Ibovespa sobe mais de 1% e fecha acima dos 170 mil pontos; dólar cai a R$ 5,14

O Ibovespa fechou em forte alta nesta segunda-feira, 22, impulsionado pelo avanço das ações de grandes bancos, pela melhora do humor dos investidores em relação ao cenário internacional e pelo fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira. O principal índice da B3 avançou 1,21%, aos 170.370,38 pontos, após oscilar entre a mínima de 168.326,26 pontos e a máxima de 170.749,76 pontos. O volume financeiro somou R$ 23,8 bilhões.
As ações do setor financeiro lideraram os ganhos e sustentaram o desempenho positivo do índice. Os papéis preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) subiram 2,68%, enquanto Bradesco (BBDC4) avançou 1,60% e Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 1,18%. As units do BTG Pactual (BPAC11) e do Santander (SANB11) também fecharam em alta, de 3,67% e 0,45%, respectivamente.
Entre os pesos-pesados do índice, a Vale (VALE3) encerrou praticamente estável, com leve alta de 0,02%. Já as ações da Petrobras reverteram as perdas observadas ao longo do dia e fecharam no campo positivo. Os papéis ordinários (PETR3) avançaram 0,72%, enquanto os preferenciais (PETR4) subiram 0,88%.
O principal destaque do pregão foi a Azzas 2154 (AZZA3), que disparou 12,24% após a companhia informar, na sexta-feira, que contratou o Morgan Stanley para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à Farm Rio.
Na sequência apareceram Yduqs (YDUQ3), com alta de 4,73%, TIM (TIMS3), que avançou 4,60%, e Copasa (CSMG3), com ganho de 4,31%. Na ponta negativa, Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11) e Caixa Seguridade (CXSE3) recuaram 2,20%, 1,52% e 1,17%, respectivamente.
Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, a recuperação da bolsa brasileira reflete principalmente o retorno do investidor estrangeiro, diante dos preços mais atrativos dos ativos locais.
"Poucos fatores internos colaboram para a bolsa subir neste momento. Sempre que o mercado brasileiro sofre uma correção mais intensa, o investidor estrangeiro enxerga bons ativos com uma relação risco-retorno interessante e volta a aportar recursos", afirma.
Lopes avalia, porém, que apesar da melhora observada nesta segunda, o mercado segue atento aos desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã e à divulgação da ata da última reunião do Copom. "O mercado espera uma ata mais restritiva, que dê sinais sobre os próximos passos da política monetária. Isso tende a ser bem recebido porque reforça a percepção de independência do Banco Central e de compromisso com a estabilidade da inflação no médio e longo prazo", diz.
Na avaliação de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a alta da bolsa foi impulsionada por uma combinação de fatores técnicos e macroeconômicos.
"O mercado brasileiro sobe primeiro por um movimento técnico, após sucessivas quedas, com os ativos atingindo níveis que destravam o apetite dos investidores locais e internacionais. A presença compradora dos estrangeiros foi um fator importante no pregão", afirma.
Perri destaca ainda que o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã contribuiu para a queda do petróleo e dos juros futuros, favorecendo ativos de risco. Além disso, segundo ele, a divulgação da pesquisa Datafolha no fim de semana trouxe alívio adicional para os mercados locais, com impacto positivo sobre a curva de juros e o câmbio.
Dentre os setores favorecidos, o economista destaca os bancos e empresas mais sensíveis aos juros. "Entre as altas, chamaram atenção os bancos, como BTG e Itaú, além de ações ligadas ao setor de utilities, como Copasa e Sabesp. A Azzas também se destacou pela possibilidade de venda da Farm Rio", afirma.
Já entre as quedas, Perri aponta fatores específicos relacionados ao dólar e às commodities. "Suzano e Klabin sofreram com a queda do dólar, enquanto empresas ligadas ao petróleo sentiram os efeitos do recuo mais forte da commodity ao longo do dia."
Dólar fecha em baixa
O dólar à vista encerrou o pregão em queda de 0,45%, cotado a R$ 5,1415. A moeda chegou a oscilar entre R$ 5,1241 e R$ 5,1601 ao longo do dia. O movimento ocorreu na contramão do fortalecimento global da divisa americana.
A intervenção do Banco Central, por meio de um leilão de venda de dólares à vista combinado com compra de moeda no mercado futuro via swap cambial reverso, ajudou a aliviar as pressões sobre o câmbio doméstico. Também contribuiu para a melhora do humor a decisão do Tesouro Nacional de suspender o leilão de NTN-Bs previsto para esta terça-feira, 23.
O mercado segue ajustando posições após a volatilidade observada na semana passada, quando a comunicação do Copom gerou dúvidas sobre os próximos passos da política monetária.
Petróleo cai forte após avanço das negociações entre EUA e Irã
Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda expressiva após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar a suspensão temporária de sanções ao petróleo iraniano até agosto.
A medida foi divulgada após autoridades americanas relatarem avanços nas negociações de paz realizadas na Suíça durante o fim de semana. O mercado também repercutiu informações de que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz segue normalizado, reduzindo os temores de interrupção da oferta global.
Ao final do pregão, o Brent para agosto caiu 3,31%, para US$ 77,90 por barril, enquanto o WTI recuou 2,62%, para US$ 73,86.
Bolsas de Nova York fecham sem direção única
Os principais índices americanos encerraram o dia em direções opostas. O Dow Jones subiu 0,29%, aos 51.712,71 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,37%, aos 7.472,93 pontos. Já o Nasdaq recuou 1,32%, aos 26.166,60 pontos.
Segundo Perri, a realização de lucros nas gigantes de tecnologia pesou sobre os índices ligados ao setor. "A bolsa americana caiu apesar do avanço das negociações entre EUA e Irã. O movimento foi puxado principalmente pelas ações de tecnologia, em um processo de ajuste de preços e realização de lucros que afetou especialmente o Nasdaq e, em menor grau, o S&P 500", afirma.
