Ibovespa sobe forte com Vale em disparada e novas pesquisas eleitorais
Dólar recua e Petrobras limita maiores ganhos, variando entre ligeira queda e alta em meio ao recuo dos preços do petróleo no mercado internacional

O Ibovespa mantém o ritmo positivo nesta quarta-feira, 2, e avança em um pregão marcado pela busca por ativos de risco. Por volta das 11h20 (horário de Brasília), o índice subia 2,59%, aos 184.481,85 pontos, depois de ter iniciado setembro com forte valorização.
No Brasil, investidores digerem novos indicadores de atividade e fluxo cambial, enquanto, no exterior, os mercados acompanham os próximos passos dos bancos centrais e os efeitos da guerra no Oriente Médio. O dólar comercial recuava 0,42%, a R$ 5,134.
Entre as ações de maior peso no índice, Vale (VALE3) avança 1,49%. Petrobras opera na contramão, com queda de 0,19% nas ações ordinárias (PETR3) e ligeira alta de 0,34% nas preferenciais (PETR4) depois do forte avanço do papel na véspera. A Prio (PRIO3) também recua, 0,78%, acompanhando a queda dos preços do petróleo no exterior.
A alta é sustentada, em grande parte, pelo desempenho das ações do setor financeiro. O Banco do Brasil (BBAS3) sobe 2,11%, enquanto B3 (B3SA3) avança 2,47%, Bradesco (BBDC4) ganha 1,59%, Itaú Unibanco (ITUB4) sobe 1,50% e Santander Brasil (SANB11) valoriza 1,87%.
O maior avanço do dia é das ações da Azzas 2154 (AZZA3), gigante de moda criada a partir da união entre Arezzo&Co e Grupo Soma, e que anunciou antes da abertura do mercado que ai passar por uma ampla reorganização societária que, na prática, voltará a separar os dois grupos. O acordo prevê a criação de duas companhias abertas independentes, Arezzo&Co e Soma, além de uma estrutura própria para a Farm Rio.
Os papéis da companhia, que acumulavam queda de 40% no ano até o pregão desta terça, 1°, hoje sobem 11,94%, na liderança do pregão, em meio ao anúncio de divisão.
Na sequência, aparece Magazine Luiza (MGLU3), que dispara 9,52%, em meio ao anúncio de parceria para vender seus produtos na plataforma do Mercado Livre. Na sequência aparecem Vamos (VAMO3), com avanço de 9,06%, e Assaí (ASAI3) com alta de 6,24%.
No radar dos investidores estão a nova pesquisa eleitoral sobre a disputa pela Presidência da República, divulgada nesta quarta pela Quaest. Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 42% nas intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 41%, em uma disputa de 2º turno, o que mostra uma disputa mais acirrada.
A produção industrial brasileira mostrou leve recuperação em julho, avançando 0,2% em relação a junho, interrompendo uma sequência de dois meses de resultados negativos. Apesar da melhora na margem, a indústria ainda registrou queda de 0,5% na comparação com julho de 2025.
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho privado também apresentou crescimento moderado em agosto. Segundo o Relatório Nacional de Emprego da multinacional ADP, foram criadas 38 mil vagas no setor privado, após alta revisada de 46 mil postos em julho.
O analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, vê que a bolsa é beneficiada pela perspectiva de juros menores e pela própria composição do índice. A criação de apenas 38 mil vagas no setor privado dos EUA, abaixo do esperado, reforça a possibilidade de uma política monetária menos restritiva pelo Federal Reserve (Fed).
Petróleo oscila com escalada de tensão no Oriente Médio
Os preços do petróleo operam em queda, mas permanecem voláteis diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio. O contrato futuro do Brent (parâmetro global) recua 0,95%, a US$ 94,30 por barril, enquanto o do West Texas Intermediate (WTI, referência de preços nos EUA) cai 0,74%, a US$ 89,55.
Os EUA realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, enquanto Teerã teria respondido com ataques a aliados regionais de Washington. O Estreito de Ormuz também permanece no radar, após uma embarcação ser atingida por três projéteis desconhecidos durante a passagem pela região.
Para Lima, uma eventual interrupção no fornecimento de petróleo pode aumentar a procura pelo dólar como proteção e reacender as preocupações com a inflação global, o que dificultaria cortes de juros nos EUA.
Bolsas dos EUA volta a subir após queda
As bolsas americanas voltaram a subir após a pressão na sessão passada da alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro. O S&P 500 sobe 0,34%, enquanto o Nasdaq avança 0,35%. O Dow Jones avança 0,63%.
O rendimento do Tesouro dos EUA (Treasury) de dez anos chegou a 4,814%, maior nível desde novembro de 2023. A alta dos juros dos títulos aumenta a preocupação dos investidores com o impacto da inflação provocada pelo petróleo mais caro.
O WTI chegou a superar US$ 90 por barril nesta semana, em meio aos novos ataques americanos contra o Irã e ao temor de uma nova escalada do conflito.
Bolsas europeias recuam nesta quarta-feira
As principais bolsas europeias operam em baixa, acompanhando a pressão dos juros globais e as incertezas relacionadas ao Irã. O índice Stoxx 600 recua 0,30%, enquanto o DAX, de Frankfurt, cai 0,42%. O FTSE 100, de Londres, perde 0,34%, o CAC 40, de Paris, recua 0,09%, e o FTSE MIB, de Milão, cai 0,27%.
As ações de mídia lideram as perdas, com queda de 1,4%, seguidas pelas empresas europeias de automóveis e autopeças, que recuam 1,2%.
Bolsas da Ásia fecham em queda hoje
Os mercados asiáticos encerraram o pregão em baixa, pressionados pela aversão ao risco diante da escalada das tensões no Oriente Médio e da possibilidade de alta dos juros globais.
O Nikkei 225, do Japão, caiu 2,85%, aos 64.325 pontos, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 4%, aos 6.562 pontos. Na Austrália, o S&P/ASX 200 perdeu 0,97%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuava 0,24% na última hora de negociação. Na China continental, o CSI 300 fechou em baixa de 1,38%.
