Ibovespa subiu 7% entre 1º e 2º turno da eleição; veja as ações que mais ganharam
Rali foi impulsionado pela reação do mercado ao resultado do primeiro turno e pelas apostas em uma mudança de governo; varejistas lideraram os ganhos

RESUMO +
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira B3, subiu 6,75% entre 2 e 23 de outubro, antes do segundo turno das eleições presidenciais. O rali eleitoral ganhou força após Flávio Bolsonaro liderar o primeiro turno contra Luiz Inácio Lula da Silva. Magazine Luiza avançou 66,75%, enquanto WEG caiu 16,95%.
O Ibovespa acumulou valorização de 6,75% entre o último pregão antes do 1° turno e a véspera da segunda volta das eleições presidenciais, em um período marcado por um forte rali eleitoral na bolsa brasileira. A alta foi impulsionada pela reação dos investidores ao desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno e pelo aumento das apostas em uma eventual alternância de poder a partir do próximo ano.
O principal índice da B3 passou de 192.115 pontos em de outubro para 205.082,56 pontos nesta sexta-feira, 23, último pregão antes da votação de domingo, 25. No intervalo, a bolsa chegou a superar pela primeira vez a barreira dos 200 mil pontos, um patamar que estava no horizonte dos investidores desde fevereiro.
O movimento mais intenso ocorreu na segunda-feira, 5, primeiro pregão após o primeiro turno. Com Flávio à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, o Ibovespa disparou 7,70%, aos 206.911,89 pontos, e registrou recordes de máxima intradia e de fechamento.
A reação foi acompanhada por uma entrada expressiva de recursos na bolsa. O volume financeiro negociado na B3 alcançou R$ 79,3 bilhões, cerca de três vezes o registrado em um pregão normal. Ao longo do dia, o mercado acionário brasileiro ganhou mais de R$ 400 bilhões em valor de mercado.
O resultado das urnas surpreendeu parte dos cenários considerados antes da votação. Com 100% das urnas apuradas,o senador do PL terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, ou 56,1 milhões de votos, ante 45,16% do atual presidente, que recebeu 53,9 milhões.
A diferença de aproximadamente dois pontos percentuais reforçou entre os investidores a perspectiva de uma eventual alternância de poder em 2027. Uma mudança de governo passou a ser associada a possibilidades de reformas estruturais e de redução da percepção de risco fiscal no país, fatores que favoreceram os ativos brasileiros.
O câmbio também refletiu essa mudança de expectativas. No dia seguinte ao primeiro turno, o dólar caiu 4,12%, para R$ 5,001, na maior desvalorização diária em oito anos.
Varejo lidera os ganhos no rali eleitoral
Entre as ações que compõem o Ibovespa, as maiores altas acumuladas no período ficaram concentradas em empresas de varejo, consumo, construção civil e educação. O Magazine Luiza (MGLU3) liderou a lista, com valorização de 66,75%, seguido por MRV (MRVE3), Smart Fit (SMFT3), Vamos (VAMO3) e C&A (CEAB3).
O desempenho do varejo está relacionado, em parte, à queda dos juros de longo prazo. Segundo relatório do UBS BB, as ações brasileiras do setor subiram, em média, 20% desde o primeiro turno, beneficiadas por um recuo de aproximadamente 170 pontos-base nas taxas de longo prazo.
A redução dos juros tende a favorecer empresas mais sensíveis ao custo de financiamento e ao consumo. Para o UBS, a combinação de taxas menores e redução do custo de capital abre espaço para novas valorizações. O banco ressalva, porém, que preocupações com o crescimento estrutural do setor podem limitar uma recuperação completa dos múltiplos aos níveis históricos.
Entre os fatores que seguem no radar estão a concorrência internacional, a migração para o comércio eletrônico e as mudanças demográficas e no comportamento dos consumidores.
O Magazine Luiza também conta com fatores específicos. Segundo o UBS, a companhia foi favorecida por ganhos de participação de mercado após a recuperação judicial de sua principal concorrente. O banco elevou em 11% suas estimativas médias de Ebitda para 2027 e 2028 e aumentou em 27% as projeções de lucro, incorporando novas premissas macroeconômicas e perspectivas específicas para a empresa.
A revisão ajuda a explicar por que o papel teve desempenho muito superior à média do varejo durante o período. O UBS afirmou estar cada vez mais positivo em relação à companhia, beneficiada tanto pelas condições macroeconômicas quanto por fatores particulares do negócio.
As ações que mais subiram:
- Magazine Luiza (MGLU3): +66,75%
- MRV (MRVE3): +46,18%
- Smart Fit (SMFT3): +41,35%
- Vamos (VAMO3): +35,23%
- C&A (CEAB3): +34,37%
- Azzas (AZZA3): +30,60%
- Cogna (COGN3): +27,57%
- Cyrela (CYRE3): +27,08%
- Yduqs (YDUQ3): +26,71%
- Localiza (RENT3): +26,37%
A presença de empresas de construção civil, como MRV e Cyrela, também é compatível com a sensibilidade do setor às condições de financiamento. Já a valorização de companhias de educação e consumo ocorreu em um ambiente de forte reprecificação dos ativos brasileiros após o primeiro turno.
WEG cai quase 17% e lidera as perdas
Na outra ponta, a WEG (WEGE3) acumulou queda de 16,95% no período entre os turnos, a maior entre as ações listadas na relação. Usiminas (USIM5), Embraer (EMBJ3), Bradespar (BRAP4) e Vibra Energia (VBBR3) também registraram perdas.
O desempenho negativo da WEG mostra que o rali eleitoral não beneficiou de maneira uniforme as empresas da bolsa. Apesar de não ser uma produtora de commodities, a companhia tem receitas ligadas ao mercado internacional e pode ser prejudicada pela desvalorização do dólar, que reduz o valor convertido de receitas externas.
Além disso, investidores aguardam sinais de normalização da demanda global por equipamentos industriais.
Os resultados do terceiro trimestre acrescentaram outro elemento à avaliação. A WEG registrou lucro líquido de R$ 1,665 bilhão, alta anual de 0,9%, enquanto a margem Ebitda recuou de 22,2% para 21,6%. Assim, mesmo com crescimento do lucro, a pressão sobre as margens e as expectativas já incorporadas ao preço podem afetar o desempenho das ações.
A Embraer também tem exposição internacional e pode sofrer com a desvalorização do dólar. A combinação de receitas vinculadas a mercados externos e uma estrutura de custos que não diminui necessariamente no mesmo ritmo pode pressionar as margens.
Nas siderúrgicas, por sua vez, as perspectivas para os preços do minério de ferro e do aço, a demanda internacional e o custo de financiamento influenciam as expectativas de resultados.
Maiores quedas no período:
- WEG (WEGE3): -16,95%
- Usiminas (USIM5): -11,36%
- Embraer (EMBJ3): -10,08%
- Bradespar (BRAP4): -8,43%
- Vibra Energia (VBBR3): -6,11%
Mercado ainda vê espaço para alta após a eleição
Apesar da valorização acumulada, investidores ouvidos pelo Citi ainda enxergam espaço para novos ganhos caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno.
Para o Citi, a disparada após o primeiro turno não significa que o resultado eleitoral esteja totalmente incorporado aos preços. A leitura é que ainda existe espaço para uma redução adicional do prêmio de risco do Brasil, embora a reação possa ser negativa caso o resultado contrarie as expectativas predominantes entre os investidores.
