Ibovespa sobe com expectativa de novos cortes de juros; dólar opera abaixo dos R$ 5,20

Após abrir o dia em queda, o Ibovespa virou e opera a sessão desta sexta-feira, 26, em alta de 0,73% aos 173.243 pontos. Ontem, o principal índice de referência acionária da B3 fechou em alta de 0,89%, recuperando os 172 mil pontos. Já o dólar opera abaixo dos R$ 5,20, sendo cotado a R$ 5,16 às 12h30.
Dos 78 papéis que compõem o Ibovespa, 10 operavam em baixa, 15 estavam estáveis e 53 avançavam. Entre as ações de maior peso no índice, a Petrobras acompanhava a fraqueza do petróleo no mercado internacional, com queda de 1,07% nas ações preferenciais (PETR4). Já a Vale (VALE3) recuava 0,08%.
No setor financeiro, o desempenho era majoritariamente positivo, o que impulsiona o índice para cima. As ações preferenciais do Itaú (ITUB4) subiam 1,70%, enquanto as do Bradesco (BBDC4) avançavam 2,27%. As ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) tinham alta de 1,45%, as units do BTG Pactual (BPAC11) ganhavam 0,70% e as units do Santander (SANB11) avançavam 1,26%.
Entre os maiores ganhos do pregão, o destaque ficava para Marfrig (MRFG3), com alta de 4,68%, seguida por Assaí (ASAI3), com 3,72%, e Totvs (TOTS3), que avançava 3,53%. Na ponta negativa, Braskem (BRKM5) liderava as perdas, com queda de 7,48%, seguida por Azzas (AZZA3), com 4,13%, e Suzano (SUZB3), que recuava 3,52%.
Nos EUA, os mercados operam sem direção única, com o S&P 500 avançando 0,08%, o Nasdaq caindo 0,62% e o Dow Jones ganhando 0,12%. Pela manhã, no entanto, todos os índices recuavam influenciados pelas empresas de tecnologia. Há relatos de que a OpenAI estaria avaliando adiar sua abertura de capital, em meio a preocupações com o custo crescente da infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Menor expectativa inflacionária ajuda a bolsa
Segundo Gustavo Cruz, economista, o avanço do Ibovespa nesta sexta-feira reflete a combinação entre a decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) e o recuo das commodities — com o petróleo caindo mais de 4% hoje —, fatores que aliviaram as expectativas para a inflação e os juros no segundo semestre.
"O mercado está lendo que, depois do Copom e da queda mais intensa das commodities nesta semana, com o petróleo voltando para níveis próximos aos de antes da guerra, pode haver um alívio importante para o Banco Central no segundo semestre", afirma.
"Ao longo de boa parte do primeiro semestre, o cenário foi de revisões constantes para cima das projeções de inflação e juros, com a curva de juros sempre pressionada. Agora, esse alívio na curva ao longo da semana acaba impulsionando a bolsa."
Na avaliação de Cruz, se esse cenário de inflação mais comportada e juros menos pressionados se mantiver, o mercado acionário poderá continuar sendo beneficiado nos próximos meses.
Rodrigo Marcatti economista e CEO da Veedha Investimentos, acrescenta que o discurso de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), ontem, também favorece a bolsa. “O principal motivo é o aumento das apostas por novos cortes de juros em agosto. Depois da entrevista que o Galípolo deu, isso ficou mais provável”.
IPCA-15 e fluxo estrangeiro reforçam apetite por risco
A divulgação de um IPCA-15 abaixo do esperado e a retomada do fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira também sustentam a alta do Ibovespa nesta sexta-feira, segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
"Aqui no Brasil, isso ajuda a reduzir as preocupações e a gente vê a curva de juros devolvendo prêmios, com uma confiança renovada no Banco Central e no compromisso da autoridade monetária com a meta de inflação", afirma.
Segundo Perri, outro fator relevante é a volta do investidor estrangeiro para a bolsa brasileira. "A Bolsa ainda está em um patamar atrativo e a gente tem observado um fluxo estrangeiro vindo em direção ao Brasil. Depois de semanas de saídas intensas, hoje já temos informações de fluxo estrangeiro positivo", diz.
Na avaliação do economista, esse movimento tem beneficiado principalmente as ações de maior liquidez. "Esse fluxo está concentrado sobretudo nas blue chips. Com exceção das empresas ligadas a commodities, quando olhamos para as companhias mais líquidas, especialmente do setor financeiro, elas estão subindo bastante”, comenta.
A queda da curva de juros também favorece varejistas, incorporadoras e empresas de utilities, o que acaba sustentando um dia bastante positivo para a bolsa.
