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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
01/08/2026
4 min

Ibovespa subiu entre o 1º e o 2º turno em 4 das últimas 5 eleições presidenciais

Levantamento mostra que investidores também ampliam as negociações na Bolsa durante a reta final da disputa presidencial

Ibovespa subiu entre o 1º e o 2º turno em 4 das últimas 5 eleições presidenciais

A pouco mais de dois meses para as eleições gerais de 2026 no Brasil, o histórico do mercado financeiro aponta para uma tendência favorável para a bolsa local durante a reta final da disputa pela Presidência da República. Um levantamento da plataforma ComDinheiro com a Neologia, provedora de tecnologia para investimento da América Latina, divulgado com exclusividade à EXAME, revela que o Ibovespa acumulou ganhos entre o primeiro e o segundo turno em quatro das últimas cinco eleições presidenciais realizadas desde 2006.

Há 20 anos, o principal índice acionário da B3 avançou 7,9% em meio à reeleição de Luiz Inácio Lula de Silva. Na sequência, em 2010, o Ibovespa registrou leve alta de 0,6% no período em meio à eleição de Dilma Rousseff.

A referência acionária só voltou a ganhar fôlego, contudo, no pleito de 2018, quando avançou 4,1% com a vitória de Jair Bolsonaro. Quatro anos depois, o Ibovespa subiu mais 4,1% com Lula conduzido pela terceira vez à Presidência da República.

A única exceção foi 2014, quando o Ibovespa caiu 4,8% diante de umcenário de reeleição da presidente Dilma Rousseff e de crise política e institucional.

O estudo também mostra que esse período costuma ser acompanhado por uma maior movimentação dos investidores na Bolsa. Em todas as cinco eleições analisadas dos últimos 20 anos, o volume médio diário negociado na B3 foi maior entre o primeiro e o segundo turno do que nos 30 dias anteriores ao início da votação. O aumento variou entre 9,6% e 39,9%, com mediana de 15,5%.

Segundo Gabriel Fenili, especialista sênior da ComDinheiro, esse comportamento ocorre porque, após o 1° turno, o mercado passa a trabalhar com apenas dois cenários possíveis para o comando do país, o que leva investidores a reverem suas estratégias.

"Os dados mostram um padrão bastante claro: o mercado ganha tração quando o cenário eleitoral se afunila, e os investidores passam a trabalhar com duas alternativas mais concretas para o país. É nesse momento que o reposicionamento de carteiras se intensifica", afirma.

As eleições gerais deste ano ocorrem em outubro. O 1° turno está marcado para o dia 4 e, caso nenhum candidato à Presidência obtenha mais de 50% dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.

Cinco setores registram alta de volume em todas as eleições

O levantamento também identificou um padrão entre os setores mais procurados pelos investidores nesse intervalo entre as votações. Os Bens industriais lideraram o aumento das negociações, com mediana de crescimento de 29,4%, seguidos por tecnologia da informação (29,1%), consumo não cíclico (28%), financeiro (20,6%) e utilidade pública (16,2%).

De acordo com Fenili, esses segmentos costumam reagir mais rapidamente àsexpectativas sobre política econômica. No caso de bancos e empresas do setor financeiro, eles são diretamente influenciados pelas perspectivas para juros, crédito e situação fiscal do país, enquanto companhias de infraestrutura e utilidade pública refletem expectativas relacionadas a investimentos e crescimento econômico.

O destaque do setor financeiro no levantamento também aparece na bolsa em 2026. Dados da DataWise+, solução de dados da B3, mostram que Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3), BTG Pactual (BPAC11) e a própria B3 (B3SA3) figuraram entre as ações mais negociadas do 1° semestre deste ano.

O ranking ainda foi liderado por Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), mostrando que empresas ligadas aos setores financeiro, energia e commodities continuam concentrando grande parte das negociações dos investidores.

Apesar do histórico positivo para o Ibovespa, analistas alertam que o desempenho da Bolsa neste ano dependerá também do ambiente macroeconômico.

Em relatório recente, a XP Investimentos afirmou que o2° semestre deve ser dominado por fatores domésticos, como inflação, juros e eleições. Para a corretora, mais importante do que o resultado das urnas será a percepção do mercado sobre a condução da política fiscal. Uma melhora das expectativas para as contas públicas pode favorecer os ativos brasileiros, enquanto um cenário de deterioração fiscal tende a manter os juros elevados e limitar o potencial de valorização da bolsa.

Até o pregão desta quinta-feira, 30, a referência acionária acumulava alta de 9,14%.

AutorClara Assunção
FonteExame
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