Ibovespa tem maior alta diária em 6 anos após resultado do 1° turno da eleição
Bolsa acelera após Flávio Bolsonaro terminar primeiro turno à frente de Lula, em resultado que surpreendeu o mercado

O Ibovespa disparava mais de 7% na manhã desta segunda-feira, 5, e, depois de alcançar pela primeira vez os 200 mil pontos, o principal índice acionário da B3 se aproxima dos 210 mil pontos em uma reação imediata do mercado ao resultado do 1° turno das eleições presidenciais. Às 11h33, a referência acionária subia 7,29%, aos 206.346 ontos, com algumas das ações mais sensíveis ao cenário eleitoral avançando mais de 20%.
Se mantiver esse ritmo até o fechamento, será a maior alta diária do Ibovespa em mais de seis anos. O último avanço superior ao registrado nesta segunda-feira ocorreu em 24 de março de 2020, quando o índice subiu 9,69%. Antes disso, em 13 de março daquele ano, a alta havia sido de 13,91%.
Os dois pregões ocorreram em meio à forte volatilidade provocada pela pandemia de coronavírus. Em 13 de março, a Bolsa teve uma trégua depois de uma semana marcada por quatro circuit breakers e uma queda acumulada de mais de 15%. O mercado reagiu a medidas de estímulo anunciadas no Brasil e no exterior, além do anúncio de emergência nacional nos Estados Unidos.
Naquele dia, o governo brasileiro havia anunciado a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com previsão de injetar R$ 23 bilhões na economia. Também havia expectativa de novas medidas para dar suporte à atividade, incluindo possíveis saques do FGTS e adiamento de impostos sobre a folha de pagamentos.
Já em 24 de março, o governo anunciou um plano de R$ 88,2 bilhões em ajuda a estados e municípios para fazer frente às despesas de saúde e aos impactos econômicos da pandemia. A medida ajudou a sustentar a recuperação dos mercados naquele pregão.
Ibovespa bate marca inédita de 200 mil pontos no 'day after' da eleição presidencial
O movimento desta segunda-feira, porém, tem uma origem diferente. A alta é uma reação direta ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por 47,03% a 45,16% dos votos válidos.
O resultado surpreendeu o mercado, que esperava uma disputa apertada, mas tinha como cenário mais provável Lula na primeira colocação. A leitura dos investidores é que a vantagem de Flávio aumentou a probabilidade de uma vitória do candidato de direita no segundo turno e, com isso, de uma mudança na percepção sobre a política econômica e fiscal.
Antes da abertura da B3, o EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne ações brasileiras, chegou a subir 10,29% no pregão overnight. Na B3, a alta se concentrou especialmente nos papéis mais expostos à economia doméstica e a uma eventual reprecificação positiva do mercado. Asações de Magazine Luiza lideravam os ganhos, com alta de 24,18%, seguida por Cosan, com 22,82%, Cyrela, com 21,33%, B3, com 20,79%, e BTG Pactual, com 19,21%.
A concentração dos ganhos nesses papéis também está alinhada com uma tese que já vinha sendo apontada pelo BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME). Em relatório, o banco destacou varejistas, construtoras de médio e alto padrão e empresas do mercado de capitais como segmentos que poderiam apresentar desempenho superior em um cenário de vitória de Flávio.
O banco também avaliava que as ações brasileiras ainda negociavam com desconto. Excluindo Petrobras e Vale, o mercado estava sendo negociado a 10 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo da média histórica de 11,9 vezes. Em um cenário de vitória de Flávio, o BTG estimava que a bolsa poderia voltar rapidamente a esse múltiplo, com potencial de alta de 20%.
