Ibovespa tem leve queda e dólar sobe com saída de estrangeiros e risco doméstico
Já as bolsas dos EUA terminaram o dia em alta, apoiadas pelo CPI e pelo desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial

O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira, 12, em queda de 0,23%, aos 167.491,07 pontos, após oscilar entre a mínima de 167.141,82 e a máxima de 168.309,55 pontos. O índice chegou a ensaiar uma recuperação durante a sessão, mas perdeu força ao longo da tarde, após a forte queda de 2,5% registrada na terça-feira, 11, em meio à piora da percepção sobre o risco doméstico.
O volume financeiro somou R$ 24,2 bilhões em uma sessão marcada pelo vencimento de índice futuro e pelo exercício de opçõessobre o Ibovespa.
O dólar à vista também acelerou a alta perto do fechamento. A moeda americana terminou o dia em alta de 0,36%, a R$ 5,179, após oscilar entre R$ 5,137 e R$ 5,181. O movimento ocorreu apesar do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos ter vindo em linha com as expectativas, em meio àcontinuidade da saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.
Segundo dados da B3, os estrangeiros retiraram R$ 7,2 bilhões das ações brasileiras em agosto até o dia 10. Na semana passada, entre 3 e 7 de agosto, o fluxo cambial total ficou positivo em US$ 652 milhões, mas houve uma saída de US$ 2 milhões pela conta financeira.
No mercado acionário brasileiro, a Vale (VALE3) avançou 0,74% e ajudou a limitar a queda do índice. Já as ações da Petrobras fecharam em baixa. O papel ordinário (PETR3) recuou 0,50% e o preferencial (PETR4) caiu 0,45%.
Entre os grandes bancos, o desempenho foi negativo. Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,46%, enquanto os demais bancos também terminaram a sessão no vermelho, com exceção das units do Santander (SANB11), que subiram 0,34%.
Entre as maiores altas do Ibovespa, a Embraer (EMBJ3) liderou, com avanço de 4%, seguida por CSN Mineração (CMIN3), que subiu 3,95%, e Gerdau (GGBR4), com alta de 2,98%.
Na ponta negativa, Braskem (BRKM5) despencou 7,80%. Direcional (DIRR3) caiu 4,72%, enquanto Totvs (TOTS3) recuou 4,15%. C&A (CEAB3) perdeu 3,34% e Azzas (AZZA3) caiu 2,70%.
Inflação dos EUA reduz pressão sobre o Fed
No exterior, o CPI americano de julho trouxe algum alívio aos mercados. O índice de preços ao consumidor subiu 0,1% no mês, em linha com as expectativas, e acumulou alta de 3,4% em 12 meses, ante 3,5% em junho. O núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% em julho e desacelerou de 2,6% para 2,5% na comparação anual.
Para Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, o dado veio em um momento importante para as expectativas sobre a política monetária americana. Nas últimas semanas, o mercado vinha discutindo inclusive a possibilidade de uma alta dos juros pelo Federal Reserve. Na reunião de 29 de julho, três dirigentes do Fed divergiram e votaram por uma elevação das taxas.
“Esse dado de inflação sem surpresas, somado ao payroll mais fraco de sexta-feira, tira um pouco da pressão sobre o Fed”, afirma Benvenuto.
Segundo a coordenadora da Avenue, essa mudança já aparece nas expectativas para a reunião de setembro. A ferramenta FedWatch, da CME, passou a indicar cerca de 60% de probabilidade de manutenção dos juros, ante 46% há uma semana. Um mês atrás, o mercado atribuía mais de 51% de chance de uma alta em setembro e ainda precificava quase 19% de probabilidade de uma elevação de 0,5 ponto percentual.
“Essa possibilidade de alta de 0,5 ponto percentual saiu completamente do preço. Agora, resta uma chance de aproximadamente 40% de aumento de 0,25 ponto percentual”, diz.
Com a redução da pressão sobre o Fed no curto prazo, parte da discussão começa a migrar para dezembro. Nos mercados de juros, o alívio ficou concentrado na ponta curta da curva. O Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, recuou para perto de 4,20%, enquanto o título de 30 anos permaneceu em torno de 5,25%.
“Ou seja, aumentou a diferença entre os juros de curto e de longo prazo, com o mercado exigindo mais prêmio nos vencimentos mais longos por causa da inflação ainda acima da meta e do tamanho do déficit americano”, explica Juliana.
O mercado também se prepara para o leilão de títulos de 30 anos do Tesouro americano, marcado para quinta-feira, 13. Segundo a especialista, a operação deve sair com uma das maiores taxas de financiamento dos últimos 25 anos.
Bolsas de Nova York fecham em alta
As bolsas americanas terminaram o dia em alta, apoiadas pelo CPI e pelo desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial. O Nasdaq avançou 0,54%, aos 26.588,49 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,26%, aos 7.748,50 pontos. O Dow Jones recuou 0,04%, aos 53.770,27 pontos.
Para Juliana, a liderança voltou a ser das ações ligadas à inteligência artificial, com balanços de empresas como CoreWeave e Super Micro reforçando a percepção de que a demanda por infraestrutura de IA permanece firme.
Durante a sessão, a CoreWeave chegou a subir cerca de 18%, enquanto a Supermicro avançou 17%. A holandesa Nebius registrou alta superior a 27%, enquanto Micron e Dell tiveram ganhos entre 6% e 7%.
Fora do setor de tecnologia, o destaque ficou com a Endesa, que avançou após o Financial Times informar que a Trian, de Nelson Peltz, prepara uma oferta para fechar o capital da companhia.
Petróleo fica praticamente estável com indefinição sobre Ormuz
Após disparar nas duas últimas sessões, os contratos futuros de petróleo terminaram a quarta-feira praticamente estáveis. O mercado continua monitorando o impasse entre Estados Unidos e Irã sobre as condições de navegação e o controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo.
A média de cinco dias do tráfego de navios no estreito ficou em cerca de 13 embarcações na terça-feira, próxima do menor nível em três meses, segundo dados da Kpler. O Irã mantém a posição de que não pretende permitir a reabertura total da passagem enquanto os Estados Unidos não atenderem às suas exigências.
Enquanto isso, o secretário de Energia americano, Chris Wright, afirma que empresas privadas estariam subestimando o número de navios que continuam transitando pela região.
No fechamento, o Brent para outubro subiu 0,08%, a US$ 88,98 por barril, enquanto o WTI para setembro também avançou 0,08%, a US$ 83,27.“O tráfego de navios está em uma média de aproximadamente 13 travessias, quase o menor nível dos últimos três meses e cerca de 90% abaixo do registrado antes da guerra”, afirma Benvenuto.
