Ibovespa sobe pelo 2º dia mesmo com pausa do Copom; dólar cai
Brent avança mais de 3% após tombo na véspera, enquanto investidores avaliam os juros e os sinais de desaceleração da economia brasileira

O Ibovespa iniciou as negociações desta quinta-feira, 5, em alta, dando continuidade ao movimento de recuperação registrado na véspera, quando o principal índice da B3 interrompeu uma sequência de seis pregões consecutivos de perdas. Por volta das 11h, o indicador avançava 0,40%, aos 168.227,90 pontos.
Na quarta-feira, 4,o Ibovespa subiu 1,23%, aos 167.563,47 pontos, acompanhando o maior apetite por risco nos mercados internacionais. A recuperação ocorreu após uma sequência de fortes perdas provocadas pelas incertezas em torno do cenário político e econômico doméstico após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre as maiores altas dessa primeira hora de negociação, a Cosan (CSAN3) liderava os ganhos, com valorização de 7,11%, cotada a R$ 2,56. Na sequência, apareciam a Smart Fit (SMFT3), com alta de 5,84%, a R$ 17,77, e a C&A (CEAB3), que avançava 5,43%, a R$ 7,18, após divulgação do balanço na véspera.
A companhia reportou um lucro líquido de R$ 170,3 milhões, alta de 145% em relação ao mesmo período de 2025. O número, porém, foi turbinado pelo reconhecimento de R$ 198,5 milhões em créditos de PIS e Cofins, um efeito contábil que não se repete. Sem ele e outros itens não recorrentes, o lucro ajustado ficou em R$ 56,5 milhões, queda de 23,3% na comparação anual.
Na ponta negativa, a Tenda (TEND3) registrava a maior queda do Ibovespa, com desvalorização de 12,66%, cotada a R$ 17,25. Em seguida, apareciam a CSN Mineração (CMIN3), com recuo de 5,15%, a R$ 4,97, e a Porto (PSSA3), que caía 3,54%, a R$ 43,30. Também figuravam entre as maiores baixas a Cogna (COGN3), com perda de 2,80%, a R$ 1,39, e a Metalúrgica Gerdau (GOAU4), que recuava 2,09%, a R$ 10,80.
Entre as empresas de maior peso no índice, a Vale (VALE3) subia 0,87%. Os bancos apresentavam desempenho misto: Itaú (ITUB4) avançava 0,10%, Bradesco (BBDC4) subia 0,43% e Santander (SANB11) ganhava 1,90%. Na direção oposta, BTG Pactual (BPAC11) recuava 0,13% e Banco do Brasil (BBAS3) caía 0,36%.
Dólar recua e juros ficam mistos após decisão do Copom
No mercado de câmbio, o dólar à vista recuava 0,37%, cotado a R$ 5,431, por volta das 11h. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes, tinha ligeira alta de 0,09%, aos 101,62 pontos.
Os investidores também repercutiam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo cinco cortes consecutivos. A decisão, tomada por unanimidade, era esperada pelo mercado, mas veio acompanhada de projeções mais elevadas para a inflação.
O Banco Central revisou de 5,2% para 5,6% a estimativa para o IPCA de 2026 e de 3,9% para 4,7% a projeção para 2027. O comunicado não indicou quando o ciclo de redução dos juros poderá ser retomado, deixando os investidores atentos à duração da pausa e aos próximos passos da política econômica.
Na curva de juros futuros, o desempenho era misto, com recuos nos vencimentos intermediários e altas concentradas nos contratos mais longos. O movimento reflete a avaliação do comunicado do Copom e a persistência das incertezas fiscais.
O que está no radar do mercado
No exterior, o petróleo Brent avançava 3,18%, a US$ 97,63 o barril, em recuperação após a forte queda da sessão anterior. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, também subiam.No radar doméstico, os investidores acompanhavam ainda os sinais de desaceleração da atividade econômica. A produção industrial caiu 0,8% em setembro, resultado mais fraco do que a retração de 0,2% esperada pelo mercado.
O cenário político e fiscal também permanece no foco. O presidente Lula pretende fazer um pronunciamento nacional no domingo, 8, para reafirmar o compromisso com as metas fiscais. Ao mesmo tempo, as indefinições sobre o comando do Ministério da Fazenda em 2027 acrescentam incertezas às perspectivas para a condução da política econômica.
Na agenda tributária, o governo estabeleceu alíquotas provisórias do Imposto Seletivo para 2027, enquanto OAB e CNI defendem o adiamento da cobrança da CBS para 2028, proposta que ainda encontra resistência do Ministério da Fazenda.
"A deterioração das expectativas inflacionárias, as incertezas fiscais e o ambiente externo justificaram a postura cautelosa, reforçando a possibilidade de juros restritivos por mais tempo", afirma Eduardo Marzbanian, analista CNPI-P da Eleven Financial.
