Ibovespa salta 5% em setembro com o mercado de olho nas eleições; veja maiores altas e baixas no mês
Com a proximidade das eleições e a retomada do fluxo estrangeiro, o Ibovespa (IBOV) voltou ao território positivo em setembro, após ter acumulado queda de 0,33% em agosto. No mês, o principal índice da bolsa brasileira subiu 5,03% e encerrou o último pregão aos 186.340,46 pontos. Já o dólar à vista acumulou desvalorização de 0,10% […]

Com a proximidade das eleições e a retomada do fluxo estrangeiro, o Ibovespa (IBOV) voltou ao território positivo em setembro, após ter acumulado queda de 0,33% em agosto.
No mês, o principal índice da bolsa brasileira subiu 5,03% e encerrou o último pregão aos 186.340,46 pontos.
Já o dólar à vista acumulou desvalorização de 0,10% sobre o real no mês e terminou a última sessão cotado a R$ 5,1750.
Por aqui, a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, segue acirrada e sem um vencedor claro, segundo as pesquisas eleitorais.
Já os mercados preditivos, proibidos no Brasil, indicam uma vantagem do senador sobre Lula. Para os agentes financeiros, uma eventual consolidação desse cenário poderia abrir espaço para uma reação positiva dos ativos brasileiros.
- LEIA MAIS EM: 50/50 entre Lula e Flávio Bolsonaro: por que o mercado mudou de aposta e o que isso significa para Bolsa e dólar
Outro patrocinador da forte valorização no mês veio do exterior: os estrangeiros voltaram a comprar Bolsa brasileira. Em setembro até o último dia 25, os gringos aportaram R$ 9,4 bilhões, recuperando a forte saída registrada no mês anterior. No ano, o saldo é positivo em R$ 27,7 bilhões, segundo dados da B3.
A política monetária também dividiu as atenções. O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, a quinta flexibilização dos juros e, mais uma vez, a decisão foi unânime. O corte também veio em linha com o esperado pelo mercado.
Desta vez, o colegiado trouxe poucas novidades em comparação com o comunicado de agosto e, na avaliação do mercado, deixou a porta aberta para novos cortes.
Crise no Supremo Tribunal Federal (STF), desdobramentos do Caso Master e reajuste do Bolsa Família também foram alguns temas que movimentaram os mercados no último mês.
Todos os olhos nos EUA
As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã para pôr fim aos conflitos no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz continuaram em um impasse e sem perspectiva de uma resolução no curto prazo. Com isso, o petróleo Brent manteve-se acima de US$ 100 por barril.
Os temores de que os preços de energia mais altos tenham reflexo na inflação elevaram os juros dos títulos soberanos nos Estados Unidos.
O rendimento (yield) do título do Tesouro, Treasury, de 30 anos, referência para hipotecas de longo prazo, atingiu o maior nível desde 2002, enquanto o yield do título de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, renovou as máximas em 19 anos.
Na entrevista coletiva após a decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, manteve um tom ‘hawkish’ ao afirmar que a “inflação está muito alta e já está assim há muito tempo”. “Os índices de inflação deste verão não me indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente”, acrescentou.
Os índices de Wall Street tiveram um saldo misto em setembro: o Dow Jones recuou 4,34%, o S&P 500 caiu 0,25% eo Nasdaq acumulou alta de 2,21%.
As maiores altas do Ibovespa em setembro
Magazine Luiza (MGLU3) saltou mais de 50%, figurando como a ação de melhor desempenho em setembro.
No início do mês, a varejista anunciou uma parceria com o Mercado Livre (MELI34) para oferecer produtos de estoque próprio (1P) das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos dentro da plataforma de marketplace do Meli.
Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou uma medida que proibia a comercialização, distribuição e propaganda de medicamentos pela varejista.
Há ainda a perspectiva de que os juros menores beneficiem a companhia. Em relatório recente, o JP Morgan afirmou que Magalu, por ser uma das empresas mais alavancadas na cobertura do banco, apresenta elevada sensibilidade à queda de juros e do custo de capital próprio.
Na análise de sensibilidade, para cada variação de 100 pontos-base nos juros em relação ao cenário-base, o EPS (lucro por ação) se altera em 10% e 5% para MGLU3 e ASAI3, respectivamente, considerando os números estimados para 2028, enquanto essa variação seria de aproximadamente 2% em média para os demais varejistas, que em sua maioria possuem baixa alavancagem.
Os modelos já incorporam cortes de juros, com taxa básica de juros (Selic) média de 11,25% em 2028 e encerramento do ano em 10,5%.
Confira as maiores altas:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO MENSAL |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | 55,09% |
| VAMO3 | Vamos ON | 43,81% |
| ASAI3 | Assaí ON | 29,50% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | 27,61% |
| CEAB3 | C&A Modas ON | 20,55% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | 17,16% |
| AZZA3 | Azzas 2154 | 16,96% |
| RENT3 | Localiza ON | 16,88% |
| AURE3 | Auren ON | 16,35% |
| FLRY3 | Fleury ON | 15,80% |
As maiores quedas do índice no mês
Na ponta negativa, Natura (NATU3) registrou queda de quase 24% em setembro, sendo uma das ações com maior taxa de aluguel entre as listadas no IBOV.
No último pregão do mês, o JP Morgan rebaixou a classificação daNatura (NATU3) de Overweight (equivalente à compra) para Neutra e substituiu o preço-alvo de R$ 11, para dezembro de 2026, por R$ 8,50, para dezembro de 2027.
O banco considera esse espaço limitado diante de uma revisão negativa de cerca de 15% nas estimativas de lucro por ação (EPS) e do aumento do custo de capital (Ke), em meio à alta dos juros nos Estados Unidos.
A equipe de analistas do banco cita três razões para a atualização. A primeira delas é a não concretização da tese de melhora da geração de caixa da companhia. Somado a isso, está um valuation não atrativo em relação aos seus pares.
Por fim, a Natura atravessa um fraco momento operacional, além de problemas de execução, e os analistas do banco colocam uma nova rodada de reestruturação (turnaround) no radar.
Confira as maiores quedas de setembro no IBOV:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO MENSAL |
| NATU3 | Natura ON | -22,77% |
| TEND3 | Tenda ON | -18,40% |
| CMIN3 | CSN Mineração ON | -15,37% |
| CURY3 | Cury ON | -14,91% |
| VALE3 | Vale ON | -10,20% |
| DIRR3 | Direcional ON | -9,08% |
| MBRF3 | MBRF ON | -8,11% |
| BRAP4 | Bradespar PN | -8,05% |
| RADL3 | RD Saúde ON | -6,28% |
| USIM5 | Usiminas PNA | -6,16% |
