Ibovespa sobe com o apoio de ações dos bancos; dólar cai

O Ibovespa iniciou a semana no campo positivo em meio ao alívio nos preços do petróleo e nos juros futuros. Por volta das 11h, o principal índice acionário da B3 subia 0,86%, aos 169.840 pontos nesta segunda-feira, 22, repercutindo também o Boletim Focus, divulgado mais cedo, que elevou novamente as projeções para inflação e taxa Selic no ano.
A melhora do humor externo também é favorecida pelo avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã, o que ajuda os ativos de risco. No mesmo horário, o dólar comercial recuava 0,34%, negociado a R$ 5,146, acompanhando a melhora do apetite por risco no exterior e a valorização de moedas emergentes.
Dos 78 papéis que compõem o índice são as ações do setor financeiro que sustentam a alta. As ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) sobem mais de 2%, assim como as Bradesco (BBDC4), que sobem 1,55% e as ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3), com alta de 1,39%. As units do BTG (BPAC11) e Santander (SANB11) também avançam 3,71% e 0,37%, respectivamente.
Já os pesos-pesados do índice, Vale (VALE3) e as preferenciais da Petrobras (PETR4) operam estáveis com ligeira alta de 0,01%, no caso da mineradora, e leve queda de 0,05%, na estatal. Por outro lado, os papéis ordinários da petrolífera (PETR3) caem 0,72%.
O destaque positivo é a Azzas 2154 (AZZA3), que disparava mais de 8%, seguida por Yduqs (YDUQ3), 4,73%; BTG Pactual, do mesmo grupo controlador da EXAME, e Hapvida (HAPV3), 2,81%. Na ponta negativa, estão Braskem (BRKM5); Suzano (SUZB3) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) que perdem mais de 1%.
Repercussão do Boletim Focus
Investidores repercutem a divulgação do Boletim Focus. Os economistas elevaram pela 15ª semana consecutiva a projeção para a inflação de 2026. A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,30% para 5,33%.
Para 2027, a estimativa avançou de 4,10% para 4,15%, enquanto as projeções para 2028 e 2029 ficaram em 3,70% e 3,50%, respectivamente. O mercado também revisou para cima a expectativa para a taxa Selic em 2026, de 13,75% para 14%.
Um dos temas acompanhados pelos investidores é a viagem do ministro da Fazenda, Dario Durigan, à China. Ele discutirá a possibilidade de emissão dos chamados "panda bonds", títulos de dívida emitidos por governos ou empresas estrangeiras diretamente no mercado doméstico chinês e denominados em yuan.
Mercado avalia impacto externo
O diretor de câmbio da Ourominas, Elson Gusmão, vê que a bolsa permanece sensível às questões geopolíticas e ao comportamento das commodities. "O investidor continua olhando para o petróleo, para as negociações entre EUA e Irã e para o impacto disso sobre inflação global, juros americanos e moedas emergentes."
Já o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, avalia que a melhora do sentimento internacional precisa ser acompanhada por fatores domésticos mais positivos, como perspectivas de queda de juros e retomada intensa do fluxo estrangeiro.
"Hoje, o investidor vê uma janela positiva no exterior, mas ainda não encontra no Brasil um gatilho doméstico forte o suficiente para aumentar risco de forma mais agressiva", analisa junto à EXAME.
Petróleo perde força com EUA-Irã
Os preços do petróleo ampliam as perdas após avanços nas negociações entre EUA e Irã reduzirem os temores sobre interrupções na oferta global. O Brent, referência internacional, recua 2,65%, para US$ 77,93 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) cai 2,27%, negociado a US$ 74,13.
Mais cedo, a commodity chegou a superar US$ 82 por barril após ameaças do presidente Donald Trump de retomar operações militares contra o Irã e diante do anúncio iraniano sobre o fechamento do Estreito de Ormuz.
Segundo o analista do UBS, Giovanni Staunovo, ouvido pela Reuters, o avanço das conversas na Suíça é o principal fator por trás da queda dos preços. Além disso, a perspectiva de aumento da oferta também contribui para o recuo das cotações.
Bolsas internacionais em diferentes direções
Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançava 0,36%, enquanto o Dow Jones subia 0,48%. Já o Nasdaq Composite rondava a estabilidade com ligeira alta de 0,10%, com investidores avaliando os desdobramentos geopolíticos e aguardando novos indicadores de inflação que podem influenciar os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão em direções mistas. O índice Nikkei 225, do Japão, renovou máxima histórica ao subir 1,55%, aos 72.353,96 pontos. Na China continental, o CSI 300 avançou 2,39%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,63%. Na Coreia do Sul, o Kospi registrou alta de 0,69%.
Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,43%, aos 638,34 pontos. Entre as principais bolsas da região, o alemão DAX subia 0,35%, enquanto o britânico FTSE 100 ganhava 0,60%. Na contramão, o francês CAC 40 recuava 0,30% e o italiano FTSE MIB caía 0,31%.
Os investidores por lá acompanhavam os desdobramentos políticos no Reino Unido após o anúncio da renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer, além da divulgação de indicadores econômicos ao longo da semana.
O que acompanhar ao longo do dia
A agenda hoje traz. ainda, novos indicadores para os mercados globais. Às 11h, a União Europeia divulga o índice de confiança do consumidor de junho.
Nos EUA, haverá leilões de títulos do Tesouro, Treasuries, com vencimentos de três e seis meses às 12h30.
Mais tarde, a Argentina publica sua taxa de desemprego do primeiro trimestre, enquanto a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) divulga o relatório semanal de posições líquidas de especuladores.
À noite, investidores acompanham os índices de atividade do Japão, incluindo os Purchasing Managers' Index (PMIs) industrial, de serviços e composto.
