Ibovespa reverte ganhos a quatro dias da eleição; dólar sobe
Em Wall Street, os principais índices terminaram o pregão no campo positivo, enquanto os preços do petróleo fecharam o dia em direções opostas

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, 21, após oscilar entre altas e baixas ao longo do pregão, em meio à repercussão de pesquisas eleitorais e à temporada de balanços do terceiro trimestre. O principal índice da B3 recuou 0,86%, aos 206.495,23 pontos, depois de variar entre a mínima de 205.988 pontos e a máxima de 209.244,71 pontos. O volume financeiro somou R$ 24,6 bilhões.
Das 76 ações que compõem o índice, 46 terminaram o dia em baixa. Entre os papéis de maior peso, Vale (VALE3) caiu 2,15%, enquanto Petrobras (PETR3 e PETR4) também encerrou o pregão no campo negativo.
O desempenho dos bancos foi misto. O Itaú (ITUB4) e o Santander (SANB11) fecharam em alta, enquanto BTG Pactual (BPAC11) recuou mais de 1%. O Bradesco (BBDC4) terminou praticamente estável, com leve queda de 0,15%, às vésperas da divulgação de seu balanço do terceiro trimestre, prevista para a noite desta quinta-feira, 22.
Na ponta positiva, a maior alta foi da Totvs (TOTS3), que avançou 2,78%, seguida por TIM (TIMS3), com ganho de 1,73%, Marfrig (MBRF3), que subiu 1,46%, Telefônica Brasil (VIVT3), com alta de 1,40%, e Embraer (EMBJ3), que ganhou 1,11%.
Entre as maiores quedas, Hapvida (HAPV3) recuou 8,48%, seguida por WEG (WEGE3), com baixa de 7,34%, e Cogna (COGN3), que perdeu 7,08%. Marcopolo (POMO4) caiu 5,45%.
AWEG divulgou em balanço, mais cedo, um lucro líquido de R$ 1,67 bilhão no terceiro trimestre, alta de 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas abaixo dos R$ 1,71 bilhão esperados pelo mercado, segundo levantamento da LSEG. As ações reagiram negativamente aos números, com atenção também às margens da companhia, que ficaram abaixo das expectativas.
Pesquisa Quaest mantém investidores cautelosos
O cenário eleitoral continuou no radar dos investidores. Apesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto no segundo turno, ante 44% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos, configurando empate técnico.
Outros levantamentos também indicaram uma disputa apertada. A pesquisa Palver apontou Flávio com 50% das intenções de voto, contra 48% de Lula. Já olevantamento Meio/Ideia mostrou Flávio com 51,1% dos votos válidos e Lula com 48,9%, também em empate técnico.
Para Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, a movimentação da bolsa reflete diretamente as expectativas sobre o resultado eleitoral e seus possíveis efeitos sobre as contas públicas. “O investidor está se posicionando de acordo com as probabilidades de vermos as contas públicas brasileiras sendo ajustadas”, afirma.
Segundo o analista, a percepção de maior probabilidade de reeleição de Lula tende a aumentar a cautela e estimular a busca por proteção ou investimentos considerados mais previsíveis, como a renda fixa. Nesse contexto, as pesquisas eleitorais ajudam a orientar o nível de exposição dos investidores à renda variável.Xavier avalia que o mercado deve adotar uma postura mais defensiva até o segundo turno, marcado para este domingo, 25. “Não haverá grandes movimentos de alocação em um cenário tão próximo da eleição”, diz. Na avaliação do especialista, os investidores devem aguardar o resultado para fazer eventuais ajustes nas carteiras, enquanto a volatilidade pode aumentar a partir da próxima semana.
O comportamento dos juros futuros também está ligado às expectativas sobre a política fiscal, acrescenta o especialista. Apesar do recuo observado nesta quarta-feira, as taxas seguem em patamares próximos aos dos últimos pregões, sem mudanças expressivas.
Dólar sobe após sessão volátil
O dólar à vista fechou em leve alta diante do real nesta quarta-feira, após oscilar durante a sessão em meio à cautela provocada pelo cenário eleitoral. A moeda americana avançou 0,17%, a R$ 5,027, depois de variar entre R$ 5,012 e R$ 5,043.
A disputa acirrada pelo Palácio do Planalto manteve a busca por proteção no câmbio, enquanto investidores também avaliaram oportunidades em outros mercados. Para Xavier, o fluxo internacional de recursos é outro fator importante para a moeda brasileira, especialmente durante a temporada de balanços nos Estados Unidos.
Petróleo fecha sem direção única
Os contratos futuros de petróleo terminaram a quarta-feira sem uma direção única, em meio à expectativa de avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã. A possibilidade de diálogo dividiu espaço com as preocupações sobre a oferta global, diante dos riscos de interrupção do abastecimento no Oriente Médio.
Os dados de estoques americanos também influenciaram as negociações. Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE), as reservas de petróleo bruto caíram 3,061 milhões de barris na semana passada, para 412,517 milhões.
No fechamento, o contrato do Brent para dezembro ficou praticamente estável, com alta de 0,03%, a US$ 108,82 por barril na ICE. Já o WTI para o mesmo mês caiu 0,68%, a US$ 97,15 por barril na Nymex. O petróleo acima de US$ 100 por barril no mercado internacional continua entre os fatores de desconforto para os investidores, segundo Xavier, ao lado dos juros americanos elevados.Bolsas de Nova York fecham em alta com balanços de tecnologia
Em Wall Street, os principais índices terminaram o pregão no campo positivo, com investidores acompanhando os resultados corporativos e as perspectivas para o setor de tecnologia. O Dow Jones subiu 0,69%, aos 52.856,09 pontos. O S&P 500 avançou 0,58%, aos 7.757,17 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 1,05%, aos 26.702,86 pontos.A temporada de balanços das grandes empresas de tecnologia segue no centro das atenções, especialmente diante dos investimentos em inteligência artificial. Para Xavier, os resultados e as projeções das companhias ajudam a avaliar se o ciclo de expansão do setor continua forte ou começa a perder fôlego.
Entre os destaques corporativos, a Netflix caiu 5,31%, apesar dedivulgar lucro por ação de US$ 0,87, acima dos US$ 0,82 esperados pelo mercado. A receita de US$ 12,87 bilhões ficou em linha com as estimativas.
A pressão sobre os papéis veio, entre outros fatores, da revisão para baixo da previsão de receita com publicidade em 2026. A empresa reduziu a projeção de US$ 3 bilhões para US$ 2,7 bilhões e reconheceu a preocupação dos investidores com o tempo de tela. No trimestre, a companhia também recomprou US$ 4,8 bilhões em ações, um recorde trimestral.
Na direção oposta, a SpaceX avançou 7,79% após divulgar lucro líquido de US$ 4,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026,revertendo o prejuízo de US$ 1,05 bilhão registrado um ano antes. Foi o segundo balanço da companhia desde sua estreia na Nasdaq, em junho. No segundo trimestre deste ano, a empresa havia registrado prejuízo de US$ 541 milhões.
A temporada de resultados americanos permanece no radar dos mercados globais, enquanto investidores avaliam as perspectivas de lucro e investimento das gigantes de tecnologia em um ambiente de juros elevados e petróleo ainda acima de US$ 100 por barril.
