Ibovespa sobe e dólar cai após 'trade eleitoral' superar temor fiscal, segundo analistas
A moeda chegou a subir durante o pregão após o anúncio do reajuste de 15,04% do Bolsa Família, enquanto a bolsa brasileira virou para queda

O Ibovespa fechou em alta de 0,24% nesta quinta-feira, 17, aos 185.992,03 pontos, após oscilar entre 183.242,37 e 186.885,23 pontos. O volume financeiro somou R$ 18,6 bilhões. No dia seguinte à redução da taxa básica de juros, a Selic, o mercado brasileiro teve uma sessão volátil, influenciada pelo reajuste do Bolsa Família, pelo noticiário político-eleitoral e pelas repercussões das decisões de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed).
O dólar à vista recuou 0,24% diante do real e fechou a R$ 5,139, após oscilar entre R$ 5,125 e R$ 5,177. A moeda chegou a subir durante o pregão após o anúncio do reajuste de 15,04% do Bolsa Família, enquantoa bolsa brasileira virou para queda. Isso porque o aumento do benefício reacendeu preocupações fiscais entre os agentes financeiros.
Mas a reação negativa perdeu força ao longo da tarde com aretomada do chamado "trade eleitoral" no mercado.
Entre as principais ações do Ibovespa, Vale (VALE3) subiu 2,07%, após duas sessões de fortes baixas e acima da alta de 0,28% do minério de ferro. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiram 0,32%, enquanto as preferenciais (PETR4) caíram 0,08%, em um dia dequeda do petróleo no exterior.
Já os bancos tiveram desempenho misto. O Santander Brasil (SANB11) subiu 2,52%, acompanhado por BTG Pactual (BPAC11), que também avançou 0,51% e Banco do Brasil (BBAS3), com alta de 0,31%. Por outro lado, o Bradesco (BBDC4) caiu 0,33% e Itaú Unibanco (ITUB4) registrou ligeira baixa de 0,09%.
Os papéis da Yduqs (YDUQ3) lideraram as altas do Ibovespa, com avanço de 3,07%, seguida por Santander Brasil (SANB11) e Bradespar (BRAP4), que subiram 2,45%.
Na ponta negativa, CSN Mineração (CMIN3) caiu 5,59%, Cury (CURY3) caiu 5,15% e Marcopolo (POMO4) caiu 5,08%.
Bolsa oscila com fiscal e política, mas trade eleitoral prevalece
Para Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o mercado brasileiro terminou o dia positivo depois de uma sessão de bastante agitação após a decisão do Copom. Segundo o especialista, o anúncio do aumento do Bolsa Família e o noticiário envolvendo novas investigações contribuíram para a volatilidade durante o pregão.
O governo Lula anunciou nesta quinta um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, nos valores pagos aos beneficiários do programa social, às vésperas da eleição, a título de reposição da inflação acumulada desde 2023. O valor mínimo do programa social, hoje de R$ 600, vai passar a R$ 691.
No Judiciário, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou à Polícia Federal e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a investigação de operações financeiras entre oBanco Master e concessionárias de cemitérios do município de São Paulo.
Na avaliação de Moliterno, porém, o "trade eleitoral" prevaleceu no fim do dia, em meio às novas pesquisas que mostram uma disputa acirrada pelo Palácio do Planalto. "O mercado melhorou e melhorou bem, mesmo com o petróleo cedendo vimos as petrolíferas no campo positivo e o setor financeiro também se recuperando", afirmou.O setor cíclico, por outro lado, teve desempenho mais fraco, depois de ter sido beneficiado na sessão anterior pela expectativa de corte da Selic. "O aumento do Bolsa Família e um impacto maior no fiscal pode ter alguma turbulência e esse setor foi um pouco mais impactado", disse o head de renda variável da Veedha Investimentos.
Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil, também destacou a volatilidade e o descolamento dos ativos brasileiros em relação ao exterior. Segundo Praça, o Ibovespa passou parte do dia pressionado pelas preocupações fiscais e pelo noticiário político-eleitoral, antes de retomar o campo positivo durante a tarde.
O movimento foi diferente entre os vencimentos. Por volta das 15h, o DI Jan/27 estava em 13,565%, enquanto o Jan/29 estava em 13,865% e o Jan/33, em 14,225%. Para Praça, a dinâmica reforçou a diferença entre as expectativas para a política monetária de curto prazo e os prêmios associados ao cenário fiscal e político nos vértices mais longos.
"Novas pesquisas e o noticiário envolvendo o STF provocaram oscilações ao longo do dia, mantendo o chamado 'trade eleitoral' presente nas mesas. Como os levantamentos divulgados apresentam resultados distintos, o mercado permanece sensível às próximas pesquisas, especialmente pela capacidade de mudanças nas expectativas eleitorais afetarem os prêmios de risco fiscal e a curva longa de juros", afirmou Praça.
Petróleo cai com alívio nos riscos de oferta
Os contratos futuros do petróleo terminaram em queda nesta quinta-feira, com a notícia de que a Arábia Saudita disponibilizou mais cargas de petróleo bruto para refinarias asiáticas, trazendo certo alívio aos investidores. Ainda assim, o cenário no Oriente Médio permanece incerto, com riscos para a produção e a exportação de energia na região.
[grifar]No fechamento, o petróleo tipo Brent, referência mundial, com vencimento em novembro, caiu 0,95%, a US$ 104,82 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI, referência americana, com entrega prevista para outubro, recuou 0,51%, a US$ 101,91 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Bolsas de NY fecham em alta após decisão do Fed
As bolsas americanas encerraram a quinta-feira em alta, recuperando parte das perdas da sessão anterior. O movimento ocorreu após a decisão do Federal Reserve na véspera e em um ambiente de recuo dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo, além da valorização das grandes empresas de tecnologia.
O Dow Jones subiu 0,61%, aos 51.778,04 pontos. O S&P 500 avançou 1,14%, aos 7.637,76 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 1,69%, aos 26.418,30 pontos.No mercado de trabalho americano, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 10 mil na semana encerrada em 12 de setembro, para 196 mil, considerando dados com ajuste sazonal.
