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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
19/08/2026
5 min

Ibovespa rompe ciclo de 11 quedas e fecha em alta de quase 1%

O dólar também recuou em meio ao enfraquecimento global da moeda americana após o Tesouro dos EUA anunciar o aumento das operações de recompra de títulos de longo prazo

Ibovespa rompe ciclo de 11 quedas e fecha em alta de quase 1%

O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira, 19, após acumular 11 pregões consecutivos de perdas, em um movimento de recuperação puxado principalmente pelo cenário externo. O principal índice da bolsa brasileira subiu 0,90%, aos 167.830 pontos, após oscilar entre a mínima de 166.334,73 e a máxima de 170.340,60 pontos. O volume financeiro somou R$ 19,6 bilhões.

O dólar à vista também recuou, em meio ao enfraquecimento global da moeda americana após oTesouro dos Estados Unidos anunciar o aumento das operações de recompra de títulos de longo prazo. A moeda estadunidense fechou em queda de 0,87%, a R$ 5,176, depois de oscilar entre R$ 5,1566 e R$ 5,2112.

O movimento representou um alívio para os mercados globais depois do estresse recente nos juros longos dos Estados Unidos. O Tesouro americano anunciou que elevará de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões o limite máximo das operações de recompra de Treasuries, com o objetivo de dar suporte à liquidez dos títulos de prazo mais longo.

Para Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, a alta da bolsa brasileira deve ser vista como um repique técnico, e não como uma reversão da tendência recente.

"Foi um alívio externo e temporário, mas nada de uma solução doméstica", afirmou. Segundo Gass, os fatores que pressionaram a bolsa em agosto continuam presentes, como o fluxo estrangeiro negativo, a incerteza eleitoral, o risco fiscal e a Selic ainda em 14% ao ano.

"O Ibovespa sobe hoje por um motivo externo, bem específico, não por uma mudança no cenário doméstico", disse Gass. Para ele, uma mudança mais estrutural dependeria principalmente da retomada consistente das compras por investidores estrangeiros, o que ainda não ocorreu.

Commodities e bancos ajudam na recuperação

Entre as principais ações, Vale (VALE3) subiu 0,81%, acompanhando a valorização do minério de ferro. Petrobras também terminou o dia em alta, com ganho de 1,20% nas ações preferenciais (PETR4) e de 1,28% nas ordinárias (PETR3), em meio à alta do petróleo.

No setor financeiro, Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 0,47%, Banco do Brasil (BBAS3) subiu 1,57% e BTG Pactual (BPAC11, do mesmo grupo controlador da EXAME) ganhou 0,58%. Bradesco (BBDC4), porém, recuou 0,62%, enquanto Santander Brasil (SANB11) caiu 1,88%.

Na ponta positiva, Cosan (CSAN3) teve a maior alta do Ibovespa, de 8,31%, seguida por Marfrig (MBRF3), com avanço de 7,65%, e Minerva (BEEF3), que subiu 6,57%.

Entre as maiores quedas, Magazine Luiza (MGLU3) recuou 5,37%, Gerdau (GGBR4) caiu 5,21% e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) teve baixa de 4,60%..

Ata do Fed mostra divisão sobre juros

A ata da reunião de julho do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), divulgada nesta quarta-feira, mostrou um tom mais duro do que parte do mercado esperava. Embora a maioria dos dirigentes tenha defendido a manutenção dos juros, alguns integrantes argumentaram a favor de uma alta para evitar a necessidade de um aperto maior mais adiante.

Gass chamou atenção para o fato de que a ata mostra que os defensores de uma alta não estavam simplesmente isolados. "O argumento é o clássico de antecipação: você aperta um pouco agora para não precisar apertar muito depois", afirmou.

Outro ponto destacado pelo especialista foi a avaliação de dirigentes de que a inflação recente foi disseminada. Para o chefe de alocação, isso fortalece o argumento por uma política monetária mais restritiva, já que uma inflação generalizada pode indicar pressões mais persistentes de demanda. A ata também mostrou que as condições financeiras já refletem parte das expectativas de juros do mercado.

Petróleo fecha em alta com tensão no Oriente Médio

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira, com o mercado acompanhando o ritmo lento das negociações para uma solução doconflito no Oriente Médio e a situação no Estreito de Ormuz.

O Brent para outubro subiu 0,66%, a US$ 91,62 por barril, na ICE, enquanto o WTI para setembro avançou 1,05%, a US$ 85,83 por barril, na Nymex.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que negociações com o Irã podem ocorrer em algum momento. Enquanto isso, o tráfego no Estreito de Ormuz segue lento, segundo dados de monitoramento marítimo.

A tensão aumentou ainda após os Emirados Árabes Unidos anunciarem a suspensão de transações financeiras e econômicas com o Irã, acusando Teerã de ter utilizado dois mísseis balísticos contra o país.

Wall Street fecha em alta após queda dos juros longos

As bolsas de Nova York encerraram o dia em alta, também beneficiadas pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries após a atuação anunciada pelo Tesouro americano.

O Dow Jones subiu 0,22%, aos 53.463,05 pontos. O S&P 500 avançou 0,21%, aos 7.707,98 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 0,16%, aos 26.331,09 pontos.

O rendimento dos títulos de 30 anos, que havia atingido na terça-feira o maior nível em 19 anos, acima de 5,33%, recuou quase nove pontos-base. O retorno dos Treasuries de dez anos também caiu. A queda dos juros longos tende a favorecer especialmente empresas de crescimento, já que reduz a taxa de desconto utilizada para calcular o valor presente dos lucros futuros.

AutorClara Assunção
FonteExame
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