Ibovespa sobe e retorna aos 187 mil pontos com pesquisas eleitorais; dólar cai a R$ 5,08
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o chamado “trade eleitoral” tem sido o principal vetor da Bolsa nos últimos pregões

O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira, 8, em forte alta de 1,24%, aos 187.452 pontos, em mais um dia de ganhos para a Bolsa brasileira. O movimento foi impulsionado principalmente pelo cenário eleitoral, que voltou a concentrar a atenção dos investidores após a divulgação de novas pesquisas sobre a disputa presidencial. Já o dólar fechou com queda de 0,86% a R$ 5,08.
No cenário político, a pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira, 7, mostrou empate entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno da eleição presidencial. Os dois aparecem com 41% das intenções de voto, enquanto Lula apresenta tendência de queda. No primeiro turno, Lula lidera com 36%, contra 29% de Flávio Bolsonaro.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o chamado “trade eleitoral” tem sido o principal vetor da Bolsa nos últimos pregões. Segundo ele, a leitura de parte dos investidores de que a disputa pelo segundo turno está mais competitiva e de que Flávio Bolsonaro ganhou espaço nas pesquisas vem sendo incorporada aos preços dos ativos.
Essa percepção, explica Perri, tem impacto principalmente sobre a curva de juros. A expectativa de uma eventual mudança na condução da política fiscal é considerada pelo mercado na precificação dos ativos, o que tem contribuído para a redução dos prêmios nas taxas de juros. Com uma curva menos pressionada, o custo de oportunidade para investir em ações também diminui, favorecendo a Bolsa.
“Hoje o que mexe realmente com o mercado, não só hoje como nos últimos dias, é o acirramento da simulação de segundo turno entre Lula e Flávio”, afirma. Na avaliação do economista, esse movimento também tem ajudado a atrair novamente investidores estrangeiros para a Bolsa brasileira, ampliando o fluxo comprador.
Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, afima que os gringos estavam hoje na ponta compradora dos principais temas.”Como setor financeiro, commodities e elétricas”, exemplifica.a
Focus, inflação e juros
No cenário doméstico, os analistas consultados pelo Banco Central reduziram a expectativa para a inflação em 2026, conforme o Boletim Focus. A projeção para a Selic ao fim do ano permaneceu em 13,75%, enquanto a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2027 e para o dólar em 2026 também não mudou em relação à semana anterior.
O IGP-DI, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), subiu 0,06% em agosto, após queda de 0,86% em julho. Com o resultado, o indicador acumula alta de 2,19% no ano e de 2,63% em 12 meses. Em agosto de 2025, o IGP-DI havia avançado 0,20% e acumulava alta de 3% em 12 meses.
Bolsas americanas
No exterior, o ambiente foi mais negativo. As bolsas americanas foram pressionadas pela retomada das apostas de uma política monetária mais dura nos Estados Unidos e pela possibilidade de manutenção ou alta dos juros em setembro. O Dow Jones encerrou com queda de 1,17%, enquanto Nasdaq recuou 0,32% e S&P 500 caiu 0,58%.
De acordo com Perri, o movimento ganhou força após sinalizações de autoridades do Federal Reserve (Fed, banco central americano), e com a pressão renovada sobre o petróleo, que voltou a operar acima de US$ 95 por barril. O payroll divulgado na sexta-feira, 4, também mostrou um mercado de trabalho mais forte do que o esperado, contribuindo para a revisão das expectativas sobre os juros americanos.
“O payroll, que saiu na sexta-feira, já havia trazido um número muito acima do esperado. Então esse conjunto de fatores faz com que se retome as apostas de juros nos Estados Unidos em setembro e isso também prejudica as bolsas lá”, afirma.
A semana ainda concentra uma série de indicadores relevantes para os mercados. Na quinta-feira, 10, está prevista a decisão do Banco Central Europeu (BCE), enquanto nos Estados Unidos serão divulgados o índice de preços ao produtor (PPI) e, na sexta-feira, 11, o índice de preços ao consumidor (CPI). No Brasil, também na sexta, será divulgado o IPCA de agosto, principal indicador de inflação do país.
