxo estrangeiro e incerteza comercial.

Petróleo recua

Os preços do petróleo caíam hoje cedo antes de reverterem para uma leve alta, pressionados pela decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) de ampliar as metas de produção e pelos sinais de retomada das exportações pelo Estreito de Ormuz.

No início da manhã, o West Texas Intermediate (WTI) recuava 0,55%, cotado a US$ 68,31 o barril, enquanto o Brent cedia no mesmo ritmo, a US$ 71,72. Mas, por volta das 10h40 (horário de Brasília), o WTI subia 0,23% e o Brent, 0,19%.

O cartel confirmou no domingo, 5, um novo acréscimo de 188 mil barris diários a partir de agosto, movimento que se soma às altas já implementadas em junho e julho. Com isso, o aumento acumulado desde o início do conflito no Oriente Médio chega a 940 mil barris por dia.

Wall Street tem desempenho misto

Nos EUA, S&P 500 e Nasdaq Composite mantiveram o movimento positivo, na esteira de uma semana de fortes ganhos em Wall Street. Pouco após a abertura, o S&P 500 subia 0,5% e o Nasdaq avançava 0,7%. O Dow Jones, que chegou a abrir em ligeira alta e superar pela primeira vez a marca de 53 mil pontos, virou para queda de 0,35%.

Papéis de tecnologia lideraram os ganhos do dia. O ETF setorial Technology Select Sector SPDR (XLK) subia mais de 1%, impulsionado por uma alta de 8% da Western Digital e de 6% da Teradyne. Marvell Technology e Oracle também avançavam, com ganhos superiores a 3% e 2%, respectivamente.

Na semana passada, o Dow já havia subido quase 2%, aproximando-se dos 53 mil pontos, patamar inédito para o índice. S&P 500 e Nasdaq também haviam avançado com força, 1,8% e 2,1%, respectivamente, mesmo com o desempenho fraco dos semicondutores.

Europa opera em queda ao longo do pregão

As bolsas europeias já negociam efetivamente em baixa, confirmando a tendência apontada pelos futuros no início do dia. O Stoxx 600 recuava 0,47%, a 649,73 pontos.

O DAX alemão cedia 0,17%, a 25.734,34 pontos, revertendo a leve alta esperada na abertura. Em Londres, o FTSE 100 caía 0,20%, a 10.657,40 pontos, enquanto o CAC 40 francês recuava 0,26%, a 8.485,84 pontos.

Já o FTSE MIB, da Itália, tinha a menor perda entre os pares, de 0,05%, a 52.793,37 pontos.

Ásia fecha em terreno misto

Os mercados da região Ásia-Pacífico encerraram sem direção única. O Nikkei 225, referência japonesa, teve variação praticamente nula e fechou aos 69.737,69 pontos, enquanto o Topix, índice mais amplo do país, avançou 0,92%, a 4.101,96 pontos.

Na Coreia do Sul, o Kospi recuou 0,46%, encerrando aos 8.051,33 pontos, e o Kosdaq, voltado a empresas de menor capitalização, despencou 2,46%, a 847,07 pontos. Na Austrália, o S&P/ASX 200 cedeu 0,15%, fechando em 8.831,00 pontos.

Na China, o CSI 300 ficou estável, aos 4.842 pontos, enquanto, em Hong Kong, o Hang Seng operava com alta de 0,81% na última atualização.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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