Ibovespa sobe com bancos e dólar cai à espera de decisões do Fed e Copom

O Ibovespa opera em alta nesta quarta-feira, 17, em uma sessão marcada pela expectativa dos investidores que estão em compasso de espera para a chamada "superquarta", quando Federal Reserve (Fed) e Comitê de Política Monetária (Copom) anunciam suas decisões sobre juros. Por volta das 10h46, o principal índice acionário da B3 subia 0,69%, aos 170.921 pontos, e o dólar comercial recuava frente ao real caindo 0,48%, a R$ 5,062.
A expectativa predominante é de manutenção das taxas nos Estados Unidos, enquanto o consenso do mercado aponta para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,5% ao ano.
O movimento positivo na bolsa sucede um pregão de realização na terça-feira, 16, quando o Ibovespa caiu 0,45%, aos 169.648 pontos, pressionado pelo recuo das ações da Petrobras após a forte queda do petróleo no mercado internacional.
Dos 78 papéis que compõem o Ibovespa, apenas seis estavam em queda, entre elas, a Vale (VALE3), que recuava 0,97% acompanhando a queda do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China, onde cai 2,61%. As ações da CSN (CSNA3) também recuavam 3,65%, a maior queda do dia até o momento, acompanhando de papéis do setor como Gerdau e Usiminas.
Já entre as demais blue chips, as ações da Petrobras acompanhavam a volatilidade do petróleo e registravam ligeira queda de 0,13% (PETR4) e 0,28% (PETR3).
No setor financeiro, os bancos davam sustentação ao Ibovespa, com a maioria em alta. As preferenciais do Itaú (ITUB4) avançam 1,46%; Bradesco, 1,25% (BBDC4), BTG Pactual (BPAC11) também sobe 0,79%, enquanto Banco do Brasil (BBSA3) registra alta de 0,93%. Santander (SANB11) acompanha o movimento com alta de 1.29%.
Já Cosan (CSAN3), Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) lideram os ganhos do dia com alta de mais de 3%.
Hoje, no Brasil, o IBC-Br, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,52% no mês, resultado ligeiramente abaixo das projeções, mas ainda apontando para resiliência da atividade econômica. Já nos EUA, as vendas no varejo cresceram 0,9% em maio, superando a expectativa de alta.
Além da decisão do Fed, investidores monitoram ainda os dados de vendas de moradias existentes e os estoques semanais de petróleo nos EUA ao longo da sessão.
No Reino Unido, a inflação ao consumidor permaneceu em 2,8% em maio, abaixo da expectativa de mercado. Na zona do euro, o índice acelerou para 3,2% na comparação anual, confirmando as estimativas preliminares e permanecendo acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE).
Petróleo tenta estabilidade após forte queda
O barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subia 0,80%, para US$ 76,66. Já o Brent, parâmetro global da commodity, avançava 0,91%, negociado a US$ 79,68 por barril, após acumularem duas sessões consecutivas de forte queda.
O movimento reflete a avaliação dos investidores sobre o acordo de paz entre EUA e Irã, que reduziu os temores sobre interrupções prolongadas na oferta global da commodity. Além disso, o presidente Donald Trump disse que o acordo ainda não está totalmente concluído.
A recuperação também permanece limitada pelas dúvidas em relação à retomada completa do tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Analistas destacam que o mercado vem retirando, gradualmente, o prêmio de risco geopolítico embutido nas cotações desde o anúncio do acordo, mas ressaltam que a normalização da produção e da logística pode levar semanas ou até meses.
Europa opera mista após alerta da BMW
As bolsas da Europa apresentam desempenho misto nesta manhã, pressionadas pelo setor automotivo. O movimento negativo é liderado pelas ações da BMW, que chegaram a despencar mais de 7% após a montadora alemã divulgar um alerta sobre seus resultados, com demanda chinesa fraca e impactos da guerra.
O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,25%, aos 637,61 pontos. Entre os principais mercados da região, o CAC 40, da França, subia 0,04%, enquanto o FTSE MIB, da Itália, operava estável. Na ponta negativa, o DAX, da Alemanha, recuava 0,19% com o impacto da BMW, enquanto o FTSE 100, de Londres, caía 0,18%.
Ásia fecha sem direção definida antes do Fed
Os mercados asiáticos encerraram o pregão sem uma tendência única, refletindo a cautela dos investidores diante da decisão de juros do Fed. No Japão, o Nikkei 225 avançou 0,72% e renovou máximas históricas. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 1,58%. Em sentido oposto, o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,7%.
Wall Street aguarda estreia de Kevin Warsh
Os principais índices de Wall Street operam em ligeira alta, mas rondando a estabilidade, nesta quarta-feira, enquanto investidores aguardam a decisão de política monetária do Fed. O S&P 500 avançava 0,16%, o Nasdaq subia 0,22% e o Dow Jones ganhava 0,35%.
Além da decisão sobre os juros, o mercado acompanhará a divulgação do Summary of Economic Projections (SEP) e do chamado "dot plot", documento que reúne as projeções dos dirigentes da autoridade monetária para inflação, crescimento econômico, desemprego e taxa de juros.
A entrevista coletiva de Warsh, marcada para as 15h30, também estará no radar dos investidores, especialmente diante das expectativas sobre o ritmo de eventuais cortes de juros nos próximos meses.
