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InvestMercadosACS
17/06/2026
5 min

Ibovespa segue NY e cai após mercado reduzir apostas em corte de juros nos EUA

Ibovespa segue NY e cai após mercado reduzir apostas em corte de juros nos EUA

O Ibovespa perdeu força após a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) e fechou em queda nesta quarta-feira, 17. O índice chegou a subir mais de 1% ao longo da sessão, impulsionado pelo alívio com o petróleo e pela expectativa em torno das decisões de juros nos EUA e no Brasil, mas inverteu o sinal após o BC reforçar um tom mais hawkish de combate à inflação por meio do aumento dos juros.

No fechamento, o principal índice da B3 recuou 0,70%, aos 168.453 pontos, com giro financeiro de R$ 28,8 bilhões. No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,42%, cotado a R$ 5,108.

A moeda americana também ganhou força após o Fed manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas sinalizar que parte relevante dos dirigentes da autoridade monetária ainda vê espaço para novas elevações dos juros neste ano.

Já o petróleo interrompeu a sequência de fortes quedas com investidores à espera da assinatura do acordo entre EUA e Irã, previsto inicialmente para esta sexta, 19, na Suíça. Fontes do governo americano cogitaram a possibilidade de antecipar a assinatura para esta quinta, 18, mas não há nada confirmado. A

o longo do dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer ameaças de ataque ao Irã, caso o país não “se comporte” e desrespeite os termos do acordo. Assim o Brent para agosto subiu 0,74%, a US$ 79,55, e o WTI para julho avançou 0,97%, a US$ 76,79 por barril.

A alta da commodity não impediu, no entanto, uma nova queda das ações da Petrobras. Os papéis preferenciais (PETR4) fecharam estáveis com ligeira queda de 0,08%, enquanto as ações ordinárias (PETR3) cederam 0,90%.

A queda da estatal se somou ao desempenho negativo de outras empresas relevantes da bolsa. As ordinárias da Vale (VALE3) caíram 2,21%, enquanto parte das ações dos grandesbancos fecharam em direções opostas. As preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) subiram 0,87%, assim como as units do Santander (SANB11), que subiram 0,48%.

Já as preferenciais do Bradesco (BBDC4) e as units do BTG (BPAC11) recuaram 0,17% e 0,51%, respectivamente. As ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) fecharam em leve alta de 0,15%.

Fed reforça discurso duro contra inflação

A atenção dos investidores esteve concentrada na primeira decisão de política monetária sob o comando de Kevin Warsh no Federal Reserve. Como esperado, o banco central americano manteve os juros inalterados. O que chamou atenção foi o chamado "dot plot", que mostrou nove dos 18 integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) projetando novas altas de juros nos próximos meses.

Além disso, durante a coletiva de imprensa, Warsh afirmou que a possibilidade de corte de juros sequer foi discutida na reunião desta quarta-feira, reforçando a prioridade da autoridade monetária no combate à inflação.

Para Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da Stratton Capital, gestora americana sediada em Nova York, a decisão veio em linha com o esperado, mas com um viés claramente mais duro.

"O comunicado veio dentro do esperado em tom hawkish. O comitê decidiu de forma unânime manter a taxa de juros inalterada em 3,75%. O destaque, na minha visão, fica por conta do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, optar por não divulgar sua projeção de juros no dot plot, posição consistente com sua visão crítica sobre essa mecânica", afirma.

Segundo Flores, o gesto reforça a percepção de que o Fed passa por um processo de transformação institucional sob a nova liderança. "Acredito que o gesto reforça que estamos diante de um Fed em transformação, com potenciais mudanças estruturais à frente."

Na avaliação do especialista, o comunicado deixou claro que o foco principal continua sendo a estabilidade dos preços. "No geral, eu acho que o texto foi mais para hawkish do que para dovish. Existe a possibilidade real de aumento na taxa básica de juros nas próximas reuniões porque o comunicado deixou claro que a prioridade é entregar estabilidade nos preços."

O resultado imediato foi uma reação negativa dos mercados globais. "Com isso, o S&P passou a cair, os Treasuries abriram um pouquinho e o dólar ficou mais forte. O Fed também entende que a economia americana continua expandindo e está sólida, o que reforça uma postura mais inclinada a subir juros do que mantê-los estáveis", diz.

Flores pondera que a desaceleração das tensões no Oriente Médio pode reduzir parte das pressões inflacionárias observadas recentemente e abrir espaço para uma leitura diferente nas próximas reuniões. "Mas, por enquanto, pelo que a gente viu aqui, o texto é hawkish."

Apesar disso, o analista avalia que a decisão não altera a perspectiva positiva para os lucros das empresas americanas. "Acredito também que a decisão do Fed não altera o ciclo de lucros positivo nos Estados Unidos. O investidor deve manter suas posições, sempre observando o fundamento das suas alocações."

Ele destaca ainda os diferentes impactos de um cenário de juros elevados por mais tempo sobre os mercados. "É negativo para a bolsa americana, cujo custo de capital aumenta; positivo para o DXY, beneficiado pelo diferencial de juros mais alto; e negativo para os Treasuries, que precisam ajustar seus preços para refletir esse novo patamar de taxas."

Bolsas de Nova York fecham em queda após decisão do Fed

Os principais índices acionários dos Estados Unidos encerraram o pregão em queda depois que a decisão do Fed e o novo gráfico de projeções reforçaram a expectativa de juros elevados por mais tempo.

O índice Dow Jones caiu 0,98%, aos 51.492,55 pontos. O S&P 500 recuou 1,21%, para 7.420,10 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 1,34%, encerrando aos 26.021,66 pontos.

Além da queda das bolsas, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avançou, enquanto os rendimentos dos Treasuries subiram, refletindo a reprecificação das expectativas para a trajetória dos juros americanos.

AutorClara Assunção
FonteExame
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