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Bolsa e dólarACS
30/10/2026
6 min

Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado

O resultado nas urnas contrariou as apostas do mercado para a Presidência, que foi ‘obrigado’ a reprecificar os ativos de olho no ‘Lula 4’

Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado

A virada histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito em segundo turno mesmo atrás do pleito no primeiro turno e nas pesquisas eleitorais, levou a outro feito inédito: uma 'onda vermelha' fez o Ibovespa (IBOV) registrar a maior queda semanal desde março de 2020, auge da pandemia de Covid-19.

Na semana, o principal índice da bolsa brasileira tombou 18,12%, o que representa uma perda mais de 37,2 mil pontos em relação à sexta-feira antes da votação. Com isso, o IBOV voltou ao nível de meados de agosto, aos 167.921,80 pontos.

A 'forte' reprecificação também fez o Ibovespa zerar os ganhos de outubro e terminar o período com saldo negativo em 9,88%, outra marca histórica: o pior desempenho mensal desde junho de 2022.  

O dólar à vista, por sua vez, acumulou alta de 9,04% na semana, a maior alta no período desde outubro de 2008, crise do subprime, cotado a R$ 5,4443. No mês, a valorização da divisa norte-americana foi 5,20%.

Para efeitos de comparação, até o último pregão antes do segundo turno, o Ibovespa acumulava ganho de 27,3% no ano e de 10% em outubro; o dólar à vista tinha um saldo negativo de 9% e desvalorização de 3,5% no acumulado do mês. 

A 'onda vermelha' também foi sentida na curva de juros futuros. As taxas de Depósito Interfinanceiro (DIs) dispararam mais de 250 pontos-base nos vértices de médio e longo prazos, zerando as apostas de corte na taxa básica de juros, a Selic.  

Com isso, a curva passou a indicar uma interrupção no ciclo de calibragem monetária iniciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em março deste ano.  

Apesar da liquidação, o movimento já era esperado, já que o mercado estava majoritariamente posicionado em uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato mais alinhado ao mercado diante da perspectiva de ajuste fiscal e corte mais agressivo das taxas de juros.  

"Com um resultado diferente do que vinha sendo precificado, algumas posições foram desfeitas de forma rápida, o que explica a intensidade dos movimentos em bolsa, câmbio e juros", explica Bruna Sene, analista de renda variável da Rico.  

"Esse ajuste reflete uma mudança de expectativas, aumento de incertezas e o reposicionamento de carteiras."  

Modo de espera 

A reeleição do presidente também ativou o "modo de espera" nos investidores por sinalizações de como será um governo ‘Lula 4’, com destaque para as contas públicas e a cadeira de ministro da Fazenda. 

Logo após o segundo turno, os nomes de Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, surgiram como candidatos à pasta econômica. 

Fonteles, porém, é o mais cotado para o cargo. Há a expectativa de uma viagem de Lula na próxima semana para convidá-lo pessoalmente à chefia da pasta econômica.  

"Se você não vislumbrar uma queda de prêmio de risco que venha do ponto de vista fiscal e um espaço para ter uma queda de juros reais no médio prazo, vai ser um ambiente difícil para a Bolsa”, afirmou Paula Moreno, co-CIO e sócia da gestora Armor Capital em entrevista ao Money Times, site parceiro do Seu Dinheiro. 

“O mercado está muito defensivo, esperando o anúncio do time [de ministros], principalmente na Fazenda”, completou. 

Bruna Sene, da Rico, compartilha da mesma visão. "A partir de agora, o mercado passa a olhar para as definições da política econômica: a composição da equipe, as regras fiscais e a condução das contas públicas a partir de 2027. Até que esses pontos fiquem mais claros, a incerteza tende a se refletir em prêmios de risco mais elevados".  

Por ora, o mercado também apagou as apostas de corte na Selic com a piora das expectativas para a inflação. 

Na última atualização, datada na última quarta-feira (28), as Opções do Copom da B3 precificavam 66,50% de chance de o Comitê manter os juros em 13,75% na decisão da próxima quarta-feira (4).  

Antes do segundo turno, a probabilidade majoritária, de 75,9%, era de corte de 0,25 pontos-base da Selic, de 13,75% para 13,50%.  

As mais penalizadas 

Na Bolsa, as ações cíclicas foram as mais pressionadas diante da perspectiva de juros elevados por mais tempo.  

Entre os papéis listados no Ibovespa, Vamos (VAMO3) figurou como a ação com pior desempenho, acumulando uma queda de 62,9% na semana. VAMO3 também foi a maior queda de outubro, com tombo de 44,6%. 

Magazine Luiza (MGLU3) também apagou os ganhos do mês e passou a cair 57,8%, sendo a segunda maior queda da semana.

Do outro lado, as exportadoras se destacaram pela valorização do dólar, já que as receitas das companhias são contabilizadas na moeda norte-americana. 

Suzano (SUZB3) e WEG (WEGE3) foram as mais beneficiadas, com ganho de 16,4% e 13,2%, respectivamente.  

No mês, Prio (PRIO3) foi a ação com melhor desempenho, com valorização de 17,4%, ancorada na valorização do petróleo Brent.  

Wall Street no vermelho 

O cenário eleitoral também ficou no radar com a proximidade das eleições de meio mandato nos Estados Unidos. A derrocada dos índices, porém, foi fruto dos balanços do terceiro trimestre.  

Em destaque, as ações da Alphabet, dona do Google, despencaram 12,64% na última quinta-feira (29) e registraram a maior queda diária na histórica em reação aos números trimestrais. 

A big tech não atingiu as expectativas de lucro e receita no período e apresentou um fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,07 bilhões. 

Além disso, o mês foi turbulento para o setor de inteligência artificial (IA), com os investidores acompanhando de perto os gastos das empresas com a expansão da infraestrutura.  

Ao mesmo tempo, as neoclouds — as empresas de computação em nuvem que estão por trás da infraestrutura necessária para os data centers de IA — estão enfrentando o escrutínio dos investidores devido aos seus níveis de endividamento.  

Na semana, Nasdaq teve queda de 5,3%; S&P 500 recuou 0,92% e Dow Jones registrou baixa de 0,85%.

Já no acumulado de outubro, Nasdaq teve 2% de desvalorização, o S&P perdeu 0,92% e Dow Jones destoou dos demais, fechando com ganho de 1,7%.

AutorLiliane de Lima
FonteSeu Dinheiro
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