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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
13/08/2026
5 min

Ibovespa tem 8ª queda seguida, sequência vista apenas 7 vezes em mais de 20 anos

O dólar à vista voltou a subir diante do real nesta quinta-feira, 13, descolado da moeda americana no exterior

Ibovespa tem 8ª queda seguida, sequência vista apenas 7 vezes em mais de 20 anos

O Ibovespa fechou em baixa nesta quinta-feira, 13, o oitavo pregão consecutivo de perdas, com investidores digerindo uma bateria de balanços corporativos e acompanhando a saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira. O principal índice da B3 recuou 0,23%, aos 167.100,95 pontos, após oscilar entre 166.196,92 e 168.515,49 pontos. O volume financeiro somou R$ 22,4 bilhões. O dólar à vista avançou 0,25%, a R$ 5,1925.

Levantamento da Elos Ayta mostra que, desde janeiro de 2000, movimentos dessa natureza foram registrados em apenas sete ocasiões, incluindo a atual. A última vez que o principal índice da Bolsa brasileira havia registrado oito quedas consecutivas foi em 10 de agosto de 2023, quando a sequência acumulou uma queda de 2,95%.

Entre as principais ações do índice, Vale (VALE3) recuou 1,75%, enquanto Petrobras (PETR4) subiu 1,09% e Petrobras (PETR3) avançou 0,89%, mesmo com a queda de mais de 2% do petróleo no exterior.

Entre os bancos, Banco do Brasil (BBAS3) caiu 4,16% após adivulgação do balanço do 2° trimestre. Bradesco (BBDC4) recuou 0,48%, Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 0,31%, enquanto BTG Pactual (BPAC11) avançou 1,29% e Santander Brasil (SANB11) subiu 0,71%.

Na ponta positiva, MRV (MRVE3) disparou 14,29%, seguida por Cogna (COGN3), que avançou 7,88%, e Rede D'Or (RDOR3), que subiu 6,31%. Rumo (RAIL3) também avançou, beneficiada pela percepção de juros menores.

Do lado negativo, Hapvida (HAPV3) desabou 33,09%, após um balanço considerado fraco pelo mercado. Minerva (BEEF3) recuou 7,60% e Sabesp (SBSP3) caiu 7,04%, também pressionadas pela reação dos investidores aos resultados trimestrais.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o resultado do PPI nos Estados Unidos ajudou a abrir espaço para um movimento de maior apetite ao risco, mas o efeito positivo foi limitado pelos fatores domésticos. "O que está pesando aqui no Brasil fundamentalmente são alguns balanços fracos que têm impactado o índice", afirmou.

Segundo Perri, a temporada de resultados abaixo das expectativas se soma à saída de investidores estrangeiros, em meio ao aumento da preocupação com a situação fiscal brasileira e as perspectivas eleitorais. "O investidor estrangeiro tem saído da bolsa brasileira", disse.

Para o economista, o rebaixamento do Brasil pelo JP Morgan ajudou a reforçar entre os estrangeiros uma preocupação que já estava mais presente entre os investidores locais. "O investidor estrangeiro, sem dúvida, tem muita força para fazer preço", afirmou Perri.

O dólar à vista voltou a subir diante do real nesta quinta-feira, descolado da moeda americana no exterior, que recuou frente aos pares após o PPI mostrar estabilidade e reforçar a aposta de manutenção dos juros pelo Fed em setembro.

A moeda americana fechou em alta de 0,25%, a R$ 5,1925, após oscilar entre R$ 5,1756 e R$ 5,1986.

Varejo brasileiro tem sinais mistos

No Brasil, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,5% em junho ante maio, na série livre de influências sazonais, após alta de 0,3% no mês anterior. Já o varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, teve retração de 1% em junho frente a maio.

No campo agrícola, a estimativa para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em julho ficou em 353 milhões de toneladas, alta de 2% frente à safra de 2025, de 346,1 milhões de toneladas, e avanço de 1,6% em relação à estimativa de junho.

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao produtor (PPI) ficou estável em julho, após queda revisada de 0,1% em junho. O resultado ficou abaixo da expectativa de alta de 0,2% dos analistas.

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos subiram em 9 mil na semana encerrada em 8 de agosto, para 209 mil solicitações, acima do esperado pelo mercado.

Em discurso na Câmara de Comércio de Greenville, na Carolina do Sul, o presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin, afirmou que ainda não está claro se obanco central americano precisará elevar os juros para levar a inflação à meta de 2%.

Petróleo cai firme

Os contratos futuros de petróleo fecharam em forte queda nesta quinta-feira, com investidores ponderando a perspectiva de demanda global mais fraca em 2026 diante das tensões e das disrupções no Oriente Médio.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a oferta permaneceu em 6,3 milhões de barris por dia em julho abaixo do nível registrado no mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, ataques a embarcações no Golfo de Omã e no Mar Vermelho mantêm elevada a preocupação com a segurança do transporte marítimo.

No fechamento, o Brent para outubro caiu 2,15%, a US$ 87,07 por barril, enquanto o WTI para setembro recuou 2,43%, a US$ 81,25.

Apesar da queda do petróleo, Perri avaliou que o movimento ainda não elimina a pressão sobre os mercados. "A curva de juros reage a um petróleo que continua alto, mas que no pregão de hoje tem algum alívio em relação a esses últimos dias", afirmou.

Bolsas sobem em NY após PPI fraco afastar alta de juros

As bolsas americanas fecharam em alta nesta quinta-feira, após o PPI de julho abaixo do esperado reforçar a percepção de que o Federal Reserve não deve elevar os juros em setembro.

O Dow Jones subiu 0,13%, enquanto o S&P 500 avançou 0,65% e renovou o recorde de fechamento, aos 7.798,99 pontos. O Nasdaq ganhou 0,81%, aos 26.803,03 pontos.

As ações de tecnologia ficaram entre os destaques. Micron avançou 4,23% e Super Micro Computer subiu 4,12%. Netflix ganhou 5,43% após Bill Ackman anunciar que voltou a investir na companhia.

Para Perri, o desempenho das bolsas americanas refletiu diretamente a melhora na percepção sobre a inflação. "Isso favorece a queima de prêmio na curva de juros" e reforça a expectativa de que não haverá alta de juros no curto prazo, afirmou.

AutorClara Assunção
FonteExame
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