Ibovespa sobe com perspetiva de vitória de Flávio e dólar fecha abaixo de R$ 5 antes do 2º turno
Pesquisa Veritá, que ampliou a vantagem de Flávio Bolsonaro, contribuiu para o avanço da bolsa, segundo analista; petróleo supera US$ 116 com tensões no Oriente Médio

O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, 23, no último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial, enquanto o dólar voltou a encerrar abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde o dia 12 de outubro. Os investidores repercutiram a prévia da inflação abaixo das expectativas, acompanharam a disparada do petróleo e avaliaram as pesquisas eleitorais divulgadas às vésperas da votação de domingo, 25.
O principal índice da B3 subiu 0,47%, aos 205.082,56 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 203.428,00 e a máxima de 205.757,04 pontos. O volume financeiro somou R$ 30,7 bilhões. Na semana, porém, o Ibovespa acumulou queda de 0,17%.
Entre os 76 papéis que compõem o índice, 46 fecharam em alta, 14 terminaram estáveis e 16 recuaram.
Para Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos, a pesquisa do instituto Veritá ampliou o otimismo dos investidores e pode ter contribuído para a recuperação das ações ao longo da tarde.
“Também acho que a pesquisa Veritá que saiu, que confirmou e até ampliou a vantagem do Flávio, contribuiu para essa última pernada que a bolsa acabou dando”, afirmou.
O analista destacou que o levantamento tem peso para o mercado por dois motivos: o instituto acertou o resultado do primeiro turno e trabalha com uma amostra maior do que a de outras pesquisas. Segundo Moliterno, a Veritá entrevistou 15 mil pessoas, ante amostras de cerca de 2 mil entrevistados em outros levantamentos.
“Então, o mercado ficou bastante animado. Deu para perceber que os papéis do chamado pacote Brasil, aqueles em que todo mundo tem entrado, principalmente o gringo, foram os de maior performance”, disse.
De acordo com o levantamento, o do PL aparece com 51,3% dos votos válidos na disputa de segundo turno contra o presidente do PT, que registra 48,7%. A diferença entre os candidatos é de 2,6 pontos percentuais, acima dos 1,4 ponto registrados na rodada anterior. A margem de erro informada pelo instituto é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, pondera que a proximidade da votação tende a aumentar a oscilação dos ativos. “Na véspera de um segundo turno, é comum observar uma maior volatilidade no Ibovespa e no dólar devido às incertezas em relação aos rumos econômicos do país”, afirmou.
Segundo Nossig, a divulgação de pesquisas eleitorais pode intensificar esse movimento, uma vez que os investidores reavaliam os riscos e ajustam suas posições na bolsa conforme as expectativas geradas pelos levantamentos.
CSN lidera altas do Ibovespa; Vibra fica na ponta negativa
A CSN (CSNA3) liderou os ganhos do Ibovespa, com alta de 12,41%. Na sequência, Usiminas (USIM5) avançou 4,74%, Natura (NATU3) subiu 4,50%, Cyrela (CYRE3) ganhou 3,70% e Cosan (CSAN3) teve valorização de 3,59%.
Na ponta negativa, a Vibra (VBBR3) recuou 3,19%, seguida por WEG (WEGE3), com queda de 2,89%. Telefônica Brasil (VIVT3) e TIM (TIMS3) perderam 2,26% cada.
Dólar fecha abaixo de R$ 5 antes da eleição
O dólar à vista encerrou a sessão em queda de 0,90%, cotado a R$ 4,993, depois de oscilar entre R$ 4,988 e R$ 5,056. Na semana, a moeda americana acumulou desvalorização de 1,57%.
O câmbio também ficou sob influência das expectativas em torno do segundo turno. A perspectiva para a política econômica após a eleição está entre os fatores acompanhados pelos investidores, que ajustam suas posições diante dos possíveis resultados da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula.
IPCA-15 desacelera e fica abaixo das expectativas
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,32% em outubro, desacelerando em relação à alta de 0,70% registrada em setembro. O resultado ficou abaixo da expectativa de 0,43% dos economistas.
Em 12 meses, a prévia da inflação acumulou alta de 4,62%, também inferior à projeção de 4,73%.
O indicador entrou no radar dos investidores às vésperas da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o início de novembro. A inflação é uma das variáveis observadas pelo mercado para avaliar os próximos passos da política monetária brasileira.
Petróleo sobe mais de 3% e Brent supera US$ 116
Os contratos futuros de petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira, impulsionados pelo agravamento das tensões no Oriente Médio e pelos riscos de interrupção no abastecimento global. O Brent, referência internacional, ultrapassou US$ 116 por barril e alcançou o maior patamar em seis meses.
O mercado acompanha a possibilidade de uma nova escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. As declarações de autoridades iranianas sobre a preparação para um eventual confronto e a perspectiva de novos ataques americanos aumentaram as preocupações com a oferta da commodity.
Também permanecem no radar os ataques dos houthis, grupo aliado de Teerã, contra a Arábia Saudita, que podem ampliar os riscos para o fornecimento de petróleo na região.
No fechamento, o contrato do Brent para dezembro avançou 3,14%, a US$ 116,72 por barril na ICE, enquanto o WTI para o mesmo mês subiu 3,82%, a US$ 103,27 por barril na Nymex. Na semana, os ganhos acumulados chegaram a 6,24% para o Brent e 4,29% para o WTI.A valorização da commodity também aumenta a preocupação com os efeitos sobre a inflação global, em um momento em que os investidores se preparam para a próxima decisão de juros do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
Bolsas de Nova York fecham em queda com alta do petróleo
As bolsas de Nova York terminaram a sexta-feira em baixa, em meio ao avanço do petróleo e à ampliação da aversão ao risco para além das empresas de tecnologia. A piora das tensões no Oriente Médio elevou as preocupações com a inflação e com os efeitos de um possível encarecimento prolongado da energia sobre a economia americana.
O Dow Jones caiu 1,24%, aos 52.214,21 pontos. O S&P 500 recuou 0,52%, aos 7.623,63 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 0,21%, aos 25.955,34 pontos.O movimento ocorreu depois da forte venda de ações ligadas à inteligência artificial na sessão anterior. Nesta sexta, a pressão se estendeu a outros segmentos do mercado, com os investidores reavaliando os riscos geopolíticos e as perspectivas para os juros nos Estados Unidos.
A decisão do Federal Reserve, prevista para a semana que vem, também permanece no foco. A alta do petróleo pode dificultar a trajetória de desaceleração da inflação e influenciar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária americana.
