Ibovespa supera os 173 mil pontos com alívio para inflação e juros; dólar cai R$ 5,16

O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira, 26, em alta, retomando o patamar dos 173 mil pontos. No fechamento do pregão, o principal índice da bolsa brasileira avançou 0,79%, aos 173.348 pontos. Já o dólar à vista recuou 0,20%, cotado a R$ 5,166.
Apesar da queda das ações da Petrobras, pressionadas pelo recuo do petróleo no mercado internacional, o índice foi sustentado pelo desempenho dos bancos, empresas ligadas ao mercado doméstico e pelo alívio nas curvas de juros, em um ambiente de maior apetite por risco.
BC, inflação e bolsa mais barata impulsionam mercado
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a alta do Ibovespa é resultado da combinação de fatores domésticos e externos, com destaque para a melhora na percepção sobre a política monetária brasileira.
"O mercado viveu um momento bastante ruim após a decisão do Copom, quando parte dos investidores interpretou que o Banco Central poderia ser mais leniente com a inflação. Mas tanto a ata da reunião quanto o Relatório Trimestral de Inflação corrigiram essa percepção e deixaram claro o compromisso da autoridade monetária com a convergência da inflação para a meta", afirma.
Segundo ele, o movimento ajudou a aliviar as curvas de juros, favorecendo a renda variável. "Além disso, o IPCA-15 divulgado ontem veio não apenas abaixo das expectativas, como também mostrou uma composição mais favorável, reforçando essa percepção de desaceleração da inflação."
Perri destaca ainda que a forte correção recente da bolsa aumentou sua atratividade. "O Ibovespa saiu da região dos 200 mil para cerca de 170 mil pontos, reduzindo os múltiplos de negociação e tornando o mercado brasileiro mais interessante para o investidor."
Cenário externo favorece mercados emergentes
Na avaliação de Perri, o ambiente internacional também contribuiu para o desempenho positivo do mercado brasileiro.
"O petróleo recuou bastante desde o acordo entre Estados Unidos e Irã e voltou para níveis próximos aos observados antes do conflito. Hoje, com um novo alento nas relações entre Líbano e Israel, a commodity caiu ainda mais. Isso reduz pressões inflacionárias globais, melhora o apetite por risco e favorece mercados emergentes, como o Brasil."
O economista afirma que o movimento também estimulou o retorno do investidor estrangeiro. "Depois de semanas de saídas intensas de recursos, observamos hoje um fluxo estrangeiro positivo, favorecido também pela bolsa mais barata."
Enquanto isso, segundo ele, o mercado americano teve um desempenho mais contido. As bolsas dos Estados Unidos foram pressionadas por uma realização nas ações de tecnologia e por um discurso mais hawkish (mais conservador) de um dirigente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que elevou um pouco os juros futuros e reduziu o ímpeto dos investidores.
Bancos lideram ganhos; Petrobras limita alta do índice
Entre os destaques positivos do pregão, estiveram os bancos e outros setores sensíveis aos juros. "O movimento do investidor estrangeiro beneficiou principalmente as blue chips financeiras, como Itaú, Banco do Brasil e Bradesco. A queda da curva de juros também favoreceu incorporadoras, empresas de utilities e varejistas, como Renner e C&A", afirma.
Na mesma linha, Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, destaca que o recuo dos juros futuros melhorou a percepção sobre o setor financeiro. "Os bancos são bastante sensíveis ao comportamento da curva de juros. Como os juros futuros voltaram a ceder, melhora a percepção sobre custo de capital e qualidade de crédito, favorecendo principalmente Itaú, Bradesco e Banco do Brasil."
Segundo Cecco, esse movimento foi sustentado pela leitura mais benigna do IPCA-15 e pelo discurso mais técnico do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. "Esses fatores reforçam a percepção de desaceleração da inflação, reduzem os prêmios na curva de juros e beneficiam os setores domésticos, compensando parte da fraqueza das empresas ligadas às commodities."
Na ponta negativa, Perri destaca que Petrobras e Prio foram pressionadas pela queda do petróleo, enquanto a Braskem recuou em meio às preocupações com sua alavancagem financeira e a possibilidade de recuperação judicial. Cecco explica que os investidores continuam desmontando o prêmio de risco geopolítico após a redução das tensões no Oriente Médio, movimento que derruba as cotações do Brent e do WTI e pesa sobre as petroleiras.
Apesar disso, o especialista ressalta que o Ibovespa conseguiu avançar mesmo com o peso da Petrobras. "A Petrobras tem uma participação muito relevante no índice. O fato de a bolsa ter subido apesar dessa pressão mostra que a alta foi bastante disseminada entre diversos setores, o que costuma ser um sinal mais saudável para o mercado do que quando o índice depende de um ou dois papéis."
Sobre o câmbio, Perri afirma que o dólar acompanhou o movimento global de enfraquecimento da moeda americana. "A queda do petróleo, somada à melhora das expectativas para inflação e juros no Brasil, favoreceu uma correção do dólar, que voltou a operar abaixo de R$ 5,17."
